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quarta-feira, 22 de abril de 2009

8 de Abril de 2009 - SHOW DO KISS APOTEÓTICO



Em 1983, eu cursava o primeiro ano do primário, e meus colegas da escola estavam impressionados com uma banda que iria se apresentar no Maracanã naquele ano; se tratava do Kiss, e os moleques diziam que era a banda com o som mais pesado que eles conheciam, e além disso todos os integrantes usavam máscaras e eram adoradores do diabo.
Naquela época eu já conhecia bandas como Black Sabbath e AC/DC, portanto eu achava o som do Kiss bem pop. O que me chamava a atenção era o visual, isso era impressionante.
Pelo som não ser agressivo como os das bandas de heavy metal e hard rock que eu conhecia, comecei a achar que esse lance de satanismo era meio sem fundamento. Depois de descobrir com meu pai que o nome da banda significava “beijo” e que boa parte dos títulos das músicas tinha a palavra “love”, tive certeza que eles nunca tiveram nenhuma ligação com o Demo....rsss
Com o passar dos anos comecei a conhecer e escutar mais o Kiss, e apesar de ter alguns de seus discos e DVDs na minha coleção nunca fui um fã da banda.
Por esse motivo, somado com preço alto do ingresso e a decepção com o show do Iron Maiden, tinha decidido não ir no show. Só que as 45 minutos do segundo tempo, mudei de idéia e fui pra Apoteose.

Na verdade o público era pequeno, as arquibancadas não foram ocupadas, mas quem estava lá era realmente fã do grupo, ou no mínimo apreciador do bom e velho Rock’n’Roll; ou seja, ninguém estava por lá por modismo. Grande parte dos espectadores a caráter, ou com camisa do Kiss ou com os rostos pintados como seus ídolos.
Muitos foram pegos de surpresa, quando as 20h10, a banda Libra subiu ao palco para abertura, logo ao fim da primeira música, Libra que também é o nome do vocalista, líder e dono da banda, explicou que eles haviam sido convidados no meio dia daquela quarta feira. Com o som baixo e abafado, e com o vocalista reclamando disso a todo momento, sob uma boa dose de vaias e alguns aplausos espaçados, os cariocas apresentaram por 30 minutos um pouco do seu Rock Gótico cantado em português.
Daí entrou em ação o DJ mandando muito bem com o melhor do Rock das antigas, até que é erguido cobrindo a frente de todo palco um imenso bandeirão com o logo do Kiss. De repente o áudio sobe e começa a tocar “Won't get fooled again” do The Who; ao fim da música ouviu-se o tradicional: “All right, Rio, you wanted the best... you got it! The hottest band in the world: KISS”. Então, a bandeira caiu e o riff poderoso de “Deuce” se fez ouvir por toda a Apoteose.
O set seguiria, quase na íntegra a ordem das faixas do “Alive!”, primeiro disco ao vivo da banda, um clássico de 1975 – com exceção de ‘Firehouse’ e ‘Rock Bottom’. Os membros originais Gene Simmons (vocal e baixo), Paul Stanley (vocal e guitarra) ao lado de Eric Singer (bateria e vocal) e Tommy Thayer (guitarra e backing vocal), começavam a apresentar um grandioso show de Rock.
A segunda foi ‘Strutter’, do primeiro disco da banda,aonde aconteceu a primeira interação com a platéia, Paul Stanley a “dividiu” no meio, para fazer a clássica competição de qual lado cantava mais alto.
‘Got To Choose’ manteve o astral do show. Até que no fim de ‘Hotter Than Hell’ Gene Simmons empunhou uma espada em chamas e a usou para cuspir fogo, todos sabem que ele faz isso, mas tenho que admitir que é maneríssimo presenciar essa cena de circo num show de rock.
Então veio uma das minhas faixas favoritas do Kiss: “Nothin’ to Loose”, cantada muito bem pelo baterista Eric Singer.
O show continou com “C’mon and Love” e “Parasite”, esta última uma das mais pesadas da carreira da banda, que me pareceu ainda ter mais peso ao vivo. Nesse momento começou a chover muito forte. A chuva se intensificou muito durante “She”. Depois da canção, Tommy Thayer fez um solo a la Frehley, com direito a guitarra atirando fogos de artifício.

