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domingo, 24 de janeiro de 2010

22 de Janeiro de 2010 - ANA CAROLINA no Citibank Hall

Caetano Veloso na letra de "Sampa" usa o termo "Deselegância discreta" para qualificar as garotas paulistanas. Parafraseando o Poeta Baiano, vou usar "Elegância exagerada" para descrever a cantora e compositora Ana Carolina.
Ela é um dos expoentes da elite da MPB; já compôs pra Maria Bethânia, já fez dueto com Gilberto Gil e Luiz Melodia, e parcerias com Seu Jorge. Mas suas músicas com o tom ultra romântico, temas repetitivos, com belas melodias, muito parecida uma com as outras, ficam no tênue limiar entre o brega e o requintado.
Ela canta realmente muito bem, com alcance de voz invejável, mas suas interpratações exageradas, muitas vezes tiram a singeleza e beleza do canto, por forçar de mais em ocasiões desnecessárias.
Seus terninhos muito bem cortados, acabam se tornando uniformes de trabalho; e não existe nada mais cafona do que uniforme pra show - salvo com os Beatles em início de carreira.
O novo show de Ana Carolina é uma verdadeira superprodução, com efeitos especiais, guindaste, projeções gigantes, luz de primeira, e banda de taribados músicos como o filho de Pepeu Gomes, Pedro Baby na guitarra e do baterista Marcelo Costa (que já tocou com grandes nomes como Lulu Santos, Caetano e Gil).
Tudo isso junto acaba dando um resultado cheio de excessos. É muita informação junta, que acaba deixando a perfomance de Ana em segundo plano.
O show começa com um pano cobrindo todo o palco, aonde imagens de nuvens são projetadas; no alto da tela, aperece Ana cantando e tocando violão, erguida por um mecanismo semelhante a um pequeno guindaste, como se ela flutuasse no céu, dando um efeito muito bonito e interessante, abrindo o espetáculo com "Que Se Danem os Nós".
Projeções de vídeos e fotos no fundo do palco e nas laterais, sempre dando um efeito como se o show estivesse dentro de um filme, com luzes e cenários de primeira.
Ana Carolina desliza pelo palco sentada num banquinho, é novamente elevada e sustentada nas alturas, canta sob uma chuva artificial, e declama poesias de Wally Salomão, Cecília Meireles, entre outros, além de textos de autoria própria.
Achei o repertório pouco amarrado, começa meio arrastado, com algumas canções não muito conhecidas e pouco animadas, e meio q do nada surge o meha-hit "Entre Olhares", com direito a dueto virtual com John Legend. Depois volta de novo a ficar desanimado, ao menos para mim....
É claro que tinham músicas boas, como a belíssima "Traição", aonde ela toca piano, com direito a inspiradíssimo solo de violoncelo. E sem dúvida, a banda sempre executava bons arranjos, e localizava-se no canto direito do palco, numa espécie de arquibancada, onde no primeiro degrau ficavam guitarra e baixo, no segundo violoncelo, teclado e sopro, e no último bateria e percussão.
Houve espaço pra covers: o samba "Não quero Saber Mais Dela" (sucesso na voz de Arlindo Cruz e Beth Carvalho); "Essa Mulher" de Arnaldo Antunes, com os versos "ela goza com o sabonete/ não precisa de você/ ela goza com a mão/ não precisa do seu pau", que estusiasmou a platéia; e "Odeio" de Caetano, em que Ana Carolina a apresentou como "a música que gostaria de ter composto".
Em "Rosas", chama o público pra vir pra frente, e depois imenda o sucesso "Elevador", que pra mim é uma de suas piores composições, algo no nível do repertório de cantoras de Axé Music. Mas todo mundo vibra e dança feliz.
Ela volta para o Bis com a já clássica "Garganta", seu primeiro sucesso e provavelmente o mais conhecido e marcante.
Com todos esses comentários,fica parecendo que não gosto da Ana Carolina e muito menos de seu show. Mas não é bem assim, tenho todos os seus discos, e gosto sobretudo do primeiro. É verdade que não sou fã, mas admiro seu talento, e sua facilidade de passar emoção e de cativar as pesssoas.
É muito impressionante o fascínio que ela exerce nas mulheres, sejam elas hetero, bi ou homossexuais; é de causar inveja em galãs da música como Fabio Junior.

Setlist:
1- Que Se Danem os Nós
2- 10 Minutos
3- Hoje Eu To sozinha
4- Encostar Na Tua
5- Eu Não Sou Assim
6- Cartas com o Olhar
7- Dois Bicudos
8- Oito Estórias
9- Entre Olhares
10- Tolerância
11- Traição
12- Mais Que a Mim
13- Corredores
14- Dentro
15- Pout Pourri: - Avesso dos Ponteiros / Aqui /
A Canção Tocou na Hora Errada / É Isso Aí
16- Não quero Saber Mais Dela
17- Ta Rindo, É?
18- Ela é Bamba
19- Essa Mulher
20- Bom Dia
21- Odeio
22- O Cristo de Madeira
23- Rosas
24- Elevador
25- Garganta (Bis)

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