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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ÆTHER, MANTENDO ACESA A CHAMA DO ROCK PROGRESSIVO

Alguns amigos próximos já sabem que desde 2011 faço parte do ÆTHER (leia-se "éter"), banda de Rock Progressivo,  que já tem uma estrada bacana, com dois discos autorais independentes, que chegaram a ser lançados também na Europa.
Minha história com a banda começou no fim da década de 80, quando meu irmão Ricardo precisou de um contra-baixo para usar em um show, pois o dele estava com problemas. Nosso amigo João Paulo entrou em contato com Fernando Carvalho, que gentilmente nos emprestou o instrumento.
De vez em quando encontrava o Fernando em reuniões e festinhas, e sempre levávamos um som. Depois ele passou a ser figura constante na platéia dos shows da Crossroads, minha banda de Classic Rock.
Foi nessa mesma época que Fernando me presenteou com "Visons", o primeiro CD do ÆTHER. De cara virei fã daquele som viajante e cheio de texturas. Mais pirei mesmo foi com o segundo álbum "Inner Voyages Between Our Shadows", lançado em 2012, que me deixou embasbacado com a sua produção caprichadíssima.
Fiquei com muito orgulho ao receber o convite feito pelo Fernando para entrar no ÆTHER. E também senti uma grande responsabilidade, pois são todos músicos feras e cascudos, as canções e temas são cheios de passagens e variações, e o público da banda é extremamente exigente.
No segundo semestre de 2011 começamos a ensaiar o repertório antigo do ÆTHER, na intenção de marcamos os primeiros shows com a nova formação. Mas um convite mudou nossos planos.
Mais uma vez o ÆTHER foi chamado a participar de um projeto pela Musea Records (França), em parceria com a Colossus Magazine (Finlândia), com bandas de Rock Progressivo da Europa, Estados Unidos, e da América do Sul. O trabalho é em homenagem ao escritor americano do início do século XX, H.P. Lovecraft, celebrizado por obras de fantasia, terror e ficção científica. Cada banda musicou um conto do escritor. Em 2004, a banda participou de um projeto parecido chamado Odissey, baseado na Odisseia de Homero.
No ano passado, compomos, arranjamos e gravamos "Mountains of Madness", que este mês está sendo lançado um box com 3 CDs, que acabamos de receber. Vejam como ficou lindo o trabalho gráfico:
A nossa foto que aparece no encarte, bem como a do início do post foram feitas em um ensaio fotográfico no Aterro do Flamengo. A idéia era ter o Pão de Açúcar de fundo pra causar inveja nos nossos hermanos da banda argentina que também participa do projeto. Só que a escolhida para o CD aparece o Monumento a Estácio de Sá.
Em virtude do contrato que assinamos, por um período de 6 meses não poderemos colocar a nossa música no youtube ou no soundcloud. Mas estamos vendo com o produtor do projeto se há a possibilidade de fazermos um clip.
ÆTHER em 2003, no palco do Canecão abrindo o show da banda holandesa Focus

Ficou curioso em saber mais sobre o ÆTHER? Aí vai uma breve biografia:

