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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O TRADICIONAL TRATAMENTO QUE AS BANDAS BRASILEIRAS RECEBEM NOS GRANDES FESTIVAIS

Desde do primeiro Rock In Rio em 1985, as atrações nacionais são colocadas em segundo plano, e nossos artistas são frequentemente desrespeitados. Na segunda edição do mesmo Festival, nomes de peso como Barão Vermelho e Gilberto Gil desistiram de se apresentar em cima da hora, porque não poderiam "passar o som". No mesmo evento os Titãs fizeram a passagem enquanto o público entrava no Maracanã; e durante a apresentação da banda paulista, o baterista Mike Bordin, do então pouquíssimo conhecido Faith No More, entrou no palco no meio do show pra fazer seu aquecimento na bateria montada atrás da aparelhagem dos Titãs.
No Rock In Rio de 2001, puxados pelo O Rappa, Raimundos, Charlie Brown Jr, Skank, Jota Quest e Cidade Negra boicotaram o evento, por acharem que o tratamento dedicado aos brasileiros não era o mesmo dado aos internacionais.
Normalmente os brazucas tocam só por 45 minutos, à luz do dia, não utilizando a mesma aparelhagem de som, e como não tocam de noite, também não usam a iluminação e efeitos visuais que valorizam muito os shows. O irônico que muita das vezes, as bandas locais têm muito mais sucessos do que as gringas, que são tratadas com todas as pompas, independente se são estrelas de renome ou não. Os gringos têm todas as suas exigências atendidas, mesmo as mais absurdas e bizarras.
Até existem algumas exceções, como o Hollywood Rock de 1992, onde Titãs e Paralamas do Sucesso encerraram uma das noites. Nada mais justo, pois cada um dos grupos tinha mais que o dobro de sucessos do que todas as outras atrações somadas. Mas esse critério normalmente não é usado como regra. Veja por exemplo o penúltimo dia do Rock in Rio desse ano. Frejat e Skank com centenas de hits tocaram antes de Maná e Maroon 5, que juntos não somam 8 sucessos no Brasil.
Já falei sobre a confusão envolvendo o Ultraje à Rigor e Peter Gabriel. Guardadas as devidas proporções, ambos são grandes nomes do Rock. O grupo liderado por Roger é genial, e é uma das maiores referências do Rock nacional. Gabriel é um gênio, um dos maiores vocalistas da história, conseguindo sucesso comercial e artístico tanto no Genesis como em sua carreira solo. Portanto tanto Ultraje e Peter Gabriel merecem respeito. E foi justamente o que faltou no incidente, onde a soberba e a marra da equipe de Peter Gabriel que se achava no direito de determinar o tempo de duração das apresentações das outras bandas. Leia detalhes da confusão Aqui
Como já havia dto, duvidava que a postura petulante e desrespeitosa da equipe pudesse ser atribuída ao artista Peter Gabriel, que é reconhecido mundialmente como um sujeito educado, e que luta contra as desigualdades e injustiças pelo mundo. A culpa foi da produção do SWU que deu poderes e autoridade para as equipes dos Headliners de cada dia de evento agirem como querem.
A confirmação veio rápido, com Gabriel colocando uma nota em seu site oficial lamentando os acontecimentos.Ele ainda fez questão de ligar pessoalmente parra pedir desculpas ao Roger, que confirmou a ligação via twiter. Na sua nota, PeterGabriel disse: "Creio que soubemos pela produção do festival que o Ultraje a Rigor estava tocando além do combinado e que havia ainda mais dois artistas a se apresentarem no nosso palco. Foi por isso, creio, que meu diretor de produção, que também lutou contra os danos da água ao equipamento, ficou muito frustrado. De qualquer maneira, ele não devia ter interrompido a performance deles. Creio com firmeza que todos os artistas devem ser tratados com igualdade e respeito e sinto imensamente que tenhamos deixado de fazê-lo na noite passada."A nova polêmica agora é com o Lollapalooza, que acontecerá no Jockey Club, em São Paulo, nos dias 7 e 8 de abril de 2012. O festival é tradicionalmente calcado em bandas alternativas, e tem um direcionamento que foge dos padrões comerciais.
As atrações principais serão Foo Fighters, Arctic Monkeys e Jane's Addiction, banda de Perry Farrell, fundador do Festival. Confesso que dos gringos, só conheço os 3 citados, e Joan Jett & The Blackhearts. Mas entre os nacionais tem muita gente boa, que raramente participam desse tipo de evento: Plebe Rude, Velhas Virgens, Marcelo Nova, Wander Wildner, e Pavilhão 9. O mais famoso é o Rappa, mas definitivamente não sou chegado aquele lance de "O lá, O lá" e "E, e ee!!!".
E foi justamente sobre a participação dos brasileiros que surgiu a confusão. Lobão foi convidado a participar. Ele aceitou e chegou a ser anunciado. Mais tarde, o grande Lobo lançou declarações na Rede dizendo que estava fora do Lollapalooza, e pedia apoio dos artistas nacionais para fazerem o mesmo, e boicotarem o Festival. Veja o video, com Lobão falando da sua decisão:

Segundo Lobão, os brasileiros estariam na programação do evento escalados pra tocarem somente entre as 10 da manhã às 15 da tarde. Um horário absurdo e desrespeitoso, sem dúvida. Como existe uma lei, que determina que eventos desse tipo, incluam obrigatoriamente artistas nacionais, se todos boicotassem, o Festival ficaria inviável.
O estranho de tudo, que depois da coletiva com o anúncio oficial de todas as atrações do Lollapalooza, e os brasileiros não ficarão mais limitados a tocar entre dez da manhã e três da tarde. Os organizadores do evento, incluindo o Perry Farrel, deixaram claro que vão alternar brasileiros com os estrangeiros. O Rappa, por exemplo vai tocar antes do Foo Fighters.
Com isso tudo, o Lobão paga uma de maluco. Fama ele já tem...
Mas só quem é muito ingênuo não percebe que tudo foi modificado pra não causar má impressão para o primeiro Lollapalooza no Brasil, já que nosso país é a atualmente uma das "meninas dos olhos" dos produtores de shows no mundo.
Além disso, Lobão sempre foi polêmico, mas sempre teve fortes argumentos. Ele alega que a produção do festival tinha alterado tudo por causa de sua denúncia, isso num período de 24 horas. Os empresários de algumas bandas escaladas negam que foi citado o horário alegado por Lobão. Mas é claro que os nomes que estarão no festival jamais confirmariam a denúncia de Lobão.
Tomara que a atitude de Lobão seja a semente de uma mudança na postura dos produtores.

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