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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"CELEBRATION DAY" - Cinema a maior diversão

Diferentemente de meu amigo Lula, eu não tive a sorte de conseguir ingresso para conferir ao vivo ao show histórico de 2007, em Londres. Então aguardava ansioso o lançamento do DVD com a apresentação. O problema que Mr. Page & Cia são cheios de frescura pra autorizar os lançamentos com shows das reuniões dos membros do Led Zeppelin. Vide as apresentações do Live Aid (em 1985) e da nomeação ao Hall da Fama do Rock and Roll  (em 1995) que não saíram nos boxes lançados em DVD.
Já imaginava que ia acabar acontecendo a mesma coisa com o show do O2 Arena. Mas depois de cinco anos de espera, fui surpreendido com a notícia de que não só sairia em CD/DVD/Blu-Ray, como seria exibido nos cinemas.
Tratei logo de comprar os ingressos pela internet, que foram vendidos por um preço bem salgado (R$40,00 a inteira). Eu, Daniel Leal, Freddy, Bruno, Rodriguinho e Daniel Camargo fomos ao UCI do New York City Center como se estivéssemos indo para um show de verdade. E não era por menos, era chance de ver na íntegra e no telão ao primeiro e único show de verdade do Led Zeppelin após a morte do baterista John Bonham. Isso mesmo: Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e Jason Bonhan, o filho do homem, juntos no mesmo palco.
Na fila do cinema, o ambiente era o mesmo de uma entrada de show, a maioria com camisas do Led Zeppelin, gente de todas as idades, e velhos amigos se encontrando. Todos ali para celebrar a música de uma das maiores bandas de todos os tempos.
Todos em seus lugares, as luzes se apagam, e sem trailer, o nome da banda aparece na tela, e a galera grita e aplaude, como se a banda estivesse mesmo ali. E no fim de cada canção, esta mesma cena se repetia.
A abertura veio com a explosiva "Good Times, Bad Times", e decepção toma conta dos espectadores, que começavam a gritar: "Aumenta o som!". É no mínimo lamentável que o UCI cobre o preço muito mais alto do que o normal, e não oferece um som com o volume adequado pra esse tipo de evento e principalmente pra esse tipo de platéia que veio sedenta para apreciar o bom e velho Rock and Roll.
Mesmo com volume baixo, dá para perceber que a voz de Plant não está ainda aquecida, e que a própria banda não estava ainda engrenada. Mas o peso e o vigor com que tocavam já impressionava.
Jason Bonham nitidamente feliz da vida por estar ali, descendo a lenha em uma ludwid laranja  transparente idêntica ao que seu pai usava.
Em "Ramble On" as emgrenagens começam a azeitar e a banda começa a entrar em ponto de bala, pra finalmente em "Black Dog" explodirem como acontecia na década de 70. Fica latente, a partir daí que a química entre os 3 remanescentes e o jovem pupilo forma um amálgama musical eletrizante.
A coisa é tão forte que os integrantes ficam próximos um dos outros o tempo todo, num magnetismo puro. Caberiam tranquilamente num palquinho de uma casa menor. Mas o talento e a força do Led Zeppelin exigem uma super estrutura de som, luz e um telão gigante de última geração.
Em "In My Time of Dying", John Paul Jones aparece com um lindo baixo fretless que não possui nem as marcações das casas; e pensando bem: pra quê? O mestre sabe exatamente aonde seus dedos devem estar. Para esse número Page também troca de instrumento, deixa sua clássica Gibson Les Paul e pega uma linda semiacústica da mesma marca, pra fazê-la chorar com seu slide.
Plant se dirige a plateia para avisar que a próxima música, "For Your Life" lançada no álbum "Presence" em 1975, teria a sua primeira apresentação ao vivo. Coisas incríveis que acontecem em bandas como Beatles e Led Zeppelin que tiveram curto tempo de vida, mas que marcaram a história da música para sempre.
Outro problema que identifiquei no filme, além do volume baixo, foi a falta de legendas que me obrigaram a gastar meu tosco inglês pra entender que nas duas próximas canções, Plant homenageou os mestres do Blues que sempre serviram de referência para a banda, como Robert Johnson, autor de "Terraplane Blues" e Blind Willie Johnson, compositor de "It's Nobody's Fault But Mine", que serviram de inspiração (alguns diriam cópia ou plágio) respectivamente em "Trampled Under Foot" e "Nobody's Fault But Mine".
