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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

MORRE MAIS UM MESTRE: CELSO BLUES BOY

Interrompo meu diário de viagem, por um triste motivo: A morte de mais um mestre - Celso Blues Boy, um dos maiores guitarristas do Brasil.
Celso faleceu aos 56 anos, por volta das 8h50m desta segunda-feira em sua casa, em Joinville, Santa Cantarina.
Ele sofria de câncer na garganta há cerca de um ano. Mantinha a existência da doença em segredo e se recusou a fazer os tratamentos necessários. Em dezembro do ano passado em seu show no Circo Voador,  me assustei ao ver como estava rouca a sua voz, e principalmente com o inchaço no pescoço do lado direito, o que parecia ser um linfoma. Meu amigo Lula Zeppeliano chegou a me noticiar de que realmente se tratava de um tumor maligno. Cheguei a noticiar aqui no Blog, mas Lula me pediu que tirasse, pois se tratava de um segredo e que ainda não estava confirmado o diagnóstico. Infelizmente o pior aconteceu.
A pedido do próprio Celso, seu corpo não será velado e já foi encaminhado para um crematório em Blumenau.
Celso começou a tocar profissionalmente na década de 1970 e, aos 17 anos, já atuava como apoio a grandes nomes da música como Raul Seixas, com quem gravou "O diabo é o pai do rock". Tocou ainda com Sá & Guarabyra, Renato e Seus Blue Caps, Luiz Melodia e Cazuza, e fez parte das bandas Legião Estrangeira e Aero blues.
Graças a rádio Fluminense FM, ao Boom do Rock Nacional nos anos 80, e principalmente ao Circo Voador. É dele o recorde de shows no Circo: em 30 anos Celso Blues Boy tcou na casa por 104 vezes. A 105ª seria no dia 23 de outubro, em comemoração ao aniversário do Circo. (Aliás, uma curiosidade: o outro campeão de apresentações na casa, Severino Araújo - da Orquestra Tabajara -, morreu no último dia 3).
O primeiro disco, "Som na guitarra", foi lançado em 1984, com seu maior sucesso, "Aumenta que isso aí é rock'n roll", e outros hits como "Blues motel" e "Rock fora da lei" . Na década de 1990, passou a se apresentar regularmente na Europa, quando teve contato íntimo com B. B. King, um dos seus maiores  ídolos, chegando a dividir o palco com ele e a gravarem juntos a faixa "Mississipi", em homenagem ao lendário Robert Johnson, no disco "Indiana blues", de 1996.
Em 2011, lançou  "Por um monte de cerveja", lamentavelmente seu último trabalho.
Mesmo fragilizado, Celso vinha excursionando pelo Brasil, o últimoi show que assisti dele foi em Junho desse ano, no Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras.
Em julho deste ano, sofreu uma paralisia facial, que o impediu de fazer algumas apresentações agendadas. O músico subiu ao palco pela última vez no dia 7 de julho, no SESC Santo Amaro, em São Paulo.
Estou muito triste, por mais essa grande e irreparável perda para a boa música, mas tento disfarçar a tristezam me apegando aos versos de uma de suas músicas mais conhecidas:
"As coisas são Assim, pra que se Lamentar? Se dentro de nös sempre brilhará."

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