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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

31 de Janeiro de 2010 - METALLICA NO ESTADIO DO MORUMBI - SP

Eu nasci em São Paulo, mas vim pro Rio com um ano de idade, por isso costumo dizer que sou paulista mas não exerço. Admito que estava bastante apreensivo, porque iria ao show sozinho, numa cidade aonde não sei andar, e onde não conheço quase nada.
Antes porém, fui à formatura da minha prima Pamela que mora em São Joaquim da Barra (cidade no interior de SP, próximo a Ribeirão Preto e distante 400Km da Capital), a festa acabou por volta das seis horas da manhã, tomei um banho, e fui direto pra Rodoviária. O ônibus saiu às oito, e só acordei em Campinas, lá comecei a procurar no dial a KissFM, e quando ouvi a introdução de "Ain't Talkin''bout Love" do Van Halen, não tive dúvida que havia encontrado a rádio que queria. Como é bom ouvir numa FM só Rock'n'Roll: Whitesnake, Black Crowes, Metallica, Led Zeppelin, Pitty, Cachorro Grande, Iron Maiden e Rage Against The Machine, fizeram a trilha sonora do restante da viagem.
Ao chegar na Rodoviária, peguei as notações que Luiz (Tio da Pamela) havia escrito para me guiar no gigantesco metrô de São Paulo. Ao comprar o bilhete, avistei um grupo de "camisas pretas", e perguntei-os se estavam indo pro Morumbi, a resposta veio num bom carioquês, e percebi que todos eram também do Rio. fizemos a baldiação e descemos na Estação Clínicas, aonde pegamos um ônibus que demorou cerca de 30 minutos até chegar no Estádio. Impressionante o trânsito em Sampa mesmo num domingo.
Todos morrendo de fome, paramos duas belas metaleiras paulistas que nos indicaram lanchar no Subway. Me separei da galera pra pegar meu ingresso que havia comprado pela internet, e fiquei de encontrá-los nessa lanchonete. Com o bilhete nas mãos, fui tentar achar o ponto de encontro. mas como não ouvira a explicação das meninas, tive que tentar me informar de novo, o problema que pra todos que eu perguntava só ouvia uma resposta: "Não conheço".
Acabei reencontrando os cariocas quando entrei no Morumbi, e ao chegar ao gramado, começou um temporal que nos obrigou a pagar cinco reais em capas-de-chuva feitas de plásticos parecidos com os das sacolas de supermercado.
Mesmo debaixo de chuva, duas meninas com no máximo 19 anos, deitaram abraçadinhas no chão. Ficamos apreciando essa cena tão meiga, e resolvemos sentar e jogar "Adedanha" com bandas ou artistas solos. Explicando: uma letra do alfabeto é sorteada e cada participante tem que falar uma banda ou artista solo que comece com essa letra; exemplo: letra B - Beatles, Bad Company, Black Sabbath, Bob Marley, Blues Etílicos...
As ninfetas logo pediram pra brincar também.
Estava ganhando todas as rodadas, quando às sete da noite, o Sepultura nos surpreende começando o Show de abertura.
Não via um show dos caras desde o Rock In Rio III, e os caras continuam endiabrados, mesmo com a saída de Igor "Rolocompressor" Cavalera, substituído com competência por Jean Dolabella. Com um repertório arrasador com clássicos como "Dead embrionic Cells", "Attitude", "Sepulnation", "Refuse/Resist", "Territory", "Slave New World", "Roots Bloody Roots" e "Inner Self".
Chegaram a dedicar uma música para o Metallica, pondo fim as rugas que começaram em 1999, quando foram a banda de abertura nos shows do Brasil, e sairam reclamando de sabotagem no som, e prometeram nunca mais dividirem o mesmo palco.
