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sexta-feira, 30 de março de 2012

29 de Março de 2012 - ROGER WATERS, THE WALL - Engenhão (RJ)

A atual turnê de Roger Waters é cheia de particularidades. O roteiro da apresentação é sempre rigorosamente mantido; sem alterações ou surpresas. Mas usando o que a tecnolgia tem de mais moderno, o ex-líder do Pink Floyd sempre acaba impressinando quem assiste a um dos concertos onde o álbum dulpo “The Wall” é executado na íntegra. É uma experiência acachapante, ser testemunha dos efeitos visuais criados para dar vida as 26 canções quase que inteiramente compostas por Waters, e executadas pela banda no longíquo ano de 1979. O disco é conceitual, fala sobre abandono e isolamento, onde Waters se inspirou em sua própria vida para compor as canções. Agora ele entende que o sentido está ampliando, como declarou em entrevista: “Com essa nova produção 30 anos depois eu quis ampliar para que qualquer pessoa que sofra uma perda e se revolte possa se identificar com a história, mas que também compreenda que foi a perda que me permitiu ter uma empatia com outras pessoas. Eu ampliei, está mais político, com uma mensagem mais universal. Antes era sobre um homem de meia idade revoltado, agora trata dos muros que dividem as pessoas de maneira geral”.
O próprio Pink Floyd excursionou pouco com a turnê de "The Wall", talvez pela dificuldades e limitações técnicas da época. Assim, acabaram fazendo raros shows em poucas cidades. Dessa forma, a passagem pelo Brasil é histórica, e um fato a ser celebrado. Pena que nem todos no Rio de Janeiro perceberam isso, já que o Engenhão não ficou lotado.
A turnê sulamericana teve o diferencial de que pela primeira vez os shows serão realizados em estádios ao ar livre. O aparato técnico conta com fogos de artifício, telão circular, bonecos infláveis gigantes, explosões, e um imenso muro de tijolos brancos (uma parede de 137 metros de largura e 11 de altura) que, erguido durante o espetáculo, recebe projeções e efeitos hipnotizantes, além da reprodução de trechos do filme de 1982 baseado no disco e dirigido por Alan Parker, e imagens dos músicos em ação. Os efeitos visuais foram criados pelo próprio Waters, e são executados com perfeição pela mesma equipe responsável pela turnê "360°" do U2.
Outro o destaque é som quadrafônico com efeitos sonoros reproduzidos em um sistema de som disposto como uma espécie de home theater gigante. Fiquei um pouco desapontada com a potência do som. Em relação a regulagem e equalização estava perfeito, mas achei o som baixo. Esperava sentir a mesma pressão sonora do show do U2 do ano passado, ou dos shows de encerramento do Palco Mundo do Rock In Rio. O show começa com um avião desgovernado "explodindo" ao se chocar contra o muro, simbolizando a morte do pai de Roger, o segundo tenente Eric Fletcher Waters. Fogos de artifício explodem, acompanhando pelas guitarras pesadas da introdução de "In The Flash?". Ao fundo no telão aparece o símbolo dos martelos cruzados. Erguidos por elevadores surgem homens segurando bandeiras.
A banda é formada por 12 músicos, entre eles, o vocalista Robbie Wyckoff, que canta as partes que originalmente são de David Gilmour. Os guitarristas Dave Kilminster, G.E. Smith e Snowy White (que tocou com Pink Floyd nas turnês de 1977 e 1980) se revezam nos lindos e rascantes solos de Gilmour, alternando em reproduzi-los com fidelidade, ou com belos e inspirados improvisos.O primeiro boneco gigante vem representando o professor opressor, que surge em "The Happiest Day Of Our Lives", um espécie de Intro para o maior hit do álbum: "Another Brick in the Wall Part 2", que leva o público ao delírio, e conta com a participação do coral das crianças da Escola de Música da Rocinha, vestidas com camisetas com a mensagem “o medo ergue muros”, em inglês. O coro me pareceu ser um "playback brabo".Antes de "Mother", Roger faz a homenagem a Jean Charles de Menezes, da mesma forma como vem fazendo desde que iniciou a parte sul-americana da turnê: "Gostaria de dedicar este concerto a Jean Charles, sua família e sua luta por verdade e justiça; e também a todas as famílias das vítimas do terrorismo de estado em todo mundo. 'The wall' não é sobre mim, mas sobre Jean e todos nós", disse em português.
A seguir, anuncia que vai cantar com ele mesmo projetado no telão da turnê de 1980, show na arena Earl’s Court.
Outro boneco gigante surge, representando a mãe opressora e castradora. Durante o verso "Mother, should I trust the government?" ("Mãe, eu devo confiar no governo"?), um enorme "nem fudendo" é projetado, causando mais um grande delírio na platéia.
Em "Goodbye Blue Sky", uma grande sacada: aparecem aviões B-52 que soltam bombas em formato de símbolos: cruzes (católicas), muçulmanos (o crescente com a estrela), judaicos (estrela da Davi), comunistas (martelo e foice), capitalistas (cifrão), triângulo da Mercedes Benz e a concha da Shell, o "M" do McDonalds.
Sou o único que acha o refrão dessa música muito parecido com "Ruby Tuesday" do Rolling Stones?Em "Empty Faces" são usadas as célbres cenas do famoso filme de Alan Parker, onde duas flores copulam como se fossem dois órgãos sexuais, e geram um monstro que espalha terror sobre a terra. Enquanto isso o muro vai crescendo cada vez mais.Em "Yong Lust" são projetadas deliciosas imagens de mulheres nuas que dançam de forma sensual, que representam as famosas groupies que fazem de tudo pra chegarem perto dos seus ídolos.Em "Another Brick in the Wall Part 3", o muro está quase todo formado; há apenas três brechas mostrando Roger e alguns músicos.
