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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

LIVING IN THE MATERIAL WORLD, FILME SOBRE A VIDA DE GEORGE HARRISON NO FESTIVAL DE CINEMA DO RIO

No ano passado, vi apenas um filme no Festival de Cinema do Rio, veja o post: "O GAROTO DE LIVERPOOL" ("NOWHERE BOY") TEM SUA PREMIERE BRASILEIRA NO "FESTIVAL DO RIO 2010"

E agora em 2011, vi mais um longa tendo um dos integrantes do Beatles como tema. Assisti ao documentário "George Harrison: Living In The Material World", dirigido por Martin Scorsese.
Comprei os tickets antecipadamente pela internet (na verdade foi a Mell que comprou...), e na correria conseguimos chegar ao Cine Odeon um pouco antes do horário do início da sessão, às 19h. Mas descobrimos que a exibição foi adiada para 21h. O atraso nos causou uma série de estresses, quase desistimos, mas decidimos por ficarmos e não perdermos o filme. E valeu muito a pena.
Nos anos 90, quando Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison reviraram seus arquivos para montar o documentário "Beatles Anthology", Harrison manifestou a sua esposa Olivia, a vontade de fazer a sua própria antologia. Infelizmente, por causa de sua doença, George veio a falecer em 2001 sem concretizar seu desejo, mas sua mulher levou o projeto até o fim.
Olivia passou anos reunindo imenso material, já que Harrison sempre teve o hábito de documentar sua vida cotidiana em fotos e vídeos caseiros.
Após conferir "No Direction Home", o documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, Olivia escolheu o diretor para dar vida ao projeto "George Harrison: Living in a Material World", longa de três horas e meia de duração que narra a trajetória do músico, do nascimento em Liverpool à morte em Los Angeles em novembro de 2001.
O tema central é o paradoxo vivido por George, em sua busca por paz espiritual, procurando sentido na vida material, onde ele tinha sucesso, muito dinheiro, mas não atingia satisfação e plenitude, o que o fez em muitos momentos optar por um caminho para a simplicidade, meditação e autoconhecimento.
A morte é também um tema importante do documentário. Bem no início, o filho Dhani, Eric Clapton, Ray Cooper (célebre percussionista e presidente da produtora Handmade Film, criada por Harrison) relembram com bom humor os últimos momentos de George, que sempre se preocupou com o “treinando para o momento final de transformação radical de consciência.”.
Em entrevistas e depoimentos de Paul McCartney, Ringo Starr, Eric Clapton, Pattie Boyd Harrison, Yoko Ono, George Martin, Phil Spector, Klaus Voorman, Tom Pety, entre outros, é possível perceber como George Harrison era querido e amado, e como todos os respeitavam e admiravam como músico e artista.
Paul faz justiça, ao defender de forma apaixonada a importância que cada integrante tinha nos Beatles, e que é um erro terrível pensar que só ele e Lennon tiveram relevância na criação da obra e do acervo maravilhoso da banda. Como exemplo as contribuições dadas por George à canção "And I Lover Her", uma das composições de McCartney, que segundo ele ganhou brilho com as idéias de Harrison.
Ringo não consegue segurar a emoção em vários momentos, e chora quando se lembra de ter visitado Harrison quando o guitarrista lutava contra o câncer terminal de pulmão.
Eric Clapton relata a admiração mútua e sua grande amizade, que resistiu até a traição, depois que Clapton lhe "roubou" Pattie Boyd. Ao ser perguntado sobre incidente George diz: "Estou feliz pelos dois. Ela está com Eric, um cara que admiro, seria pior se ela estivesse agora com um bundão".
Eric relata o fascínio que os Beatles exerciam, e de como foi sua participação nas gravações de "While My Guitar Gently Weeps", e o privilégio de ter presenciado o momento em Harrison compôs “Here Comes the Sun”.
