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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

18 de Dezembro de 2009 - SHOW DO STANLEY JORDAN NA LONA DE JACAREPAGUÁ

No mesmo mês de dezembro, mas em 2008, fui até Campo Grande pra presenciar pela primeira vez ao vivo, esse fenômeno da guitarra, chamado Stanley Jordan. Naquela época custei a acreditar que o meu guitarrista de jazz predileto estaria fazendo shows nas Lonas Culturais. Por isso não pensei duas vezes em ir pra "Bigfield" na cara e na coragem, sozinho, sem mapa ou GPS.
Mas esse ano foi melhor ainda... Stanley Jordan Live In Jaca City!!!
A Lona não estava lotada, mas um bom público aguardava ansioso o início da presentação. Por volta das 22:15h, Stanley entra tímido e sozinho no palco, e começa a tocar um dos maiores clássicos de Hendrix: "Little Wing"; a platéia demora a reconhecer a música, mas ao perceber do que se tratava, aplaudiu com vontade. Na sequência, ele manda uma bela versão para "El Condor Pasa" da dupla Simon & Garfunkel. Emendou com "Eleanor Rigby" dos Beatles, que já faz parte do seu repertório a muitos anos.
Ao microfone e em bom português ele chama seus colegas: "Senhoras e senhores no palco agora: Ivan Conti "Mamão" na bateria e Dudu Lima no baixo".

Os dois músicos brasileiros foram os mesmos que o acompanharam no ano passado, e são verdadeiros monstros em seus intrumentos, estando entre os melhores do mundo.
Mamão, com seu completo domínio na bateria e nos ritmos brasileiros, ficou internacionalmente conhecido por fazer parte do Azymuth, trio formado na década de 70, talvez o grupo de música instrumental mais bem sucedido e famoso do Brasil. Além disso já gravou e se apresentou com mestres da MPB como Elis Regina, Gal Costa, Erasmo e Roberto Carlos, Eumir Deodato, Rita Lee, Raul Seixas, entre outros. Tocar com feras do jazz internacional também não é novidade, afinal já fez parte da banda de nomes como Ray Brown, Dizzy Gillespie e Milt Jackson.
Dudu Lima é um contra-baixista, compositor e arranjador mineiro de Juiz de Fora; virtuoso de técnica apurada, cheio de swing, perfieto nos slaps, e capaz de fazer no baixo a técnica de tapping que deu fama a Stanley Jordan. O guitarrista, inclusive participou do excelente CD/DVD "Ouro de Minas", lançado pelo baixista em 2008. Dudu já tocou ao lado de João Bosco, e já foi elogiado publicamente por Milton Nascimento, que após ver sua apresentação em Búzios declarou aos jornalistas: "Quase caí duro, de tão emocionado e surpreso com a sua qualidade como músico".
Como mostra a vídeo abaixo, a química entre os três é impressionante:

Um dos motivos das visitas frequentes de Stanley ao Brasil é a sua grande paixão pela música brasileira; por isso o repertório do show estava recheado de canções de compositores verde-amarelo.
O Mestre Tom Jobim foi lembrado na belíssima "Insensatez", um dos pontos altos da noite. Juntos tocaram "Regina" composta por Dudu Lima, que conta na gravação original com a guitarra de Jordan.
Os músicos mostravam fluência e vários estilos: bossa nova, samba, jazz, fusion e rock; chegando a ter algumas passagens bem pesadas, no limiar do Heavy metal.
Stanley ficou novamente sozinho, e desfilou todo seu estilo e técnica, até mesmo em uma peça clássica, que a minha ignorância não permitiu que eu reconhecesse se era Bach, Beethoven ou Mozart.
É verdade que Stanley Jordan revolucionou a técnica de "tapping" (utilizar uma ou as duas mãos para "martelar" - tap - notas na escala) que foi popularizada por Eddie Van Halen; ele inventou a "two-handed tapping", que utiliza oito ou nove dedos, com uma mão para fazer a base e outra para solar. Tirando o fato de que visualmente é muito impressionante, seus solos são sempre originais, bem executados, tecnicamente perfeitos e bom de se ouvir.

Dudu Lima vai ao microfone e avisa, que pela primeira vez em público, Stanley Jordan vai tocar contra-baixo, num instrumento que ganhou de um luthier pernambucano, que o fez especialmente pra ele. Foi bacana vê-lo usar a mesma técnica no baixo, e presenciar um duelo de arrepiar entre ele e Dudu, enquanto Mamão quebrava tudo na batera.
Depois de uma jam de quinze minutos, os três se despedem, voltando claro para um Bis fenomenal com direito a solos de cada um. Alguns dos presentes acreditavam que Armandinho participaria do show, já que na mesma semana ele fez duas apresentações com Stanley Jordan em Ipanema; infelizmente não houve essa participação em Jacarepaguá. Mas no fim das contas, a noite foi maravilhosa.
Ao tentar falar com Stanley nos bastidores, descobri o motivo do show ter sido um pouco mais curto do que o normal, e do fato do guitarrista usar casaco comprido naquele calorão: Stanley jordan estava doente, com 39 C de febre, e não iria receber os fãs. Mesmo assim consegui autográfos no CD e DVD.
Meu amigo Leo soltou o seguinte comentário: "Se doente ele toca desse jeito, imagina quando ele está com saúde..."

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