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quinta-feira, 13 de junho de 2013

EU NO FESTIVAL DE JAZZ & BLUES DE RIO DAS OSTRAS 2013 - Primeiro Dia (30 de Maio)

Pelo segundo ano consecutivo fomos para o Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras, que em 2013 se firmou como o melhor do gênero do Brasil. E ainda com o diferencial de que todos os shows são gratuitos.
Perdemos a primeira noite do Festival, que começou na quarta (dia 29 de Maio), às 17h, com show da BYU Synthesis no Palco da Praça José Pereira. Depois às 20h, no palco principal em Costa Azul, se apresentaram a Orquestra Kuarup, e depois muito Blues com o guitarrista brasileiro Lancaster e com o americano John Primer com sua The Real Deal Blues Band.
Saímos do Rio por volta das 7h e apesar do feriadão, não pegamos trânsito nenhum, e chegamos na Pousada das Jaqueiras antes das 10h. O lugar é simples, e foi perfeito para o que precisávamos. Fica pertinho do Iate Clube de Rio das Ostras.
Fomos tirar uma soneca, tomar banho, e fomos à praia para almoçar, quando descobrimos que estávamos a poucos metros da Praça São Pedro, aonde já estava rolando o show do guitarrista Gean Pierre. Na verdade pegamos apenas as três últimas músicas, o suficiente pra perceber que o cara é fera.
Gean Pierre é professor de música na Faculdade de Música do Espírito Santo, e também é formado em Matemática, atualmente é doutorando no Programa de Pós Graduação da USP, estudando as relações entre matemática e música nos sistemas composicionais. Além de estudioso, o rapaz toca com pegada e é ceio de estilo, e lançou seu primeiro disco solo “Imagem” em 2013.
Com o fim do show, fomos comer um peixinho frito e em um dos trailers em frente a praia. Depois de bem alimentados, nos dirigimos para a Lagoa do Iriry, para vermos John Primer & The Real Deal Blues Band, que estava marcado paras as 14h.
John Primer é um dos ícones do Blues de Chicago. Aprendeu a tocar guitarra slide com a lenda Sammy Lawhorn, e  já acompanhou grandes nomes do Blues como Muddy Waters, Junior Wells, Buddy Guy, Lonnie Brooks, e Willie Dixon. Começou uma carreira solo de sucesso na Wolf Records, com composições e um estilo de cantar que mostram a influência dos mestres com quem já tocou.
O show do Primer foi uma verdadeira aula do que é o Chicago Blues Style. Blues puro em sua essência, com a guitarra praticamente sem efeitos e a voz rouca e rascante. Mais Roots impossível.
Sua banda , a The Real Deal Blues Band é formada por Russell Green na gaita, Melvin Smith no baixo e Jason Ferguson na bateria.
A cozinha formada por Smith e Ferguson promovia levadas simples mas cheias de balanço, e davam a dinânica certa que cada canção pedia. A estrela era  Russell Green que om sua gaita diviu os solos com a guitarra de Primer em todas as músicas.
O repertório era repleto de clássicos eternos do Blues como "Hoochie Coochie Man", que arrepiaram o público presente, formado por bluseiros de todas as idades.
Na correria fomos para o palco montado na Praia da Tartaruga, o mais charmoso do Festival, montado sobre as pedras, bem próximo ao mar. Às 17 15h começaria a apresentação daquele que é chamado por muitos como o maior baixista de todos os tempos: Stanley Clarke.
Esse título não é atoa, afinal são mais de 21 álbuns solo, 14 álbuns com a banda Return to Forever, e mais de 100 álbuns acompanhando outros artistas. Foi o primeiro baixista headline, abrindo vários caminhos que nunca tinham sido explorados por músicos que se dedicavamao contra-baixo.
Conseguimos ficar colados no palco, e pude pela segunda vez sentir a emoção de estar frente a frente com esse músico extraordinário. A primeira foi em 1998, no atual Citibank Hall, onde graças ao meu amigo Rafael Hespanhol, assisti ao show na primeira fila.
Dessa vez Clarke foi acompanhado por três jovens e talentosíssimos músicos Mahesh Balasooriya (piano/teclado), Michael Mitchell (bateria) e Kamasi Washington (Sax).
Mahesh Balasooriya além de realizar belos solos de piano, fazia o baixo no teclado em algumas ocasiões em que Stanley pirava nos solos de baixo. Kamasi Washington é um virtuose, e no sax promoveu belos duelos com o baixo de Clarke.
