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terça-feira, 11 de outubro de 2011

10 de Outubro de 2011 - ERIC CLAPTON no HSBC Arena (RJ)

Ele poderia ter gritando "I Love Rio!"; se enrolar na bandeira do Brasil; fazer a platéia repetir corinhos de "Ôôoôooo..."; montar um setlist só de hits, usar pritotecnia, raio laser e telões gigantes de alta definição.
Nada disso, o que Mr Eric Clapton fez na HSBC Arena foi tocar guitarra e cantar, se limitando a dar uns 2 "Good Night", e uma meia dúzia de "Thank You". E precisava de mais alguma coisa?
Clapton ofereceu aos espectadores um banquete com iguarias finas preparadas com requintes e simplicidade, com o que o Blues e Rock têm de melhor. É um dos raríssimos artistas que conseguem esse paradoxo de unir sofisticação à simplicidade, com um resultado de puro bom gosto e elegância.
E isso era refletido em tudo no show. Cenário com camadas iluminadas de oito cortinas, discretamente iluminadas, compondo um ambiente bastante intimista. Sua banda, como de costume, era formada por músicos excepcionais. O lendário e virtuoso baterista Steve Gadd optava em colocar sua técnica exuberante em favor de manter a batida em levadas precisas e na criação de climas, ao invés de se exibir em firulas. Willie Weeks no baixo completava a cozinha, e trabalhava com Gadd em favor da banda. As excelentes vocalistas Michelle John e Sharon White utilizavam suas vozes priveligeadas de divas Soul para dar o apoio a Clapton. Os destaques eram os tecladistas Chris Stainton (no teclado com som de piano) e Tim Carmon (com órgão Hammond e sintetizador), que deram show, e juntamente com Eric, solaram em todas as músicas.
Até nas roupas, o guitarrista alia a tríade elegância/simplicidade/bom gosto, com o visual formado por camisa social rosa, calça jeans e mocassim, que combinavam perfeitamente com suas guitarras Fender Stratocaster e com seu violão Martin.
Ficaram de fora do repertório inúmeros clássicos e sucessos de sua carreira, como "Sunshine Of Your Love" e "White Room" (ambos da fase do Cream), "I Shot The Sheriff" (que rolou na primeira noite do Rio), "Bell Botton Blues" e o megahit "Tears In Heaven". Mas quem pensa que isso enfraqueceu a apresentação está redondamente enganado. Foram executadas 16 pérolas, ao longo de duas horas. Do disco novo, "Clapton", de 2010, apenas uma canção, "When Somebody Thinks You're Wonderful". Não faltaram as famosas releituras de canções dos mestres do Blues, como "Key To The Highway" (que abriu o show) do pianista Charlie Segar; a fodástica "Hoochie Coochie Man", de Willie Dixon (e grande sucesso na gravação de Muddy Waters); "Before You Accuse Me", de Bo Diddley (1957); e "Little Queen Of Spades" de Robert Johnson, herói pessoal de Clapton e também autor de "Crossroads", uma das canções mais importantes e emblemáticas da carreira de Eric, e que serviu como Bis, que contou com a participação de Gary Clark Jr, excelente guitarrista e cantor que fez o show de abertura.
É obvio que todos os clássicos não foram ignorados. A parceria com George Harrison em "Badge" fez a galera vibrar; "Cocaine" causou delírio coletivo; e a balada "Wonderful Tonight" emocionou. Um dos pontos altos foi o resgate da belíssima "Old Love", composta ao lado de Robert Cray, e presente no álbum "Journeyman", disco da mesma época da primeira passagem de Eric Clpaton pelo Brasil em 1990.Na parte acústica, dispensou a palheta para executar solos no violão que foram verdadeiros carinhos em meus ouvidos, em "Nobody Knows When You're Down And Out" (clássico de Bessie Smith de1929), "Driftin' Blues" (originalmente lançado por Johnny Moore's Three Blazers em 1945) Depois, ainda sentado, mas usando guitarra, tocou o animado country "Lay down Sally" e uma versão com sabor jazz de "Layla", com o mesmo arranjo presente no recém-lançado DVD gravado com Wynton Marsalis, que consegue ser mais lento e arrastado do que o feito para o multiplatinado "Unplugged MTV". Por mim, Clapton tocaria sempre a versão original, com seu riff de guitarra magistral (um dos maiores da história do Rock), e seu belo e singelo final com marcante solo de piano.
Apesar da postura distante e fria de Eric Clapton, público foi bastante participativo: vibrando com cada solo de guitarra e teclado, dando gritos nas canções mais conhecidas, e prestando referência essa Lenda viva. A platéia chegou a pagar mico acompanhando com as palmas totalmente fora do tempo o bumbo de Steve Gadd; a galera demorou mas acabou acertando o compasso.
O show foi lindo! Quem aprecia a boa música saiu de lá com a alma lavada, e com a sensação de agradecimento a Deus pela oportunidade de presenciar tanto talento. É pena que Clapton só nos visita em intervalos de dez em dez anos. Tomara que ele volte em bem menos tempo.
É hilário ver notícias que Luana Piovani colocou em seu twiter que se sentiu uma cucaracha por Clapton ter saído do palco sem se despedir.
Quem já viu Clapton ao vivo, ou pelo menos assistiu a um dos seus inúmeros DVDs sabe que o músico é tímido, contido, faz o estilo caladão. Isso não é descaso, tão pouco falta de educação. O cara é assim, e soaria bastante falso se ele tentasse passar outra imagem. Seu papel é cantar e tocar sua guitarra, e isso ele sempre faz de forma magistral.
O problema que a atriz, como a maioria das pessoas atualmente, não tem a música como a coisa mais importante de uma apresentação ao vivo. Deve estar mais acostumadas com artistas com repertório de músicas fraquíssimas, que necessitam se apoiar em outros atributos como efeitos visuais, beleza física, sensualidade e "puxa-saquismo" discarado com a platéia. A moça deve ter achado um saco o show do Eric Clapton, e deve ter quase morrido de sono ou monotonia.
Minha prezada Luana, você é bem gostosinha, mas da próxima vez fica em casa...

SETLIST:

Key To The Highway
Tell The Truth
Hoochie Coochie Man
Old Love
Tearing Us Apart
Driftin’ Blues
Nobody Knows You When You’re Down And Out
Lay Down Sally
When Somebody Thinks You’re Wonderful
Layla
Badge
Wonderful Tonight
Before You Accuse Me
Little Queen Of Spades
Cocaine

Bis:
Crossroads

5 comentários:

  1. Um daqueles shows perfeitos que nunca mais será visto. Pena que não pude ir.

    ótima resenha!!!

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  2. fui no dia anterior, mas foi assim mesmo. perfeito. obrigada por compartilhar sua experiência.

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  3. pow falou tudo nas ultimas linhas!!!!!
    depois querem defender ma musica atual,como se música de verdade não há?!

    Ass. Daniel Demetrio

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  4. Artista completo,brilha no palco pelo imenso talento que tem...poucos tem isso.Fazer sucesso é fácil,quero ver manter...mas O Sr.Clapton faz isso sem esforço e nós somos os maiores beneficiados com sua boa música.
    Ass: Mel Moreno

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  5. O que importa é a competência em cima do palco (e isso ele tem de sobra), o talento ele tem pra dar e vender mas, sem babar ovo, ser um pouco mais caloroso e simpático não dói, né?

    Bjs

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