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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

31 de Agosto de 2012 - DREAM THEATER no Citibank Hall (RJ)

Vou dar uma paradinha no "Diário da Viagem", por um bom motivo: a resenha do show do Dream Theater no Citibank Hall.
Minhas férias acabaram em grande estilo, assistindo a penúltima apresentação da turnê mundial do álbum “A Dramatic Turn of Events”; a primeira com o novo baterista, Mike Mangini. Substituir Mike Portnoy é uma tarefa suicida. O cara é um dos gênios da bateria, e um dos mais criativos do instrumento das últimas décadas. Muita gente o coloca num patamar de semideus, onde os outros bateristas, meros mortais não são capazes de chegar ao seu nível, muito menos superá-lo.
Mas Mangini foi devidamente aprovado pelos fãs presentes, que literalmente deliraram com sua perfomance, cheia de técnica e carisma.
Fora essa novidade, esse foi o mais bem produzido dos shows que assisti do Dream Theater no Rio de Janeiro; e olha que estive presente em todos, com exceção ao de 2008. Luz, efeitos visuais, telão , som, tudo estava impecável.
Os integrantes estavam bem soltos no palco, e muito mais simpáticos que o usual, fazendo piadas e brincando com a plateia, o que não é muito comum de se ver, quando estamos falando por exemplo do sisudo guitarrista John Petrucci.
Com menos de dez minutos de atraso, o show começa com uma animação no telão, onde os integrantes da banda são uma espécie de super heróis em um desenho animado. Então, o quinteto abre com “Bridges In The Sky”, ótima faixa do último disco.
Na sequência, uma das minhas prediletas, o clássico "6:00", que nunca tinha assistido ao vivo antes. Que arranjo foda de bateria.
Na época do Portnoy , tinham uma louca rotina, aonde o baterista fazia um setlist novo praticamente por show, no mínimo era um repertório por cidade visitiada. Dessa forma, um show nunca era igual ao outro.
Nessa nova fase, eles vieram pro Brasil com dois setlists possíveis, sem muita variação entre eles. O do Rio foi o o mesmo de São Paulo, que é encerrado com “Metropolis Pt. 1: The Miracle And The Sleeper”. Já em Belo Horizonte, finalizaram com "Pull Me Ender".
O vocalista James LaBrie anunciou que seriam duas horas de música. Mentiroso! Foram quase três, praticamente sem intervalos. E foi uma apresentação com muito mais pique que a de 2010, quando tocaram pouca músicas, com a duração muito longa, o que deixou tudo meio arrastado.
Dessa vez, eles tiveram o público nas mãos o tempo todo. Alternaram clássicos com trabalhos mais recentes, como “The Dark Eternal Night”, do “Systematic Chaos” (de 2007). Foi lindo, e de certa forma emocionante, poder vê-los tocando “Surrounded”, do “Images and Words” (de 1992), belíssima balada progressiva, que há muito a banda não tocava.
O monstro de Jordan Rudess , endiabrado como sempre, detonou em solo de teclado, e surpreendeu aos presentes ao mandar um "E aí, Galera?".
Petrucci soltava faísca a cada solo. Mas mostrou também muito feeling, principalmente nos bends à David Gilmour, no viajnte solo de “The Spirit Carries On”, do excelente “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory” (de 1999), considerado por muitos como o melhor álbum da banda.
Já na minha opinião, ainda fico com "Awake", talvez por ser o disco em que tive o primeiro contato com o grupo. E é justamente desse álbum. que foi tirada a baladinha "The Silent Man", roalndo ainda “Sometimes When We Touch”, do Dan Hill, como música incidental, com direito a participação vocal de Mangini, numa brincadeira descontraída.
Outro grande momento foi o medley “War Inside My Head”/”The Test That Stumped Them All”, do álbum duplo “Six Degrees of Inner Turbulence” (de 2002). Do bom CD novo, ainda mandaram mais 3: “Outcry”, “On The Back Of Angels” e “This Is The Life”; sendo todas elas muito bem recebidas.
LaBrie estava numa noite inspirada, cantando muitíssimo bem. Não amarelou em nenhuma passagem, alcançando notas bem altas, demonstrando que a garganta está tinindo.
John Myung é sem dúvida um baixista virtuoso, possuidor de técnica absurda. Só que seu estilo nunca me agradou. pra ser sincero, quando escuto uma música do Dream Theater tenho enorme dificuldade de escutar o baixo, já que o japa está sempre acompanhando a correria de Petrucci, ao invés de se preocupar em preencher os espaços, como fazem Geddy Lee, Chris Squire e outros grandes baixistas do Rock Progressivo.
Antes que algum fã radical queira me baixar a porrada, explico que não estou falando mal do Myung. É apenas questão de gosto e de estilo. Mas vê-lo ao vivo é bastante interessante, e principalmente impressionante ver seus dedos em velocidade supersônica.
Logo que Portnoy saiu, foi anunciada uma lista com 7 super bateristas que disputavam sua vaga. Na época achava que Mangini era o mais fraco deles. Agora, depois de ficar embasbacado ao vê-lo em ação, sou obrigado a dar o braço a torcer.
Pode parecer heresia, mas me impressionei mais ao ver Mangini tocando,do que todas as quatro vezes em que assisti a Portnoy.
Sei que Mangini é fã declarado de Portnoy, e que o primeiro reproduziu composições do segundo, mas o novo batera não se limitou a cópia. Sempre tinha um detalhe ou outro em que podia-se sentir sua marca. Era evidente e latente o tesão com que ele tocava
Seu solo foi fodástico, e deixou claro que Mike está entre grandes bateristas da atualidade, e que a escolha de tê-lo na banda foi mais do que acertada. O cara é doente, rufando na caixa com uma só. Acredite, pode conferir em videos no youtube.
Só pra deixar claro, não me impressiono com facilidade, e já vi muitos dos melhores bateristas de todos os tempos em ação: Neil Peart, Dennis Chambers, Stewart Copeland , Billy Cobham, Steve Gadd, Ian Paice, Vinnie Colaiuta, Robertinho Silva, Carlos Bala, Lars Ulrich. Então tenho um certo embasamento pra falar que Mangini é muito fera.
Outra coisa que chama muita atenção é seu kit muito incomum. São quatro bumbos, tontons montados de forma muito pouco ortodoxa. O que logo se destaca são os 4 octobans colocados bem no alto de forma frontal; antes do show começar, ao vê-los imaginei que fossem canhões de luz
Depois de deixar o Citibank Hall inteiro de queixo caído, Mangini puxou “A Fortune In Lies”, do primeiro disco, “When Dream and Day Unite” (de 1989), outra que não era tocada há anos, e que agradou bastante aos fãs, principalmente aos que acompanham a banda desde o início.
Como já foi dito, a esperada “Metropolis Pt. 1: The Miracle And The Sleeper” encerrou a noite, num total de 2h50 minutos de Rock and Roll. O Dream Theater é uma banda que de certo modo, retoma o tempo em que o Rock era tocado por grandes músicos, mas precisamente o fim dos Anos 60 e o começo dos 70. O estouro do Punk trouxe muita atitude, adrenalina e sangue novo ao Rock, o que foi benéfico. Mas ao mesmo tempo mudou o cenário ao ponto de tornar vergonhoso o instrumentista ser um virtuose.
Dessa forma, acho bastante saudável que uma banda como Dream Theater tenha uma carreira tão bem sucedida, e que ao longo dos anos consiga acumular tantos fãs apaixonadas.
Termino aqui, deixando um recado para as "víúvas de Portnoy " que se negaram a ir ao Citibank Hall:
VOCÊS MANDARAM MUITO MAL DE FICAREM EM CASA!
Ficou evidente também que os quatro músicos remanescentes estão mais leves, e aparentando estarem mais felizes. Talvez pela forma "mão de ferro" que Portnoy comandava a banda.
Um consolo para os que ficaram em casa, ainda poderão conferir em breve ao DVD que foi gravado na Argentina nessa nova turnê.
SETLIST:
1- Bridges In The Sky
2- 6:00
3- The Dark Eternal Night
4- This Is The Life
5- The Root Of All Evil
6- Lost Not Forgotten
7- Solo de bateria
8- A Fortune In Lies
9- The Silent Man
10- Beneath The Surface
11- Outcry
12- Surrounded (solo teclado)
13- On The Backs Of Angels
14- War Inside My Head
15- The Test That Stumped Them All
16- The Spirit Carries On (solo guitarra)
17- Breaking All Illusions