Já em "Goodbye Cruel World", Waters está sozinho na única brecha do muro, ele canta a despedida no falso suicídio do personagem. Quando a música acaba, colocam o derradeiro tijolo.
Com o disco 1 terminado, começa um intervalo de cerca de 30 minutos. Em seu site, Roger Waters pediu que enviassem fotos de entes queridos que tivessem sido vítimas da violência. Ele recebeu milhares de fotografias, projetadas no muro.
Durante a pausa do show, as vítimas apareciam como mais um tijolo no muro. Identifiquei Gandhi, Chico Mendes, Emiliano Zapata, além do já citado Jean Charles.
Quando começa a segunda parte, o muro está totalmente erguido, e se transforma em uma imensa tela de projeção. Nesse momento não se vê mais os músicos, pois eles estão atrás do paredão. Em "Hey You" ficamos com a impressão de que estamos em um cinema, e não num show de Rock. Mas essa é idéia que Waters quer passar, do muro que separa a platéia da banda. Numa entrevista de 1979, Roger Waters relatou que a idéia surgiu nas última turnês, quando o Pink Floyd tocava para platéias gigantescas onde uma parte eram velhos fãs que iam nos ver tocar, mas a maioria estava lá pela pela bagunça e pelo evento em si; o que gerava uma experiência alienante, onde ele identificava um muro entre banda e platéia.
Em "Nobody Home", surge uma brecha no muro, onde Roger canta sentado no sofá em frente a TV, num cenário de um quarto. É a representação de que a solidão e a alienação podem transformar o lar em uma prisão.
A parte mais emocionante de todo espetáculo é sem dúvida "Comfortably Numb". Waters canta a canção na frente do muro, enquanto Robbie Wyckoff surge no alto do muro para fazer o vocal de Gilmour.
Arrepios por todo corpo garantidos durante os dois eletrizantes solos de guitarra. Na hora imaginei David Gilmour no topo do muro com sua Fender Stratocaster, como aconteceu em uma das apresentações em Londres no ano passado. Que inveja!
Mas justiça seja feita, o guitarrista Dave Kilminster o substituiu de forma honrosa.
Na repetição de "In The Flash?", a banda reaparece, desta vez na frente do muro, com os músicos vestidos de preto e usando braçadeiras com o símbolo dos dois martelos. Roger chega de sobretudo e braçadeira encarnando o líder fascista. O muro é tomado por colunas com o símbolo dos martelos cruzados.
É aí que nota-se a única falha da super produção: a baixa altura do palco, que impossibilita a grande maioria do público de enxergar os integrantes da banda nesse momento.
"Run Like Hell" é o momento em que a platéia dá show em sincronizadas palmas. O célebre porco é solto no ar, com várias inscrições em português, como "Porcos fardados" e "Chega de Corrupção". O suíno também vem cheio de símbolos de poder como cifrão, o martelo e a foice
Em "The Trial" o muro vem abaixo com uma explosão, acompanhada de aplausos, gritos empolgados, e lágrimas de alguns fãs que não acreditavam que eram testemunhas daqueles momentos mágicos.
O encerramento vem com a acústica "Outside the wall", executada com ukulele, banjo, acordeão, violão e trompete. Antes Roger e banda cantaram o corinho de "Olê, Olê, Olê, Olê Ole...". Ao fim Waters apresentou cada integrante, que se despedia e deixava o palco, um a um. Em sua despedida, o gênio criativo disse:"Obrigado, Rio. Vocês foram uma plateia magnífica".
Podem chamá-lo de megalomaníaco e oportunista. Mas Roger Waters consegue fazer com que uma obra que completa 30 anos, seja atual, soando como nova em folha. Além disso ele proporciona a cada um da platéia a sensação de ter visto o show mais bonito e com os efeitos mais impressionantes que seus olhos já presenciaram.
Set 1
In the Flesh?
The Thin Ice
Another Brick in the Wall Part 1
The Happiest Days of Our Lives
Another Brick in the Wall Part 2
Mother
Goodbye Blue Sky
Empty Spaces
What Shall We Do Now?
Young Lust
One of My Turns
Don't Leave Me Now
Another Brick in the Wall Part 3
The Last Few Bricks
Goodbye Cruel World

Intervalo

Set 2
Hey You
Is There Anybody Out There?
Nobody Home
Vera
Bring the Boys Back Home
Comfortably Numb
The Show Must Go On
In the Flesh
Run Like Hell
Waitig for the Worms
Stop
The Trial
Outside the Wall

3 comentários:

  1. Nossa, que postagem enorme! Escreveu pra caramba, hein?! rsrs.
    Mantenho o mesmo que disse no dia do show: Não me emocionou, mas visualmente foi o show mais bonito que já vi...
    Ps: Não creio que vc deixou de fora o fato da gente quase morrer asfixiado por causa da maconha quase onipresente! rs

    Ps 2: Parabéns pelas fotos, ficaram ótimas ;)

    Bjs

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  2. O Mell, depois de um show desses tinha q ser um post grand, né?
    Concordo com vc, visualmente foi o show mais bonito que já vi tb, superando nesse quesito o U2 e Rush.
    Em relação a maconha, realmente estava brabo de aguentar. Vou a shows desde os 5 anos de idade,e nunca vi coisa igual. A galera estava consumindo de forma industrial. rsss
    E obrigado pelos elogio as fotos, percebeu que três não foram feitas por mim?
    Beijos

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