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domingo, 7 de outubro de 2012

03 de Outubro de 2012 - SAGRADO CORAÇÃO DA TERRA NO TEATRO RIVAL (RJ)

Depois de dez anos de pausa, Marcus Vianna finalmente reúne sua banda. O Sagrado Coração da Terra, nada menos que a melhor banda de Rock Progressivo do Brasil. Os presentes ao Teatro Rival  foram testemunhas de um show antológico, e aprovaram com louvor os músicos da nova formação.
, que na verdade é uma fusão do antigo e do novo Sagrado e da Transfônica Orkestra.
Na guitarra, o fiel escudeiro Augusto Rennó exibe suas já conhecidas competência e técnica apurada.
Na bateria, uma verdadeira lenda da boa música mineira, Neném que já tocou com todos os grandes do Clube da Esquina. No baixo, Adriano Campagnani mostra toda versatilidade que só os músicos de jazz possuem.
Nos teclados, Danilo Abreu, companheiro de Marcus na Transfônica Orkestra, era responsável pelos climas e texturas. Marcus Vianna era o comandante nessa viagem de sonhos e sons, e se alternava entre os teclados e o violino.
Fechando a escalação, a participação especial da cantora Malu Aires, do cantor Sérgio Pererê, e da bela violinista Daiana Massa.
 Daiana é outra que veio da Transfônica Orkestra, e sua presença foi um dos destaques da apresentação, com seu violino endiabrado ela brilhava em seus solos, ou quando duelava com Marcus.
Malu Aires é uma cantora possuidora de um belo timbre, e já possui uma carreira com discos lançados. Ela brilhou intensamente em "Sweet Water", talvez a minha música preferida do Sagrado. A versão ao vivo ficou tão boa quanto a original que conta com o vocal do grande Bauxita.
Outra presença marcante foi o performático Sérgio Pererê. O ator e cantor, com suas interpretações, ele dava vida às canções que originalmente são cantadas por Marcus Vianna. Sérgio serviu como um bônus, pois em cada número ele surgia como um personagem, como em "Deus Dançarino", mostrou todo sofrimento que o Negro passou em toda história do Brasil.
Além disso, servia também como um coringa, tocando violão, flauta e tambor. Ele também fez bonito em "Eldorado", mostrando que seu timbre lembra muito o de Milton Nascimento (voz do registro original).
O show começou com a instrumental "Um Novo Século", da trilha sonora da minissérie global "Chiquinha Gonzaga". O Sagrado e Marcus Vianna têm suas carreiras fortemente atreladas às trilhas televisivas, a primeira e mais marcante foi, sem dúvida, "Pantanal", que puxou várias em sequência, como "Raio e Trovão", da novela da extinta Manchete.

Na instrumental "Rapsódia Cigana" todos os músicos tiveram direito a solo, inclusive Neném que na bateria demonstrou pegada forte e rockeira.
Marcus Vianna fez um comentário durante o show, de que o Rock Progressivo é o responsável pelo aperecimento de várias vertentes da música: o Fusion, Jazz Rock, New Age, Metal Melódico, World Music. E o Sagrado consegue com maestria exercer sua arte em todas essas linhas.
O show também serviu para a banda mostrar músicas poucas vezes executadas ao vivo, e até que nunca foram tocadas, como é o caso de "A Leste do Sol a Oeste da Lua", que dá nome ao último disco de inéditas, lançado em 2000.
Outra instrumental "Solidariedade" ( do álbum "Farol da Liberdade" de 1991) encerrou a apresentação. Mas é óbvio que ainda teríamos o Bis. A banda voltou, e Marcus avisou: "Vamos tocar agora um hino", e mandaram uma versão emocionante da belíssima "Amor de Índio", clássico da MPB, parceria de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, que fez muito marmanjo chorar (Não é mesmo, Daniel?).
Apesar de ao longos dos anos o Sagrado Coração da Terra conseguir colocar suas músicas em novelas, muitas vezes em horário nobre, o seu mentor Marcus Vianna nunca buscou fórmulas para atingir o sucesso fácil. Optaram em insistir nos belos e elaborados arranjos sinfônicos, em melodias de harmonias riquíssimas e em letras com a temática ecologista.

Hoje em dia tudo mundo fala sobre ecologia, e o assunto acaba se tornando corriqueiro e até mesmo piegas. Mas o Sagrado aborda esse tema muito antes dele ser moda. Além disso, a abordagem é completamente original e diferente, porque geralmente as letras tentam passar a visão do nativo e das vítimas dos desmatamentos e dos verdaeiros genocídios que acontecem com os povos de várias partes do mundo.

Essa opção de mercado, ao mesmo tempo que coloca a música da banda num patamar de qualidade altíssimo, acaba colocando-a num nicho de mercado que a afasta do grande público. Mas por outro lado cria um grupo seleto de fãs extremamente fiéis que se tornam carentes deste tipo de sonoridade.
A prova maior é o Teatro Rival lotado, com o público extasiado com a perfomance desses músicos maravilhosos.
Quem perdeu tem mais uma chance, pois Marcus Vianna & Sagrado Coração da Terra forma convidados a voltar à casa em Dezembro.
SETLIST:
1- Um Novo Século
2- Deus Dançarino
3- Manhã dos 33
4- Raio e Trovão
5- Sweet Water
6- Rapsódia Cigana
7- Eldorado
8- Grande Espírito
9- The Central Sun of Universe
10-  Pantanal
11- A Leste do Sol a Oeste da Lua
12- Solidariedade

Bis:
13- Amor de Índio
 

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