O nome ÆTHER vem do idioma Grego, e representa "a real quintessência de toda a energia possível. É o agente universal responsável por toda e qualque manifestação de energia nos mundos material, psiquico e espiritual. Uma das suas propriedades é o Som (a Palavra, o Verbo)"*. Define-se então a concepção conceitual da banda.
A história do ÆTHER tem início em 1974, na cidade do Rio de Janeiro, quando os amigos Alberto Curi, Vinícius Brazil e Fernando Carvalho se juntam para a formação da banda de rock Magenta, que contava com Wilman Jorge, na bateria. Em 1977, com a saída de Wilman, a banda passa então a se chamar Rockambole. Nesse período, o grupo já mostrava influências do Rock Progressivo.
Em 1983, com a inclusão de teclados por Curi e das guitarras sintetizadoras tocadas por Vinícius, a banda se torna totalmente progressiva e recebe o nome de Albatroz. Começam então as primeiras gravações em estúdio. Com as músicas "Luz Esperança" e "Renascer", a banda tem passagem marcante no Rio de Janeiro na Rádio Fluminense. Mesmo com a saída de Fernando em 85, a banda continua até 93 com o baixista Carlos Cesar. Nesta época o nome Albatroz foi abandonado devido à existência de bandas homônimas.
Em 1995, novamente juntos, Curi, Vinícius e Fernando formam o ÆTHER.
Com as facilidades proporcionadas pelo estúdio SoftMusic, de Vinícius Brazil, um estúdio totalmente digital, fundado em 1988, a criatividade e as possibilidades de experimentações orquestrais fazem com que a banda comece a "viajar" na concepção de seu primeiro trabalho, sem as limitações de tempo e verba normalmente enfrentadas pela maioria das bandas. Afirma-se então o formato progressivo sinfônico, surgindo "Visions", o primeiro CD, com a participação do baterista Brandon Ramos e de alguns músicos convidados como Glauco Fernandes nos violinos, e Eduardo Campos no piano. Este trabalho, conceitual em sua essência, foi composto em torno de "visões" musicais de imagens, eventos, momentos e situações.
O álbum "Visions" pode ser adquirido pelo site da gravadora Sonhos e Sons, que tem como dono ninguém menos do que o grande Marcus Viana, a mente criadora do Sagrado Coração da Terra.
Em 1999, Brandon Ramos sai da banda, que passa a contar com o baterista Mario Leme (ex-integrante da banda Bacamarte e, até 2001, ainda membro do Kaizen).
Após apresentações ao vivo, incluindo o Rio Art Festival 99, a banda começa a trabalhar na concepção de seu segundo CD "Inner Voyages Between Our Shadows". O novo álbum lançado em novembro de 2002, contou ainda com a participação de Glauco Fernandes, dessa vez tocando todo um set de cordas,   além de solos e uma ótima adaptação para o rock de "Uma Noite em Monte Calvo" de Modest Mussorgsky. O disco saiu na Europa pela Musea Records, e ainda pode ser adquirido por .
"Inner Voyages Between Our Shadows" ganhou críticas muito positivas nas mídias especializadas em progressivo, o que viabilizou entre outras coisas, a realização de um sonho: em março de2003, a banda faz a primeira apresentação de músicas deste trabalho, abrindo para a banda holandesa Focus no Canecão (Rio de Janeiro).
Escute uma de minhas preferidas desse álbum, "Scenes of Wondering Beyond":

Em 2004, o ÆTHER foi convidada a participar do projeto "Odyssey - The Greatest Tale", lançado em 2005 pela Musea Records, em parceria com a Colossus Magazine (Finlândia). Nove bandas de vários lugares do mundo foram encarregadas de musicar a famosa obra grega, cabendo ao ÆTHER encerrar o CD duplo.
Em 2005 o grupo se apresentou no evento Rock Symphony for the Record, na cidade de Niterói (RJ). .
Três anos depois, o ÆTHER voltou a Niterói para participar da 13ª edição do RIO ART ROCK FESTIVAL, ao lado da banda brasileira Alpha III e da argentina Ünder Linden.
Um ano depois a banda tem suas atividades encerradas. Mas Fernando, Curi e Vinícius continuavam se encontrando ocasionalmente para tocar.
Até que em 2011 o baterista José Carlos Batista (sim! eu mesmo...) foi convidado a entrar na banda, e o ÆTHERestá de volta pra manter acesa a chama do Rock Progressivo.

4 comentários:

  1. Viva o Rock Progressivo!!!
    Parabéns, J.C.! Sou fã do seu Blog e tenho certeza que você também deve ser um grande músico.
    Beijo

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    Respostas
    1. Muito obrigado pelas palavras tão gentis!
      E Viva o Rock Progressivo!!!

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  2. A música Scenes of wondering Beyond é realmente muito bonita , os arranjos e o baixo são perfeitos
    estava escutando outras músicas da banda pelo youtube , mas essa foi a que mais me impressionou. Isso sim é som , que diferença da poluição sonora que escutamos por ai. Muito sucesso pra vcs .
    Alessandra Duarte

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