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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A PROVA DE MORTE - TARANTINO: SANGUE, BELAS GATAS E BOA MÚSICA

No mês passado, vi no cinema o "novo" filme de Tarantino. Lançado no Brsail com atraso de três anos, "A Prova de Morte" ("Death Proof") faz parte do projeto " Grind House", parceria do diretor com Robert Rodriguez, que consite em dois longas (o já citado e "Planeta Terror") que nos Estados Unidos foram lançados simultaneamente. É uma homenagem aos "trash movies", os famosos filmes B de terror e Scifi, que também têm em comum o baixo orçamento, cenas com muito sangue e belas atrizes em trajes sumários. Tarantino sempre teve esse estilo como referência e influência, e sempre demonstrou isso em seus trabalhos.

Vi "Planeta Terror" em 2007, e me diverti muito com a história de zumbis que foi protagonizada pela gata Rose Mcgowan, que aparece ao lado de Rosario Dawson na capa da Rolling Stone sobre "Grind House".
Já "A Prova de Morte" não é tão bom. Nesse Quentin cria uma atmosfera visual pra que o espectador tenha a sensação de estar vendo uma película dos anos 70. A imagem é tratada para dar a impressão de ser de um filme velho, e imperfeições são colocadas propositalmente pra reforçar essa idéia. Em vários momentos os cortes das cenas são feitas de uma forma que pareça que houve erros na montagem.
Mais uma vez ele cria um roteiro onde as figuras femininas têm maior destaque, porém Rose Mcgowan tem um papel secundário. É basicamente dividido em duas partes.

A primeira mostra o grupo de meninas liderado pela DJ Jungle Julia (vivida por Tamiia Poitier, filha do ator Sydney Poitier) que viaja de carro para o Texas junto com suas amigas, Arlene (Vanessa Ferlito) e Shanna (Jordan Ladd) . No caminho, elas param em um bar, onde conhecem o ex -dublê Mike (Kurt Russel), que seguiu as garotas até lá, e dirige um carro que foi projetado pra ser "a prova de morte". Dessa parte inicial o destaque fica pro pitelzinho da Vanessa Ferlito que protagoniza a melhor cena do filme, fazendo para Mike uma "Lap Dance" de tirar o fôlego.

A segunda história acontece um ano depois, quando Mike escolhe um novo grupo de garotas para atormentar: As dublês Zoe ( Zoe Bell) e Kim (Tracie Thoms) , a cabelereira Abernathy (Rosario Dawson) e a modelo Lee Montgomery (Mary Elizabeth Winstead). A mais gata dessas é sem dúvida Mary, que passa a sequência toda com roupinha de cheerleader.

O que é mais bacana é que apesar de todas as atrizes serem gatas, nenhuma delas possue o corpo perfeito; e Tarantino utiliza ângulos e enquadramentos pra mostrar a belezas das atrizes de uma forma natural, fazendo com que pareçam mulheres de verdade. Ao contrário do que fazem 90% das produções hollywoodianas que mostram garotas perfeitas demais que acabam parecendo artificiais.

A trama na verdade pouco importa, e Tarantino está mais preocupado em usar sua criatividade nos tradicionais longos diálogos, no humor inserido no meio da violência explícita, nos já citados enquadramentos das meninas, e nas variações de cores, que passam do preto no branco para o multicolorido.

O motivo real dessa postagem é pra destacar a excelente trilha sonora, o que é uma constante em sua obra. Tradicionalmente Tarantino pega canções desconhecidas do grande público e as eterniza, ficando difícil dissociar a música do filme. Garimpando ele nos brinda com "Baby It's You" interpretada pela banda Smith; nada a ver com Morrissey, Johnny Marr e cia, trata-se de um grupo de soul dos anos 60 e 70. A belíssima canção é uma composição do grande melodista Burt Barcharach e dos letristas Mack David e Barney Williams, e foi gravada originalmente por The Shirelles. A primeria versão que conheci foi com os Beatles, que a gravaram em seu álbum de estréia "Please Please Me".

Outra pérola é apresentada quando Jungle Julia pede por telefone a sua rádio a canção "Hold Tight" do grupo britânico dos anos 60 Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich. Ela inclusive fala sobre uma lenda que Pete Towshend quase saiu do The Who pra se juntar a eles. Na verdade, Townshend chegou a considerar a idéia de entrar na banda, quando Roger Daltrey foi despedido do The Who por um curto período de tempo, e o baixista John Entwistle pensou em entrar no The Moody Blues para substituir Clint Warwick.

Não podia deixar de citar "Down in Mexico" do The Coaster, que a sensual Arlene escolhe no jukebox para embalar sua dancinha, na sequência que já elegi como a melhor.

4 comentários:

  1. Li esse post bem tarde... Mas, cara, como assim Death Proof não é tão bom?
    Acho que foi um trunfo no estilo Tarantino de se fazer um filme: você começa a entender no meio do filme já, fotografia bacana, etc etc
    E é bem mais consistente que Planet Terror no enredo e na coerência [já percebeu que em Planet Terror os zumbis resistem mais ou menos dependendo de quem bate?]

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  2. Um dos melhores do Tarantino. Muito mais coerente mesmo que Planet terror. Lap Dance, violência, sarcasmo e Rosario Dawson mandando ver na estrada com duas dublês contra um psicopata.

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  3. Jr, Abernathy (Rosario) não é cabelereira (hehe) mas sim maquiadora artística (pra quem não sabe é quem transforma os atores em zumbis) e a Lee na verdade é uma atriz. Elis

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  4. Interessante como do nada apareceram comentarios, depois de mais de um ano da postagem.
    Mas vamos la:
    Damilla e Anonimo (a), nao quis dizer que "Death Proof" seja um filme ruim, apenas que gostei e me diverti mais com "Plante Terror". E concordo com vcs, realmente "A prova de Morte" eh bem mais consistente e coerente.

    Elis, obrigado pelas correçoes. Mas a Lee alem de atriz eh modelo.

    Obrigado pelos comentarios, mesmo que tardios..rssss

    E desculpem a falta de acentos

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