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quarta-feira, 13 de junho de 2012

EU NO FESTIVAL DE JAZZ E BLUES DE RIO DAS OSTRAS 2012 - Quarto Dia

Pra mim, antes do Festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras, Michael Hill não passava de um ilustre desconhecido. Então fui para o Palco da Lagoa do Iriry apenas sabendo que iria assistir a um show de Blues. No final saí de lá como uma das testemunhas de um dos melhores shows do Festival.
Michael Hill é o típico boa praça. Bem humorado e carismático, esbanjou simpatia durante todo tempo. Michael mostrou o que o "New York Style blues" tem de melhor. Um Blues que está longe do purismo, pois agrega influências da Soul e do Rhythm & Blues, se tornando dessa forma muito mais dançante. No caso de Hill a mistura é ainda mais explosiva, porque cabe tudo em seu caldeirão: Rock and Roll, Rockabilly, Hard Rock, Reggae e Pop. Prova disso é o Medley que ele e sua banda executaram pra encerrar a apresentação antes do Bis, que começou com "Dazed and Confused" do Led Zeppelin, e ainda teve Chuck Berry, Bo Diddley, Bob Marley e encerrou com Jimi Hendrix.
Hendrix realmente é uma de suas maiores influências. Michael Hill não demosntra muita habilidade, mas sua pegada é animal, e quando usa a distorção o seu som é sujo, com solos capazes de provocar arrepios. Ele também arrepia no slide, garantindo lugar de destaque no cenário do Blues atual.
Seu canto é forte e marcante, com a típica "voz de negão americano". Com tudo isso, ele conseguiu fazer o show mais incendiário e com a maior resposta da platéia de todo Festival. E provavelmente foi o melhor público que o Palco da Lagoa do Iriry recebeu em 2012.
Formada por Peter Cummings (baixo e vocais) Bill Mc Clellan (bateria e vocais) David Barnes (gaita), sua banda The Blues Mob demosntrou competência, e assim como Hill, mostrou domínio em todos os estilos musicais.
A tarde ainda teve participações especiais como a do grande gaitista Jeferson Gonçalves, que também participou da produção do evento.
Enquanto o show ia rolando, ia pensando: "PQP! Como é que eu nunca tinha ouvido falar nesse cara?".
Acho que a Mell também compartilhou desses mesmos pensamentos, porque ela estava bastante empolgada, e repetia várias vezes: "Este foi o melhor show do Festival!". Comprove a cara de felicidade dela com Michael Hill. Saímos de lá com CD autografado, e com a informação que a apresentação de Armand Sabal–Lecco que rolaria 17h na Praia da Tartaruga foi transferida para o Palco da Costa Azul como última atração da noite.
Com isso, tínhamos mais tempo pra comer e descançar, antes de encarar mais Jazz, Blues, lama e chuva. Olha como já estava a bota da Mell, depois do show do Michael Hill.
Chegamos bem cedo no Costa Azul, porque queria pegar um lugar legal pra ver o Cama de Gato, que abriria a noite. Mas para minha surpresa, quem estava no palco era o pianista Fabiano de Castro que teve sua apresentação transferida do Palco da Praça São Pedro para lá. Sorte minha e de quem estava presente, pois Fabiano acompanhado por um baterista e um baixista ofereceu música instrumental nota mil. Servindo como uma ótima e perfeita entrada para o próximo requintado e saboroso prato, que viria a seguir.
O Cama de Gato é a mior banda de música instrumental do Brasil, não só pela qualidade dos músicos, mas também pela importância histórica e pela tradição. Com seis CDs na bagagem, o grupo vendeu 75 mil cópias do seu disco de estréia em 1985, um verdadeiro feito. Atualmente a banda conta em sua formação com os fundadores Pascoal Meirelles (bateria) e Mauro Senise (sax e flauta), além de Jota Moraes (teclados), Mingo Araújo (percussão), e com André Neiva (baixo), que substituiu Arthur Maia.
A marca registrada da banda é exaltar os ritmos brasileiros, do chorinho ao samba, passando pelo maracatu, frevo, baião, e outras inúmeras manifestações da nossa cultura. Ao mesmo tempo, eles tocam aapenas material composto por seus integrantes, numa corajosa e rara atitude, como explica Pascoal Meireles: “Não é uma atitude exclusivista. É que gostamos de tocar nossas músicas. Não tocamos material alienígena."
Cada integrante tem espaço para brilhar em seus solos. São todos grandes mestres, cada um em seu instrumento, e é sempre um grande prazer assistí-los. É pena ser cada vez mais rara a oprtunidade de vê-los juntos em ação. Mais um golaço de placa da organização do Festival.
Billy Cobhan sempre foi um dos meus bateristas preferidos, com grande parcela de culpa pelo seu trabalho a frente da Mahavishnu Orchestra, um dos precurssores do Fusion e do Jazz Rock nos anos 70. E essa foi a primeira vez que pudeconferir ao vivo sua perfomance.
Cobhan é um baterista de estilo incomum. Pra começar ele toca com o contra-tempo e a caixa posicionados no lado esquerdo, mas toca com as mãos trocadas como se fosse canhoto, ou seja, bate com a esquerda no prato e com a direita na caixa. Seu kit também é todo diferenciado; são 4 quatro pratos (com a condução posicionada na esquerda), dois bumbos (colocados na direita) e 4 ton-tons. Suas viradas são em sua maioria da esquerda para a direita. O usual é os tons fiquem posicionados do menor para o maior, partindo da esquerda. Mas no seu caso ele faz o contrário. Veja a foto acima, pra enteder melhor.
Talvez isso explique em parte, seu estilo tão diferenciado e inovador.
Entre os excelentes músicos, se destacava Junior Gill que além de percussionista, tocava steel pans, instrumento musical com o formato de uma bacia, originário de Trinidad e Tobago. O som do steel pans ganhava destaque nos arranjos de praticamente todas as canções.
Como no domingo também assisti a sua apresentação no Palco da Lagoa Iriry, vou deixar pra comentar mais detalhes do show na próxima postagem.