Jones senta nos teclados para deixar todo mundo arrepiado já nas primeiras notas da psicodélica "No Quarter". Mais arrepios generalizados na linda "Since I've Been Loving You", onde a Plant & Page estraçalham, colocando muita alma em suas interpretações. Naquele instante viajei no tempo, eu fui para 1996, quando presenciei emocionado essa dupla em ação na Praça da Apoteose.
Antes de "Dazed and Confused", Plant se dirige a plateia novamente falando que "entre tantas canções que gravamos juntos, algumas nao podiam faltar, e esta é uma delas". Afinal Page não poderia deixar de  tocar sua guitarra usando um arco de violino.
As lágrimas rolaram em vários pontos no cimema na tão esperada "Stairway to Heaven", com Page usando sua célebre Gibson SG de dois braços. Ao contrário de todas as versões ao vivo que conheço, Jimmy fez o solo curto, muito semelhante ao da gravação original.
Cabeças bateram ritmadas ao som da introdução fodástica de “The Song Remains The Same", que mostrou a banda afiada como nos velhos tempos.
Plant contou histórias da infância de Jason Bonham, onde pai e filho cantavam "Wind Cries Mary", de Jimi Hendrix zilhões de vezes; e que agora Jason faria um dueto com Robert em "Misty Mountain Hop".
O clímax, o ponto onde a banda atingiu a plenitude foi exatamente no derradeira número, a maravilhosa "Kashmir". Ficou nítido que Jason é um grande baterista, de pegada forte que com certeza deixa o papai cheio de orgulho, assistindo de seu camarote lá no céu, ao seu filhote mandando ver nas baquetas, e encerrando a música dando uma porrada no gongo com a mão, na ignorância e rusticidade típica dos Bonham.
Merecia ter "Moby Dick" no setlist, pra que Jason pudesse demonstrar toda técnica em mais uma homenagem ao grande Bonzo. Mas é aquilo, o Led Zeppelin possui uma obra tão sublime que duas horas de show se torna pouco pra caber tantas maravilhas.
A lista de ausências sentidas é grande: além da própria faixa que dá nome ao filme "Celebration Day", faltaram as belas "Babe I'm Gonna Leave You" e "The Rain Song"; os petardos "Heartbreaker", "Communication Breakdown", "The Rover", "The Ocean" e "Immigrant Song"; o Blues "I Can't Quit You Baby", e as experimentações acústicas de "Tangerine", "Going To California" e "Over The Hills And Far Away". Só pra citar alguns exemplos.
Mas o repertório foi muito bom, e cobriu bem toda carreira da banda, apesar de não ter entrado nenhuma do álbum "In Through the Out Door" (de 1978) e do póstumo "Coda" (lançado em 1981).
Para resolver essa injustiça seria perfeito se incluissem a manjada (que ainda acho linda) "All My Love", ou pelo menos "I'm Gonna Craw"; sendo essa última, se eu não me engano, nunca foi tocada em um show do Led Zeppelin.
Como em todo o show que se preza, a banda voltou para o bis, que na realidade foi duplo: "Whole Lotta Love" e "Rock N' Roll", levando todo mundo ao êxtase. Mais um furo do pessoal do UCI foi acender as luzes antes do fim da exibição, o que gerou protestos.
Mas mesmo com esses vacilos foi uma delícia ter a experiência de poder ver meus ídolos novamente juntos botando pra quebrar. Pra aumentar a sensação de show de verdade, tirei fotos da tela, como se eu  estivesse num estádio ou arena; e são justamente elas que ilustram esse post.
Ao assistir "Celebration Day", fiquei com a certeza de que Plant não faz uma turnê mundial com o Led Zeppelin porque não quer. Pois apesar das limitações que a sua voz hoje em dia possuem por causa da idade, ele continua mandando muito bem, e conseguiria segurar a onda.
Em novembro "Celebration Day" será lançado nas lojas em DVD e Blue-Ray. E como ouvi Paulo Henrique Castanheira (produtor musical da Rede Globo) comentando na saída do cinema: "Foda-se o volume baixo de hoje. Depois lá em casa vou colocar o DVD pra rolar com o som alto pra caralho!".
Com certeza na minha não vai ser diferente. É bom os vizinhos se prepararem.
SETLIST:
1- "Good Times Bad Times"
2- "Ramble On"
3- "Black Dog"
4- "In My Time of Dying"
5- "For Your Life"
6- "Trampled Under Foot"
7- "Nobody's Fault but Mine"
8- "No Quarter"
9- "Since I've Been Loving You"
10- "Dazed and Confused"
11- "Stairway to Heaven"
12- "The Song Remains the Same"
13- "Misty Mountain Hop"
14- "Kashmir"

