Total de visualizações de página

sábado, 12 de maio de 2012

10 de Maio de 2012 - ARTHUR MAIA NO TEATRO RIVAL

Arthur Maia não é um simples baixista. Trata-se de um dos maiores músicos do mundo. Versátil, ele é capaz de tocar qualquer estilo. E sua carreira prova isso. Já acompanhou vários dos mais aclamados artistas: Djavan, Ivan Lins, George Benson, Lulu Santos, Jorge Benjor, Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Gal Costa, Marisa Monte, Martnália, Seu Jorge, Beto Guedes, João Bosco, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Martinho da Vila, Roberto Carlos. Aos 22 anos de idade, foi um dos fundadores do Cama de Gato, a mais importante banda instrumental do Brasil. Em 1987 montou o Egotrip, grupo de Pop Rock, com letras e arranjos trabalhados, lançou um único disco; com carreira meteórica, pois se separaram após a morte do baterista Pedro Gil (filho de Gilberto Gil), em um acidente de carro em 1990.
Paralelamente a tudo isso Arthur já lançou cinco CDs solos, a maioria de forma independente. O mais recente é "O Tempo e a Música", lançado no ano passado pela Biscoito Fino. É o seu disco mais brasileiro. E esse foi o clima do show, uma verdadeira viagem musical pela nossa diversidade cultural.


Luis Otavio Paixão (teclados), Rafael (trombone), Bruno Santos (trompete) e Felipe Martins (saxofone)

Além disso a noite foi uma reunião no palco de grandes músicos e amigos, que são acima de tudo, admiradores do talento de Arthur Maia. Quem estava na platéia também compartilhava esta admiração, e pode "babar" e se emocionar com o belíssimo arranjo no baixo fretless para "Abismo de Rosas", de Dilermando Reis; que foi dedicada ao pai de Arthur.

O guitarrista Felipe

A sequência "Hey Jude" (Lennon/McCartney) e "Ju" (composição de Maia), foi dedicada a filha Juliana que assistia na primeira fila. Arthur explicou o significado da dobradinha. É que sua filhota quando era pequena achava que a música dos Beatles foi feita pra ela; para evitar possíveis traumas, ele fez uma canção em sua homenagem.

Cassio Duarte na percussão e Felipe Martins na bateria
Depois foi a vez da quebradeira geral com "Arthur e o Gigante", composição ao mesmo tempo complexa e bela, escrita para o baixista por William Magalhães, que estava na platéia e foi saudado pelo músico. Foi interessante ver boa parte do público cantarolando o intrincado tema da canção.
Arthur Maia contou que sua mãe (que também estava presente) sempre reclamou que seus shows são legais, mas muito cheios de improvisos instrumentais. Para agradar a mamãe, ele cantou "Alívio", sua parceria com Djavan, presente no disco do alagoano, "Coisa de Acender" (de 1992).
Com a participação de Sérgio Chiavazzoli no bandolim, continuou no microfone, cantando "Já Queira", lembrando seu tio-avô Jota Castanha, compositor de alguns clássicos da MPB como "Lábios que Beijei".
Fiquei alucinado com a versão funkeada e cheia de slaps do chorinho "Brejereiro". Como o próprio Arthur comentou, é quase inacreditável o fato de uma música tão moderna como esta já tem 107 anos. Coisas de gênios como Ernesto Nazareth.

 Sérgio Chiavazzoli (bandolim e guitarra) com Arthur, e abaixo o guitarrista Fernando Caneca
A próxima convidada foi a bela cantora Aline Calixto que esbanjou charme e afinação em "Je Sui la Marie" e "Minha Palhoça", ambas presentes nas trilhas sonoras de novelas globais. Arthur Maia é o produtor do disco de estréia de Aline, e desse trabalho nasceu uma parceria musical e uma grande amizade.
A cantora Aline Calixto
 
O grande convidado da noite não poderia ser outro: o mestre Gilberto Gil, que entrou discreto e sereno com seu violão pra tocar a instrumental "Um Abraço no João", composição de Gil em homenagem a João Gilberto.
Com Gil na guitarra levaram o super clássico "Palco", com direito a super solo de baixo. O baiano estava super descontraído e humilhou na simplicidade, com seus solinhos que foram reverenciados por todos os músicos da banda, que dobravam as notas que ele tocava. Saiu do palco ovacionado, como não poderia ser diferente.
Gilberto Gil

Enquanto Gilberto Gil tocava, houve troca entre os músicos: entraram o tecladista Claudio Andrade e o mestre Jorginho Gomes na bateria (nas fotos abaixo), que tocou a primeira vez com Gil aos 14 anos de idade, antes de entrar para os Novos Baianos com seu irmão Pepeu Gomes.
 
Arthur Maia é um virtuose que não abusa da técnica pra vomitar cem mil notas por segundo. Sua onda é outra. Ele se liga mais nas melodias e no balanço. Seus improvisos agradam o ouvido, não é aquele tipo de solo "olha como eu sou fodão".
De surpresa e sem ensaio, Maia chamou ao palco o tecladista William Magalhães, o herdeiro da fenomenal Banda Black Rio. E sua canja foi justamente o maior sucesso do grupo, a sensacional "Maria Fumaça", tocada no improviso, e mesmo assim foi um dos pontos altos do show.
William Magalhães, herdeiro da Banda Black Rio

Comprovando o que escrevi no começo da resenha, Arthur passeia e toca com competência uma infinidade de estilos. Sendo assim fez todo mundo balançar com "Frevo" e "Salsa", com espãço pra todos solarem e brilharem.
No fim, Maia vai ao microfone: "Existe uma lei que proibe que menores de idade subam no palco sem autorização do Juizado. Sendo assim, Michael, fica aí, que vou levar meu baixo até aí.". E levou o instrumento para o garoto franzino e baixinho de 16 anos, que cheio de atitude pediu o microfone e discursou agradecendo a oportunidade, e contando que desde pequeno sonhava em conhecer o Arthur Maia, e que chegou a escrever carta pro "Sonho Maluco" do Programa do Gugu. Ele disse que está muito feliz e honrado em tê-lo agora como amigo e mestre.
O menino era Michael Lima e Silva, o Pipoquinha, que brilhou no Faustão como o prodígio do contra-baixo aos 13 anos de idade. O moleque é um verdadeiro fenômeno. A mãos e os dedos são pequenos, mas seu talento, técnica, pegada e virtuosismo são gigantescos.
O jovem baixista Michael Lima e Silva, o Pipoquinha
Enquanto Pipoquinha mandava no baixo, Arthur foi pra bateria e mandou bem. Depois chamou Felipe Martins de volta e ficou comandando a festa como um maestro, de vez em quando solfejava alguns solos no microfone e tocava um baixo imaginário.
Além de ser um músico extraordinário, Arthur Maia esbanja simpatia, faz graça, conta piada, um verdadeiro show man. Prova que é muito bem quisto, e sabe retribuir o afeto promovendo a todo instante seus colegas e amigos músicos.
Apesar da baixa estatura é um grande homem, e sua música é maior ainda.
Arthur Maia mandando bem também na bateria.

SETLIST:
Amazonas
Abismo de Rosas
Hey Jude
Ju
Arthur e o Gigante
Alívio
Já Queira
Brejeiro
Je Sui la Marie
Minha Palhoça
Macabu
Um Abraço no João
A João Opaxorô
Palco
Maria Fumaça
Frevo
Salsa
De Ombro

Nenhum comentário:

Postar um comentário