Bis
18- Metropolis Pt. 1: The Miracle And The Sleeper

Em foto do celular do Rodriguinho: Daniel Demétrio, Freddy Meyer e Eu, felizes da vida antes do show.

4 comentários:

  1. Rá, eu sei quem tirou essa foto...:)
    Cara, o show foi o primeiro do DT que eu vou e já adianto que começo a apreciar demais essa banda, a começar pelo novo álbum. Tem outras do novo que eles tocaram. Breaking All Illusion e Lost not Forgotten(uma de minhas preferidas).
    Já conhecia alguns trabalhos do Mangini, principalmente com Vai ( o G3 com Johnson e Satriani é com ele), então, já sabia que o cara não iria decepcionar. Ele é um daqueles que ninguém consegue copiar rsrs. Você tem que ver como é o kit dele por dentro! Tem até dois pedais para cowbells!
    Eu considerava as músicas do DT maçantes pela duração e complexidade, aqueles tempos loucos... Mas descobri que fazem canções muito bonitas, principalmente as letras(pelo menos o novo trabalho, fala de coisas muito bonitas).
    Acho que eles são uma banda que o mundo precisa ter. Pois eles colocaram a barra do limite muito alta, provando do que o ser humano é capaz, e onde um grupo de pessoas talentosas pode chegar. Não reclamo mais de nada agora rsrs. Tudo é possível! Abs

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    1. É rapaz,
      que bom q vc descobriu e se identificou com o som do Dream Theater.
      O kit do Neil Peart também tem pedais para cowbells

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  2. Eu acho o Myung um dos caras mais icônicos que já vi. Praticamente não demonstra emoção, tocaondo extremamente complicado! =)
    Outcry... tava ouvindo e achando que devia ser muito difícil pra tocarem ao vivo... que ingênuo que sou !

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    1. Sua definição do Japa foi perfeita, amigo.
      Abração

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