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quinta-feira, 25 de julho de 2013

24 de Julho de 2013 - WINERY DODS NO TEATRO RIVAL (RJ)

No ingresso estava escrito que o show começaria às 19 30 h . Com a visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro, a chuva forte no início da tarde, o frio, e a hora do rush: todos os motivos para que o trânsito estivesse caótico. Pra piorar, eu e meu amigo Victor saímos de Jacarepaguá exatamente no horário marcado pro início da apresentação. Resultado: chegamos no Teatro Rival às 20 40h, pensando que pegaríamos só o finzinho... Mas foi só colocarmos os pés dentro do teatro, para que as luzes se apagassem, e The Winery Dogs começasse a tocar! Parecia que os caras só nos estavam esperando para começarem a tocar.
O power trio é formado apenas por faixas-pretas: Richie Kotzen (vocal e guitarra, ex-Poison, ex-Mr Big, e passgens na banda do super baixista Stanley Clarke), Billy Sheehan (baixo, ex-Mr Big, ex-David Lee Roth, ex-Talas, ex-Niacin, ex- Steve Vai) e Mike Portnoy (bateria, ex- Dream Theater, e participante de inúmeros projetos como Transatlantic, Flying Colours, Adrenaline Mob, etc...).
A banda deu início ao show, com “Elevate”, faixa de abertura do auto-intitulado álbum recém-lançado, e uma das cinco músicas que eu conhecia . Desconhecer a maioria do setlist não foi problema pra apreciar e curtir muito a apresentação desses monstros. Apesar do vocal baixo em alguns momentos, o som estava excelente e todos os instrumentos eram ouvidos com perfeição, em num volume muito alto, o que é fundamental num show de Rock que se preze.
Os entrosamento entre os três músicos é tão grande, que parece que tocam juntos há tempos. Os arranjos são feitos paraque todos eles contribuam e apareçam com a mesma intensidade.
É de ficar babando, ver Kotzen tocando lindamente sem uso de palheta, Sheehan dedilhando com as duas mãos o seu baixo e Portnoy mostrando porque é considerado um dos melhores bateristas da história do Rock. Quando perguntado sobre a influência musical da banda, Mike Portnoy disse que era um tipo de som voltado para o classic rock, com influências de Led Zeppelin, Cream, Jimi Hendrix, Grand Funk Railroad e uma "pitada" de Soundgarden, Alice In Chains, Black Crowes e Lenny Kravitz. E é possível enxergar todas essas referências no som do Winery Dogs.
Me surpreendi com a popularidade de Kotzen, pois esperava uma platéia formada em sua maioria por fãs do Dream Theater e do Portnoy; mas a impressão que tive é que três, Richie era o que contava com mais seguidores, ou pelo menos com aqueles mais entusiasmados.
Já com sua técnica eu já havia sido apresentado pelo Victor, mas mesmo assim não deixei de ficar embasbacado com sua maneira fora do padrão de tocar, como já disse, sem o uso de palhetas e usando seu modelo especial da Fender japonesa, uma Telecaster especial que leva seu nome. Com a pegada e feeling de um bluseiro, e com o virtuosismo comparável de Steve Vai, Satriani ou Paul Gilbert, ele alia rapidez impressionantes, bands cheios de emoções e belos fraseados. Como disse Victor: "Em alguns momentos parece ser puro malabarismo, mas ele sempre consegue colocar aquelas notas certeiras que arrepiam...".
Outro grande destaque é o vocal de Kotzen, talvez o maior trunfo do Winery Dogs. A voz rascante, um pouco rouca e com um alcance absurdo para as notas agudas, faz lembrar e muito o grande Chris Cornell. Em alguns momentos se assemelha a  David Coverdale, no início da carreira no Deep Purple. Richie canta muito, e foi acertada sua entrada para substituir John Sykes como guitarrista/vocalista do projeto.