Em ‘100,000 Years’ Eric Singer executa seu versátil solo de bateria, dosando elementos simples, com pedais duplos acelerados e frases velozes em todo seu kit. Durante o solo uma plataforma elevou a bateria a uma altura impressionante, parecendo ser impulsionado por foguetes.
Com a chuva mais amena, a platéia fez a festa com “Cold Gin”. Em seguida, Paul Stanley saudou o público e foi instigado pela platéia a fazer a tradicional mímica como se estivesse sendo beijado, de costas para a galera. Meninas excitadas pelo frontman começaram a atirar sutiãs ao palco. Paul recolheu todas as peças e, com elas presas na guitarra, tocou “Let Me Go, Rock ‘n’ Roll”.
Depois da farra, Paul se dirigiu a frente do palco para tocar a introdução de ‘Stairway To Heaven’, um dos maiores hinos do Led Zeppelin. Com alguns aplaudindo e outros gritando “Kiss”, o frontman começou a dedilhar a introdução de ‘Black Diamond’. Pouco antes de começar o verso inicial, Paul parou de tocar e avisou que a guitarra estava com problemas, sendo prontamente substituída por outra, entregue pelo roadie. O público adorou a mistura de “preocupação pelo o melhor som possível” com o prolongamento da introdução.
O clímax foi mesmo em ‘Rock N’ Roll All Nite’ e sua impressionante chuva de papel picado juntamente com os fogos e explosões.
Após seu maior clássico, deixam o palco, voltando poucos minutos depois com Paul Stanley empunhando a bandeira do Brasil. O público recepcionou o Kiss cantarolando o refrão de “I Love It Loud”. A banda agradece, mas antes toca “Shout It Out Loud”, para o delírio da platéia.
Logo depois, veio “Lick It Up”, num arranjo mais longo que contou com um entreato inspirado em “Won’t Get Fooled Again” do The Who (mesma música antes da abertura). Em “I Love It Loud” Gene Simmons trouxe ao palco o seu tradicional baixo-machado para tocar esta canção. Com o seu “machado” fez seu solo, que de virtuoso não tem nada. Ao final da “barulheira”, o tradicional banho de sangue cuspido por Simmons levou os fãs a loucura.
A dançante ‘I Was Made For Lovin’ You’, também recheada de pirotecnia, fez todos ainda cantarem e pularem. Paul Stanley introduziu ‘Detroit Rock City’ dizendo que o Rio pode ser chamado de “Rio Rock City”, o que o fez ser ovacionado. Todos os integrantes subiram no palanque da bateria, que se elevou a uma altura imensa, com direito a duas labaredas giratórias de fogo.
E tudo acabou numa cascata de fogos em volta do sambódromo, ao som de "God gave rockn´roll to you".
Senti falta das baladas como “Forever” e “Beth”, mas talvez a inclusão de músicas lentas quebraria o pique do show.
É verdade que o tempo é implacável, que Simmons e Stanley já são quase sessentões. Deu pra notar a dificuldade de Paul em alcançar as notas mais altas. Mas e daí?
Os dois são músicos apaixonados e homens de negócios, que fazem valer o preço do ingresso. Afinal o levaria esses velhinhos milionários a correr o mundo maquiados, tocando as mesmas músicas de há quase 40 anos? O amor pelo rock´n´roll. Eles sabem que são adorados mundialmente, de uma forma que o dinheiro não pode comprar.
Você pode achar que o Kiss é o “Rei do Clichê”, mas não pode se esquecer que eles são os inventores desses clichês: a maquiagem, as poses, os truques, os malabarismos, explosões e demais efeitos especiais formam a cartilha desse tipo de circo.
Não se sabe se foi por causa da chuva, que prejudicou até os telões em alguns momentos, que Gene Simmons não fez o seu número de vôo durante sua parte solo, quando cospe sangue com ar demoníaco; bem como Paul Stanley também não deslizou na tirolesa em “Love Gun”, sendo que essa música nem foi tocado no Rio.
Mas apesar desses problemas, o Kiss fez um show excelente, de muito profissionalismo, e com um som perfeito e irretocável. Ao ponto de ao encontrar meu amigo Maurício dividimos a mesma opinião:
“Parece heresia, mas o show do Kiss foi muito melhor do que o do Iron Maiden...’



Set list

• Deuce
• Strutter
• Got To Choose
• Hotter Than Hell
• Nothin' To Loose
• C'Mon And Love Me
• Parasite
• She
• Tommy Thayer (Solo)
• Watchin' You
• 100,000 Years
• Eric Singer (Solo)
• Cold Gin
• Let Me Go Rock N’ Roll
• Black Diamond
• Rock N’ Roll All Nite

-BIS-
• Shout It Out Loud
• Lick It Up
• I Love It Loud
• I Was Made For Lovin' You
• Detroit Rock City

Um comentário:

  1. Será que dessa vez vai?? rs.
    Aquela banda Libra... Nem preciso dizer que achei uma bela merda, né?
    Vc sabe bem que eu não sou fã de Kiss e o que eu conheço de música deles se limita a 3, uma delas não foi tocada, pra minha desilusão =/
    Bom, falando como roqueira de Radio Cidade, achei o show foda! Por mais que achem cafona toda aquela produção, os fogos, as luzes e o caramba a 4, honestamente, foi novidade. Tendo em vista que em 1983 quando eles vieram aqui, como diz minha amiga Lu, eu nem estava no saco do meu pai ainda, então, nunca tinha visto nada daquilo na vida! Portanto, foi IMPRESSIONANTE! Agora posso morrer tranquila (piada interna =D)

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