Mas a revelação, a maior surpresa, e o grande destaque foi o baterista Mike Mitchell. Apresentado por Clarke como "o garoto de 18 anos que acabou de se formar no High School (Ensino Médio)...", Mitchell é um monstro, a ponto do próprio Stanley ficar com cara de impressionado ao vê-lo solando. Sim, mesmo o baixista, já acostumado a tocar com grandes bateristas, não conseguiu disfarçar a cara de espanto e admiração a cada vez (e foram inúmeras) que Mike fazia algo genial na bateria.
Stanley Clarke é capaz de tocar os baixos acústico e elétrico com igual virtuosismo e poder de fogo. Avisou que o tempo e o clima não estavam favoráveis para usar o contra-baixo acústico, mas que ele iria tentar fazer o seu melhor. Mas os problemas técnicos fizeram-no desistir. A platéia não se conteve e pediu para que tentasse de novo. E finalmente o roadie conseguiu colocar tudo pra funcionar, e Clarke anunciou "No Mystery", clássico da épica Return to Forever, banda quemisturava Jazz e Rock Progressivo, da qual fez parte nos anos 70, formada ainda pelas feras Chick Corea (teclados), Al Di Meola (guitarra) e Lenny White (bateria).
Depois de debulhar no acústico, fazendo coisas inacreditáveis como dar slaps e fazer levadas de violão flamenco, Clarke volta para o seu famoso baixo elétrico Alembic, e mostra porque é um dos maiores no instrumento.
O fim veio apoteótico com o seu maior sucesso "School Days". E tinha esperança de tirar uma foto, pegar um autógrafo, ou até bater um papo.
Esperei, esperei... E só quem veio falar com os fãs foi o jovem baterista Mike Mitchell, que provou que além de ser um músico extraordinário, é um cara simples, humilde, educado e muito simpático. Gastei meu inglês macarrônico com ele, tirei foto e ganhei autógrafo.
Voltamos pra pousada, pra descansar,  tomar banho e trocar de roupa, e fomos para Costa Azul, aonde fica o palco principal, com shows que começavam as 20h. Nunca tínhamos visto o local tão cheio, e a estrutura montada era infinitamente melhor do que a do ano passado. Ao começar pelo piso de borracha, semelhane aos colocados para proteger os gramados de futebol; perfeito para o Festival, já que sem essa proteção a chuva transformaria tudo num lamaçal, como ocorreu em 2012.
Na entrada principal da "Cidade do Jazz e do Blues", montada mais uma vez no antigo camping, o que chamava logo a atenção eram as réplicas das casas coloridas dos tradicionais bairros de Nova Orleans.
Como nos atrasamos perdemos novamente a BYU Synthesis, mas a tempo pra conhecer um tal de Diego Figueiredo.
Sim, eu nnca tinha ouvido falar nesse guitarrista paulista, que com 32 anos, já lançou 20 CDs, 3 DVDs, se apresentou por duas vezes no Montreux Jazz Festival na Suíça (2005 e 2007). Durane a sua carreira constam apresentações ao lado de Al Di Meola, Yellow Jackts, Hermeto Paschoal, Roberto Menescal, Geraldo Azevedo, Sebastião Tapajós, Toquinho, Moraes Moreira, Zeca Baleiro e Belchior .
Mesmo com um currículo desses, pra mim ele era um ilustre desconhecido.
Diego começou seu show sozinho no palco. Sua apresentação foi baseada na música brasileira e suas diferentes vertentes: Bossa Nova, Choro, Música Nordestina...
O cara é um monstro no violão, um grande virtuose. E a vergonha por desconhecê-lo ia só aumentando.
Então ele convida a entrarem no palco os músicos de sua banda: e Alexandre Pio nos teclados, e  Robertinho Silva  na bateria. Peraí... Robertinho Silva? Um dos maiores ícones da bateria brasileira?
Sim! Ele mesmo...
Me senti um privilegiado por não ter perdido esse show, e além de conhecer o fantástico Diego Figueiredo, pude ter uma aula de bateria com o mestre Robertinho Silva. É verdade, porque ver um músico como ele em ação é sempre um aprendizado.
Outro destaque foi a participação do gaitista Gabriel Grossi que deu ainda mais brilho ao show. Quando acabou, fui correndo na barraquinha de CDs comprar o álbum "Zibididi", gravado pela dupla Diego Figueiredo & Gabriel Grossi.