Dessa vez o som estava bom, baixo é verdade, mas dava pra se ouvir bem todos os instrumentos e vocal. A banda deixou o palco ovacionados com gritos de "Sepultura! Sepultura!". Com o fim do primeiro show veio também o da chuva, o que foi excelente porque minha capa já estava toda rasgada, resultado dos pulos e bate-cabeças.
Com quase meia hora de atraso, começa no gigantesco telão de alta definição, o trecho do filme “The Good, The Bad And The Ugly", com a trilha sonora já conhecidíssima pelos fãs do Metallica, e a platéia toda cantou os ôôôs do tema, e eis que começa a Porrada Sonora de “Creping Death”, com sua letra que narra a histáoria bíblica da praga que matou todos os primogênitos do Egito.
Com o grave excelente, com subwoofers que fazem o peito tremer, graças ao bumbo duplo arrasa quarteirão de Lars e do reforço de Trujillo. No começo, as guitarras e a voz de trovão de James estavam um pouco abafadas, mas foram melhorando com o passar do tempo.
A segunda foi "Ride The Lightning", uma das minhas preferidas. E na sequência veio auma das únicas coisas que prestam da fase Load/Reload: a música "Fuel", que começa com Hetfield cantando, ou melhor gritando: "Give me fuel,Give me fire,Give me that which I desire" e foi precedido com a primeira explosão de fogos de artifício.
Eles dedicam "Sad But True" ao Sepultura, “Dedicamos esta música a nossos amigos do Sepultura. Eles sabem e nós sabemos que o Brasil gosta do pesado. Vocês querem pesado: Metallica dá o pesado a vocês.”. Realmente cumprem o prometido, muito peso do começo ao fim.
James Hetfield Hetfield usa seis microfones em diferentes lugares do palco: um em cada ponta, três na parte central e um na parte de cima, numa espécie de plataforma. De lá de cima, que ele num violão sobre um pedestal começa a bela "The Unforgiven", dando uma acalmada e um tempo nas rodinhas de porrada.
Na sequência de quatro músicas do disco novo "Death Magnetic", dividida pela clássica "Welcome Home (Sanitarium)", a banda demonstrou que voltou ao verdadeiro metal, que está afiadíssima e cada vez mais pesada. A maturidade e a entrada de Robert Trujillo parce ter trazido mais veneno e pegada ao Metallica. As músicas novas combinaram muito bem com os petardos carimbados.
Explosões, enormes labaredas e fogos de artifício, junto com uma introdução de sons de metralhadoras, luzes estroboscópicas e efeitos audiovisuais deram a deixa para aquele que talvez seja o maior hino do Metal: "One". Seguindo com "Master Of Puppets", numa sequência perfeita já que as duas têm a guerra como tema, e ambas são fodas demais. Durante "One" presencie uma cena familiar que chegou a me emocionar: um garoto extasiado, com no máximo 10 anos de idade, em cima das costas do pai, cantando e vibrando muito. Me fez lembrar de quando meu velho me levou pra ver Ozzy e AC/DC no Rock in Rio, a vinte anos atrás.
Mais labaredas, fogo, peso e distorção com "Fight Fire With Fire", com aquela intro cheia de lirismo que dá lugar a uma verdadeira porrada sonora. Demais!!!
James fala ao microfone: "Apresento meu amigo, o amigo de vocês também: o grande Kirk Hammett". E o guitarrista começa a tocar uma peça clássica. Muito aplaudido ele agradece, e faz a introdução de "Nothing Else Matters" para delírio dos presentes. Mais um Mega-hit do Black Album, a faixa que abre o disco, a fodástica "Enter Sandman". Depois de quase uma hora e meia, o Metallica deixa o palco, voltando para o Bis. James vai ao microfone e avisa que agora é a hora que eles tocam uma cover de uma banda que ensinou o Metallica a tocar, e serviu de inspiração para os discos, e levaram “Helpless” da banda britânica de metal Diamond Head. Na noite anterior tocaram "Stone Cold Crazy" do supergrupo Queen.