Outra lenda selecionada para o Festival é o saxofonista David Samborn. Ele é um dos responsáveis pela união do Jazz tradicional com a música Pop, o que permitiu que o novos ouvintes conhecessem a música instrumental e se interessassem pelo Jazz tradicional. Samborn sempre se interessou em romper barreiras e de tocar ao lado de artistas dos mais variados estilos como Stevie Wonder, Rolling Stones, David Bowie, Gil Evans, Paul Simon, James Taylor, Albert King e Eric Clapton, entre outros.
Samborn em seus últimos CDs tem se voltado mais para o Jazz tradicional, mas seu nome estará sempre ligado aos solos de sax inspirados acompanhados por uma batida dançante ou por doces melodias pop. E é  essa fase que o saxofonista privilegia nessa turnê, batizada como "Dream Tour". O nome é justamente tirado da faixa "The Dream", clássico do sax romântico, e um dos maiores sucessos de sua carreira, que ele lançou no disco "A Change of Heart", que completa 25 anos.
Na mesma semana, o saxofonista se apresentou na quarta no Rio de Janeiro, na nova casa de show Miranda, a preços salgadíssimos. Portanto quem estava ali em Rio das Ostras tinha o privilégio de apreciar um mestre em ação a custo zero.
Acompanhado por um grupo de cobras, a quem Sanborn chama de sua "banda funk": Ricky Peterson (teclados), Richard Patterson (baixo), Gene Lake (bateria) e Nicky Moroch (guitarra). São músicos com os quais eu não vem tocando ultimamente, mas que durante anos os acompanhou em seus maiores sucessos.
O repertório se concentrou nos trabalhos gravados entre os anos 1970 e 1990. Além de "The Dream", a dançante "Chicago Song" (composição do super baixista Marcus Miller), "Snakes" e "Let The Good Times Roll" (esta de seu mais recente CD, "Only Everything", de 2010). A chuva apertou bastante, e saímos durante o bis, e também perdermos a segunda apresentação de Armand Sabal-Lecco no Festival. Mas o último dia ainda reservava mais. Teríamos mais Billy Coubhan e mais David Samborn, com a promessa de tempo bom.

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