Enquanto esperava Diego para autografar o CD, me deparo com a figura iluminada de Robertinho Silva, que completaria 72 anos, dois dias depois. Dei os parabéns pelo aniversário, e agradeci por sua obra e sua música. Seu trabalho nos discos e shows com Milton Nascimento sempre foram uma grande inspiração, e o considero o maior baterista do Brasil.
E num bate papo rápido, aumentou ainda mais minha admiração por ele. Simples, bem humorado, simpático e extremamente humilde.
Depois encontrei Diego, que também foi muito simpático.
Voltando aos shows, agora era vez de Léo Gandelman & Charlie Hunter.
Leo é talvez o músico de Jazz mais popular no Brasil, e também conquistou seu espaço no concorrido cenário musical dos Estados Unidos, onde realizou seis temporadas de casa cheia no tradicional Blue Note de Nova Iorque.
Charlie Hunter toca uma guitarra de 8 cordas, um instrumento único, um mix de guitarra e contra-baixo. Assim ao mesmo tempo faz o baixo, o acompanhamento e ainda sola. Charlie realmente chama a atenção  com a sua técnica única e sua concepção original de fazer música.
Leo Gandelman e Charlie Hunter foram acompanhados por grandes músicos. O autodidata Serginho Trombone, músico reconhecido por sua contribuição como instrumentista e arranjador dos maiores artistas da MPB. Frank Colon, percussionista porto riquenho radicado no Brasil, ex integrante da lendária Weather Report (banda de Fusion por onde passaram Jaco Pastorius, Wayne Shorter, Airto Moreira, entre outros), exibindo total domínio nos ritmos latinos, cubanos e brasileiros. E finalmente a máquina de ritmo, Renato Massa, grande baterista, que consegue colocar suinue em tudo que toca.
O show foi bacana, mas o platéia se manteve fria o tempo todo. Provavelmente porque o maioria estava lá pra ver a homenagem a Celso Blues Boy.
Celso Blues Boy morreu em 2012, e o último show que assisti do guitarrista foi justamente no Festival de Rio das Ostras do ano passado.
Celso foi, sem dúvida, o maior e mais popular artista do Blues brasileiro de todos os tempos. O espetáculo de tributo foi criado pelos músicos integrantes da banda que o acompanhou nos últimos anos e conta com a participação de convidados especiais que fizeram parte da vida de Celso.
Com Márcio Saraiva, na bateria e vocais, Marcos Amorim (ao seu lado nos últimos cinco anos na estrada) ,na guitarra, e Roberto Lly na baixo(ex-integrante do Herva Doce, fez parte da Legião Estrangeira, a primeira banda formada por Celso, além de ser o produtor dos últimos CDs do guitarrista), e contando ainda com as participações especiais de Jefferson Gonçalves na gaita (o único gaitista que tocava ao vivo com Celso em sua banda), Big Joe Manfra, convidado constante de Celso em seus shows, com a responsabilidade de executar os solos do mestre;  e, nos vocais, Ivo Pessoa, um timbre de voz perfeito para execução das músicas de Celso Blues Boy.
Big Joe Manfra, depois de perder vários quilos, já não é mais tão "big" assim. Mas no talento na guitarra continua sendo enorme. O som sempre limpo da sua Fender em seus solos cheios de feelings, com certeza deixariam Celso cheio de orglho.
Ivo Pessoa, que ganhou fama participando do programa "Fama", é um excelente cantor, com a voz perfeita para o Blues e o Rock, e ainda demonstra grande presença de palco.
Marcos Amorim mostra que também é um excelente guitarrista, e não se acovarda com a presença ilustre de Manfra. Na metade final da apresentação, outro guitarrista é convidado: Saulo Simonassi, outro fera das seis cordas.
Assim como Manfra, Jefferson Gonçalves também trabalhou na produção do Festiva. E essa apresentação é a oportunidade de vê-lo brilhar também nos palcos, pois é um dos maiores gaitistas do país.
O setlist repleto de clássicos como "Brilho da Noite", "Marginal", "Onze Horas da Manha", "Damas da Noite", "Sempre Brilhará" e "Fumando na Escuridão". Algumas músicas que não faziam parte do repertório das últimas apresentações de Celso também foram executadas, como as ótimas "Blues Motel" e "Mississipi"; essa última gravada ao lado do mestre B.B. King.
Celso Blues Boy também fez suaparticipação virtual cantando "Um monte de cerveja", e executando no telão o "Hino Brasileiro" que foi emendado com "Aumenta Que Isso Aí É Rock and Roll".
No Bis, os músicos repetiram "Sempre Brilhará". E com certeza, a estrela de Celso Blues Boy nunc se apagará.

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