A banda faz uma versãoaumentada de "Six Feet Deeper", com um final cadenciado, dando brecha para exibição do virtuosismo de cada um do trio. E é aí que Portnoy manda um solo de bateria, bastante curto, mas com o tempo suficiente para deixar todo mundo assombrado com tanta habilidade. Bem mais  descontraído que nos tempos de Dream Theater, Mike parece buscar a diversão e a simplicidade, sem abrir mão da qualidade musical. Sem ter que provar mais nada a ninguém, e se preocupando apenas com a música. Seu kit atual é uma versão franciscana das gigantescas baterias que usava em sua antiga banda. Já as cusparadas constantes e a grande interação com o público continuam as mesmas de sempre.
Na sequência mandam "The Other Side", e  depois é a vez de Bily Sheehan ficar sozinho no palco, pra fazer seu solo, bem maior que o de Portnoy. Billy é um baixista absurdamente talentoso, com muita velocidade, e sua famosa e impressionante técnica "two-hands”, combinando harmônicos com seu baixo Yamaha signature, troca a afinação da corda mais grave (de Mi para Ré) várias vezes, com um simples uso de uma alavanca localizada na tarraxa da corda sitada, conhecido como Hipshot tuner. Seu solo termina na introdução da balada "You Saved Me", e Billy novamente faz uso da técnica "two-hands”.
Na vez de Kotzen ficar sozinho no palco, e lembra três de suas composições em momentos distintos de suas outras fases como músico. Primeiro no violão com forte coto da plateia, ela canta "Stand", gravada quando ele era um dos integrantes do Poison. Voltando para a guitarra, toca "You Can’t Save Me", faixa de sua carreira solo,que também provoca grande comoçãono público presente. Com Portnoy e Bily de volta ao palco, tocam "Shine", do Mr. Big, no breve momento em que Kotzen e Sheehan estiveram na mesma formação do grupo.
A interação da banda com a galera vai aumentando cada vez mais, e três baladas são tocadas em sequência, começando pelo single "I’m No Angel", e  novamente surge um grande coro. Portmoy vai ao microfone para elogiar e  agradecer os cariocas, dizendo que esse era o verdadeiro primeiro show do Winery Dogs, não só no Brasil e na América Latina, mas a van premiere mundial da banda (apesar dos 4 shows realizados no Japão).
Fecham com "Regret", com Kotzen na primeira parte da canção tocando teclados muitíssimo bem. Depois ele parte pra guitarra e os sons de teclados continuam. Playback? Bases pré-gravadas? Não!!! É  Bily Sheehan quem toca com os pés a base de teclado até o fim da música, utilizando um foot-pedal, o mesmo instrumento utilizado há anos por Geddy Lee e Alex Lifeson no Rush.
É claro que não ia faltar o Bis, e eles voltam por exigência do público em "Fooled Around And Fell In Love", cover do guitarrista bluseiro Elvin Bishop.
O encerramento é feito com "Desire", que considero a melhor música do disco. Cheia de peso, Riff intenso e refrão forte, perfeita para finalizar a noite.
Da primeira a última canção, foi um grande show. Ótima música, grandes músicos, excelentes arranjos, som perfeito e poderoso, platéia quente e antenada, tudo numa perfeita sintonia para se celebrar um Rock de qualidade, que infelizmente é cada vez mais raro de se encontrar.
Torço e espero que Mike Portnoy sossegue o facho no Winery Dogs. Que esse trio seja uma banda de verdade, e não mais um dos projetos do baterista que ficam pelo caminho. A química entre os três é tão forte que merece durar por muitos anos, inúmeros álbuns e incontáveis shows.
SETLIST:
1- Elevate
2- We Are One
3- Criminal
4- One More Time
5- Time Machine
6- Damaged
7- Six Feet Deeper
8- Mike Portnoy Drum Solo
9- The Other Side
10- Billy Sheehan Bass Solo
11- You Saved Me
12- Not Hopeless
13- Stand (Poison cover)
14- You Can't Save Me (Richie Kotzen cover)
15 - Shine (Mr. Big cover)
16- I'm No Angel
17- The Dying
18- Regret

BIS:
19- Fooled Around And Fell In Love (Elvin Bishop cover)
20- Desire

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