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terça-feira, 27 de novembro de 2012

LOBÃO - 50 ANOS A MIL - Por Mellissa Martins

Dessa vez ela não deu bobeira, e não deixou furo. Mellissa Martins escreveu a resenha do livro do mês. Depois de Eric Clapton, Ozzy Osbourne, Keith Richards e Paul McCartney, temos agora o polêmico e talentoso Lobão.
Fiquem espertos que a próxima resenha é sobre a biografia do Barão Vermelho.

LOBÃO - 50 ANOS A MIL
Autor: Lobão e Claudio Tognolli
Editora: Nova Fronteira
Ano de Lançamento: 2011
Páginas: Quase 600
Preço Médio: 59,90

Toda vez que eu falava pra alguém que estava lendo a autobiografia do Grande Lobo, todo mundo dizia a mesma coisa: Ele é doidão, né? A resposta é sim, ele é muito louco! Uma grande figura. Já estava há um tempão a fim de ler esse livro, o consegui na ocasião do nosso aniversário de namoro, quando o Zé, sabiamente, me deu de presente (quem leu a postagem dele sobre o show no início do ano pode ver meu comentário dizendo que tava doida pra ler a história desse cara). Foi uma leitura extremamente fácil, leve e divertida, no estilo do Ozzy, cheio de situações inusitadas e palavrões!
João Luiz Woerdenbag Filho ou, simplesmente, Lobão é garoto Zona Sul, nascido e criado, classe média, filho de um mecânico e uma professora de inglês. Cresceu numa família unida, formado pelos os pais, e por uma irmã, a quem ele se refere carinhosamente de "maninha". Seu apelido veio do colégio, por causa de sua 'magrelice', apetite voraz e o uso constante de macacão e botas.
Cantor, compositor, multi instrumentista, editor, escritor, começou a carreira musical com a bateria, seu instrumento de origem, na banda Vímana (foto acima), ao lado de Lulu Santos (demorei metade do livro para descobrir que o Lulu que ele se referia era o Lulu Santos... ) e Ritchie, aos 17 anos.
Acredite se quiser, mas ele não gosta de ser rotulado de roqueiro, disse que ele é um cantor de música popular e não se limita apenas ao roquenrou. Lobão foi autor de inúmeros sambas, sua parceria com a Elza Soares comprova isso, fez até parte da aclamada bateria da Mangueira! Por conta disso, foi vaiado no Rock in Rio II. Escalado para o dia do Metal levou uma saraivada de latas, copos e tudo que o público tinha em mãos porque segundo o próprio Lobão: "ninguém estava ali pra ouvir samba."
Foi preso por porte de drogas. E pensa que ele ficou intimidado? É muito ruim! Fez vários amigos na prisão, ficou popular entre os presos, virou o Xerifão da cela. Em entrevista para Fernanda Young, contou: "um dos chefes de tráfico me chamou para bater um papo. Ele me disse: ‘Escuta só, aqui na prisão só tem três tipos de pessoas: Tem preto, pobre e burro. Você se enquadra em qual?’. Respondi: ‘Yo soy negron’. Eu não era negão, mas eu era doidão, o que é quase a mesma coisa no sentido judicial do preconceito". Ninguém com os parafusos no lugar diria isso na prisão. Quando saiu por conta de um habeas corpus, três meses depois, gravou um disco inspirado nesse tempo, O Vida Bandida, uma dos melhores de sua carreira.
Até na política o cara se meteu, liderou a classe musical no Congresso para aprovação do Decreto de numeração dos discos, em vigor desde 22 de Abril de 2003. Uma vitória para os músicos, pois, segundo ele, as gravadoras divulgam muito menos discos vendidos do que a realidade.
Lobão é muito mais do que o cara do megahit "Me Chama", fez parcerias com muita gente importante, como Marina Lima, Cazuza, Beth Carvalho, fundou a Blitz, etc. Além de ser um intelectual, Lobão chegou para incomodar. Ame-o ou odeie-o, foi essa a conclusão que cheguei. Um cara cheio de opiniões sobre tudo, sem papas na língua, fala o que nem todo mundo tá a fim de ouvir. Indigesto, como definiu Maria Juçá, amiga e produtora. O grande lobo não poupa nada nem ninguém.

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