O filme é dividido em duas partes; na primeira vemos a transformação do adolescente desajeitado em uma das maiores Estrelas do Rock, que crescia sob a sombra de dois verdadeiros gênios precoces: Lennon & McCartney. George explica sua evolução através de uma frase hilária: “Comecei a compor como um exercício. Eu pensei: se John e Paul conseguem, qualquer um pode conseguir”.
A história dos Beatles já foi contada inúmeras vezes, mas Scorsese faz questão de mostrar tudo sob a ótica e pela perspectiva de George, o que é enriquecido pela presença de fotos e cenas raras ou inéditas.
A primeira parte termina com George assinando os documentos que oficializam o final dos Beatles, e com a liberdade para criar e lançar o acervo de canções que acumulou durante anos, desembocando em seu primeiro álbum solo, "All Things Must Pass".
A segunda parte mostra o estudo e a dedicação ao lado espiritual, interrompido pelo uso de cocaína. São mostradas as aventuras não-musicais de Harrison: seu trabalho como produtor de cinema, levado por sua admiração pelo grupo de comédia Monty Pythonseu, o fanatismo por automobilismo, seu esforço para recuperar sua casa de campo, sua paixão por jardinagem e paisagismo, e a reaproximação de John, Paul e Ringo, que culminou nas gravações de "Free As a Bird" e "Real Love".
O filme não esconde os defeitos de Harrison, como a sua dualidade, onde podia ser extemamente doce e gentil, como agressivo e impaciente. As turbulências na carreira, com as críticas negativas durante sua turnê solo de 1974, os desafios e dificuldades no seu casamento, o fato de George exercer grande fascínio sobre as mulheres, mostram que Scorsese não tentou traçar um perfil de um santo ou semi-deus, mas sim de um ser humano que também cometia erros e sofria com suas consequências.
A luta contra o câncer, e o terror relato por Olívia sobre quando um doente mental invadiu sua casa em 1999, esfaqueando Harrison, debilitaram e muito a saúde de Harrison, que passou a se dedicar ainda mais na preparação para desapegar das coisas mundanas.
Apesar de ignorar episódios marcantes na vida de George, como a acusação e processo por plágio em "My Sweet Lord", e a volta aos palcos e ao estúdio por intermédio de Clapton no final dos anos 80, "Living in the Material World" consegue retratar com detalhes a vida desse grande homem, artista, compositor, guitarrista, cantor, cineasta, jardineiro, pai, marido e grande colecionador de amizades fortes e duradoras.
Scorsese conta toda história, colocando as narrativas abertas ao mesmo tempo, muitas vezes voltando ao passado ou projetando o futuro para revelar um George Harrison não muito conhecido pelo grande público.
A música não podia deixar de seu o destaque do filme, usando canções de toda sua carreira, e fazendo jus a um dos maiores artistas do nosso tempo, que consegue através de sua obra permanecer vivo para sempre.
Hare George!

9 comentários:

  1. Emocionante, acho que é a palavra que resume esse filme. E créditos para o brilhantismo de Martins Scorsese!

    Vendo esse filme descobri porquê o Beatle preferido da sua mãe é o George: Ele é a cara do seu pai! rs. Não esquece de dizer isso a ela!

    Bjs ;)

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  2. Adorei sua resenha, concordo totalmente. Abraços.

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  3. Oi Lizzie,
    obrigado pela visita e pela divulgação
    Bjo

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  4. Oi Carol,
    muito obrigado pelo elogio e pela visita.
    Beijo

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  5. Oi Mell,
    concordo com vc, o longa é emocionante, e Scorsese é brilhante!
    Também vejo semelhanças entre o Harrison e meu pai. Vc tem q ver as fotos do casamento dos meus pais. Meu pai cabeludo parecendo o George, e minha mãe no estilo Sophia Loren...rss

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  6. Oi Esmeralda,
    fico muito feliz que vc tenha gostado da resenha.
    volte sempre
    Bjo

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