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terça-feira, 23 de março de 2010

20 de Março de 2010 - DREAM THEATER NO CITIBANK HALL


Em 1997, no extinto Imperator, vi pela primeira vez um show do Dream Theater, com abertura do excelente trio paulista Dr.Sin. Em 2005, no atual Citibank Hall, lá estava eu novamente pra conferir os virtuoses do metal progressivo.
Agora em 2010, antes de começar a apresentação, duas coisas me chamaram a atenção: a maior parte do público era de adolescentes, e a presença marcante de mulheres. Não sabia que o Dream Theater era tão popular entre a molecada, bom sinal... Quanto a presença feminina, é claro que são em minoria, mas normalmente só tem macho, ou alguma namorada que vai arrastada.
Cerca de cinco mil fãs esperavam pelo início, ouvindo versões acústicas e com vocais femininos de clássicos da banda como "As I am" e "Pull me under". Até que as luzes se apagam e entra a sinistra trilha-sonora de "Psicose" de Bernard Hermann, e o quinteto aparece no palco, abrindo com "A Nightmare to Remember", do mais recente CD "Black clouds & silver linings", que eu ainda não havia escutando. Mas ao contrário de mim, o púplico não só conhecia, mas sabia a letra de cor, e cantava e vibrava, durante os quase vinte minutos da canção.


















E a noite, foi nessa onda, de músicas de longa duração. Pra ter uma idéia, o setlist foi composto por 9 canções, e teve duração total de quase duas horas e meia. Essa característica é comum ao rock progressivo, mas acho que poderiam ter mesclado mais com algumas de duração menor, e talvez daria mais dinamismo à apresentação.
O palco era simples, a bateria de Mike Portnoy numa plataforma elevada no centro, e o tecladista Jordan Rudess a esquerda; mais a frente ficavam os outros três, sendo que o baixista John Myung ficava mais a esquerda, o vocalista James Labrie ao centro, e o guitarrista John Petrucci a esquerda. Por falar em Petrucci é impressionante como o cara está bombado, já tinha percebido isso quando ele tocou no G-3 em 2006, mas ele está ainda mais forte. Espero que ele não esteja tomando nada que faça mal, porque seria muito triste perder um talento por burrice.


Apesar da simplicidade, o palco era bem bonito, com faixas prateadas penduradas no teto, próximas aos refletores, fazendo alusão às "silver linings" do título do novo CD. No fundo havia um telão, sem contar os dois laterais que fazem parte da casa, onde eram projetadas animações referentes as capas dos discos de cada música que era executada.
Na sequência, a banda tocou "The mirror" e "Lie", as duas estão presentes no excelente "Awake" (de 1994), que foi o álbum aonde conheci o Dream Theter, e admito que foi nessa hora que comecei a pular como louco, embalado pelo riff pesado e pulsante da primeira.

Em a "A Rite Of Passage", mais uma do trabalho novo, Jordan Rulles demonstrou porque é um dos maiores tecladistas do mundo. Com seu teclado numa base giratória, ele fez um duelo virtual com seu alter ego, um bonequinho animado que aperecia no telão vestido de mago e com uma barbicha branca. Jordan foi um dos destaques da noite, duelando com Petrucci, e indo às vezes a frente do palco, com seu teclado em formato de guitarra.

Em "Sacrificed sons" (de "Octavarium", de 2005) foram mostradas no telão imagens do atentado de 11 de setembro de 2001. Já em de "In the name of God" (de "Train Of Thought" de 2003) que mostrou imagens do fanático religioso David Koresh que promoveu o suicídio em massa de seus fiéis no Texas, em 1993; esta foi antecedida por "Solitary Shell" (de "Six Dreguees of Inner Turbulence", de 2002), aonde cada músico teve seu momento de brilhar; Petrucci pra variar arrasou, num solo com influência de jazz, alternando notas rapidíssimas, com trechos aonde mexe no botão de volume promovendo o efeito que faz lembrar o som de um violino, técnica consagrada com os Steves Howe e Morse. Mike Portnoy, abandona o banquinho, e numa perfomance surpreendente, toca a estrutura externa de sua bateria, tirando som das ferragens, e dos pedestais de microfone; é claro que se trata de uma presepada, mas não se restringe somente a parte cênica, porque Portnoy literalmente toca essas peças que originalmente servem apenas como suporte.

É engraçado, que eu já tenha visto 4 shows de Mike (3 com o Dream Theater e um na banda que acompanhou John Petrucci no G3), mas em nenhum deles presenciei um solo de bateria. É de se estranhar, pois se trata de uma dos maiores do seu instrumento na atualidade, e seria mais que natural que houvesse solo em todas as suas apresentações. Mas ele compensa isso, fazendo caretas, tocando de pé em várias passagens, e fazendo palhaçadas, como aparecer no telão enfiando uma das baquetas dentro do nariz, enquanto faz uma passagem ou virada complexa.
A última antes do Bis foi a canção "Take The Time", presente no clássico "Images And Words" (de 1992), segundo álbum da banda, e primeiro a contar com James Labrie, que em grande noite atingia agudos impressionantes, fiéis às gravações originais.

Voltarm ao palco pra fechar com a épica "The count of Tuscany", outra de "Black clouds &, silver linings", com direito a uma música incidental do Rush. E o trio canadense sempre foi a maior referência e influência para o Dream Theater, desde os primórdios.
Foi uma apresentação que contava com verdadeiros músicos, que são monstros em seus instrumentos. Na década de 70, era comum, ou praticamente uma obrigação que os componentes de um grupo musical fossem no mínimo excelentes músicos. Ser um virtuose era considerado mais que um elogio, era uma honra. Tínhamos no progressivo exemplos como Yes, Genesis, Focus e Emerson, Lake & Palmer; no rock pesado Led Zeppelin e Deep Purple; até no pop essa regra era aplicada, como na superbanda Earth, Wind & Fire.
É importente que ainda existam bandas como o Dream Theater, que felizmente não deixam essa tradição morrer. E que bom que tem uma molecada que faz a cabeça com esse tipo de som: que vibra com cada virada de bateria, que delira com um arpejo bem feito, que se emplogue com um solo bem executado.

SETLIST:
1. A Nightmare To Remember
2. The Mirror
3. Lie
4. A Rite Of Passage
5. Keyboard Solo
6. Sacrificed Sons
7. Solitary Shell
8. In The Name Of God
9. Take The Time
Bis: . The Count Of Tuscany

4 comentários:

  1. "ou alguma namorada que vai arrastada" tipo eu =D
    hahahahaha

    Tudo bem, nem tanto assim!

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  2. Vc não foi arrastada, até pq foi vc que comprou os ingressos do Show e me deu de presente.
    ;-p

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  3. Esse de 2010 eu perdi..

    O Portnoy de fato sempre gosta de fazer umas gracinhas durante o show rs :)

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    Respostas
    1. Mas a gente adora as macacadas que ele faz. Não é mesmo, amigo?
      Abração

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