Eles terminam a apresentação com dois petardos vindos diretamente do inferno, e lançados no primeiro disco "Kill’Em’All": "Hit The Lights" e a fenomenal "Seek and Destroy".
A banda ainda fica uns quize minutos no palco agradecendo, cada integrante vai ao microfone. Lars joga vários pares de baquetas, e várias palhetas personalizadas são arremessadas àqueles que pagaram até quinhentos reias pra um lugar na área Vip.
Até que foi bacana essa mizanscene toda no fim, mas eu trocaria tudo isso por mais duas músicas. Afinal, o show foi excelente, bem melhor que o último que assisti no campo do Flamengo em 1999, em todos os sentidos: som, produção, luz, efeitos, perfomance...
Mas senti falta de 3 músicas: "Fade to black", "For whom the bell tolls" (tocadas na primeira noite de São Paulo) e "Battery" (executada em Porto Alegre). Os setlists das três noites foram bem diferentes, o que mostra como são uma excelente banda, tocando coisas diferentes a cada noite, e mostrando como é grandiosa a obra do Metallica.

Saí do Morumbi direto pra Rodoviária, encontarndo antes a Vivi, uma amiga que viu o show na Pista Vip. Pegamos o ônibus da uma da manhã pro Rio, e chegamos quase as dez horas.
Em casa cheguei todo quebrado, sujo, fedendo, com meu allstar em petição de miséria, com dor nas costas e sem voz. Mas valeu muito a pena. Serviu pra tirar a bronca que tinha do Metallica pelos fraquíssimos álbuns "Load" e "Reload", pela palhaçada do processo contra o Napster, e pelo show cancelado sem um motivo razoável que iria acontecer no Citibank Hall em 2003.
Longa Vida ao Metallica!!!
HEAVY METAL NEVER DIE!!!!!!



SETLIST (SÁBADO, DIA 30):
Creeping death
For whom the bell tolls
The Four Horsemen
Harvester Of Sorrow
Fade to black
That was just your life
The end of the line
The day that never comes
Sad but true
Broken Beat And Scarred
One
Master of puppets
Blackened
Nothing else matters
Enter Sandman

Stone Cold Crazy (Cover – Queen)
Motorbreath
Seek and destroy



SETLIST (DOMINGO, DIA 31):
Creeping Death
Ride The Lightning
Fuel
Sad But True
The Unforgiven
That Was Just Your Life
The End Of The Line
Welcome Home (Sanitarium)
Cyanide
My Apocalypse
One
Master Of Puppets
Fight Fire With Fire
Nothing Else Matters
Enter Sandman
- - - - - - - -
Helpless
Hit The Lights
Seek and Destroy

*Agredecimentos as belíssimas fotos cedidas por Ju Monteiro, Viviane e Rodrigo Favera.

3 comentários:

  1. Não tenho nem palavras para expressar o que foi este show! Um dos melhores shows da minha vida!! Valeu muito à pena ir até SP, o que não é nenhum esforço para mim, já que adoro essa cidade.
    Realmente este show foi muito melhor do que o show de 99 que também assisti na Gávea quando ainda era adolescente e muito mais louca pelo Metallica!! O Trujilo é foda no baixo, mas ainda sinto falta do Jason, que tem mais a cara da banda!!

    By the way, o ônibus chegou às 8:40h no Rio hehehe

    Beijosss e muito rock and roll!! Adoro seu blog, muito bom! Parabéns

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  2. Meu querido amigo...
    Tenho que admitir também que valeu a pena mesmo ter ido até SP assistir esse show! Até agora, o melhor show da minha vida!
    E olha que valeu a pena mesmo! Chegar ao Morumbi com chuva, e com um ingresso de pista normal na mão não é pra qualquer um!
    Fui m-a-ss-a-c-r-a-daaaaaa! A galera estava normal,no show do Sepultura. Até porque não se ouvia nada! Mas, quando entrou o METALLICA, aí sim esquentou! E a galera espremeu, empurrou e 'bangueou' legal, mesmo podendo fazer poucos movimentos! Mas, não teve jeito, o coração foi a mil, e ainda consegui boas fotos, como algumas que estas que foram publicada no seu blog.
    O próximo agora é KOPRIKLAANI. Estarei novamente em SP, para uma causa maior. Mas, essa sendo o 1º "evento" de metal folk no Brasil!
    Não posso perder!
    Beijooos! \m/

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  3. Oi Vivi e Julina,
    obrigado pelos comentários e pelas belas fotos que ilustraram a minha postagem.
    Beijo pras duas

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