Bis:
15- "Whole Lotta Love"

Bis 2:
16- "Rock and Roll"

10 comentários:

  1. Parabéns muito bem escrito, foi pauleira pura!!! Aqui em Juiz de Fora o UCI aumentou um pouco o volume depois de uns 2 min. de show. Se vc for na pág do face do Led Oficial é a grita de "todos". O próprio Led reconhece isto e dizem que vão sanar o problema junto ao responsável das "salas". Mas qdo ghegar o DVD não temha dúvida: aumenta que isto daí é Rock and Roll! Abraços

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    1. Oi Carlos,
      obrigado pela informação sobre os problemas com o som do filme.
      Abração

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  2. Zé Carlos, não foi o Page que demorou a lançar o DVD a ceder as imagens, faltava o aval do Plant, depois que o Plant assistiu e concordou, eles trabalharam duro em cima das filmagens, este show foi beneficiente para o Instituto do Ahmet Ertegun, o falecido presidente da Atlantic Records que Plant diz que ele era como um pai, pois foi ele que abriu as portas pro Led na gravadora, foi a 1º banda britânica e de rock e brancos a gravar na Atlantic Records, e foi a pedido da viúva de Ahmet Ertegun ao Plant para eles se reunirem num evento beneficiente chamado Tributo a Ahmet Ertegun, eles seriam a atração principal, então Plant aceitou, teve bandas de abertura, cada banda tocou 4 músicas, a banda do keith emerson que contava com Simon Kirke do Bad Company nas baquetas, o Foreigner e depois a banda do ex-baixista dos Rolling Stones que contava com Paul Rodgers nos vocais e Alvin Lee nas guitarras, todos eles abrindo para o Led Zeppelin que fez naquela noite mágica um show de 2:10 hs!!!Quanto ao Live Aid, eles não ensairam e nem sabiam que iam tocar, só souberam no dia quando Bob Geldof o criador do Live Aida convidou o Plant e sua banda, convidou J.P.Jones para assistir assim como fez com Page, na hora ele pediu que tocassem pelo menos 3 músicas e foi assim que aconteceu, como eles não gostaram da performace deles, com direito a Phill Collins erra feio em Whole Lotta Love (perdendo o tempo da virada), eles não permitiram que lançassem no dvd oficial do Live Aid, no Hall f Fame na verdade, eles não encaram aquela apresentação como Led Zeppelin, mas sim uma diversão, tanto que tocou com ele o Steven Tyler e Joe Perry do Aerosmith com o Jason bonham nas baquetas e depois Neil Young com o falecido bateris Michael Lee nas baquetas, aquele que acompanhou Plant durante anos e depois a dupla Page & Plant.

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    1. Grande Lula, q bom ver vc por aqui,
      como seu comentário foi grande, merece uma resposta a altura.
      Primeiro, não culpei Page pelo atraso, usei a expressão "Page & Cia" para representar os 3 integrantes. E além do mais, Jimmy Page sempre foi o cara responsável pelas produções e em colocar o selo de qualidade em tudo que leva a marca e o nome do Led Zeppelin.
      Eu já sabia que o show foi beneficente e dedicado ao grande Ahmet Ertegun, só não comentei isso na resenha pq já tinha falado sobre isso em outros posts, mas sem dúvida, vale a lembrança.
      Obrigado pelas informações sobre as bandas de abertura, com certeza colaboraram pra tornar a noite ainda mais inesquecível.
      Qto ao Live Aid acho uma tremenda bobagem a não autorização. Pois a participação deles foi um momento histórico, independente de ter sido no improviso ou q contenha erros. Nesse box existem situações bem parecidas. Inclusive na particiipação de Paul McCartney houve um problema em seu microfone e sua voz foi cortada em alguns momentos. O próprio Paul regravou o vocal para o lançamento dos DVDs. Acredito q todos os fãs da boa música mereciam um registro oficial desse momento, ao invés de termos q recorrer de gravações com qualidade ruim, e o próprio Youtube está cheio delas.
      E o Hall of Fame a mesma coisa. O Box é foda demais. O clima é exatamente de celebração. Bruce Springsteen canta com o U2, Eddie Vedder com o remanescentes do The Doors, e por aí vai. Não consigo entender pq não autorizar um momento tão bacana como esse, com convidados ilustres como Steven Tyler, Joe Perry e Neil Young. O DVD só traz os discursos de nomeação e agradecimento.
      Podiam lançar um DVD com esses dois momentos e mais a festa de 40 anos da Atlantic Records, que em 1988, também reuniou os 3 integrantes remanescentes com Jason Bonham.
      Obrigado pela visita e pelo seu comentário que são sempre muito benvindos.
      Abração

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  3. Hipnotizante, embora o som estivesse baixo e alguns "funkeiros" tivessem conversando o filme é fantástico!!

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    1. Um funkeiro incomoda muita gente...
      Dois funkeiros incomodam muito mais...
      kkkkk

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  4. Zé...comentando aqui e achando show de bola. Pena que não fui pra essa sessão..mas, pelo o que eu li..apesar de tudo foi ótimo...e deve ter sido mesmo. Vc sabe o quanto adoro led e curto muitas musicas.
    Adorei o blog, o visual tudo! Parabéns..volteir mais vezes,

    Ana

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    1. Oi Ana,
      sei da sua paixão pelo Led Zeppelin e pelo Rock, por isso quero vc sempre por aqui.
      Beijão

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