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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

RESENHA DE "ÁRIA" - NOVO CD DE DJAVAN

Como havia escrito na postagemDJAVAN LANÇA DISCO DE COVERS
, ainda não ouvira o novo álbum do Djavan, mas que com certeza seria coisa boa. Agora que ganhei o CD da minha amiga Susana, posso fazer a resenha.
Parafraseando o próprio compositor, escutar um disco do Djavan é como ouvir Gal e Tom, o que rolar é bom.
Ao pegar o CD a primeira coisa que chama atenção no trabalho gráfico é a elegância e o capricho. A embalegem bonita, feita de papelão, na capa uma foto em preto e branco, com o cantor nem belo terno, posando ao lado de um contra-baixo acústico. E esse instrumento tem grande destaque no disco, nas mãos do excelente baixista André Vasconcelos. Mas o que fica sempre em primeiro plano é o eficiente violão de nylon, e o belo e inconfundível timbre da voz de Djavan.
Seu trabalho anterior foi "Matizes" de 2007, e dessa vez seu novo CD em apenas com regravações, o que é inédito na carreira de Djavan, que é considerado um dos melhores compositores do Brasil.
Raramente grava em seus discos canções de outros autores. Seu recorde nesse quesito foi em "Malásia" de 1997, em que gravou Paulinho da Viola, Tom Jobim e a versão de João de Barro para "Smile" de Charles Chaplin. Também exercitou sua veia de intérprete no projeto "Songbook" de Almir Chediak, participando das edições para Chico Buarque, Gilberto Gil, Braguinha, Noel Rosa, Tom Jobim e João Donato.
Outro fato inédito é que esse é o seu primeiro disco que não conta com um baterista.
Em "Ária" com de costume, Djavan assina os arranjos que apesar de parecerem simples, possuem alto requinte e bom gosto. Abre o discoacompanhado apenas por seu violão em "Disfarça e Chora", belíssimo samba dor-de-cotovelo de Cartola e Dalmo Castelo.
De Caetano Veloso ele canta "Oração ao Tempo", verdadeira poesia em forma de canção. Nessa faixa além do baixo de André, temos a discreta percussão do genial Marcos Suzano, e a guitarra de Torquato Mariano.
"Sabes Mentir" (de Oton Russo)é a lembrança de sua infância, de ouvir sua ídola Angela Maria, e de cantá-la com sua mãe. É a atual música de trabalho. Nessa a percussão fica a cargo de Marco Lobo.
Volta às origens no samba exaltação "Apoteose ao Samba" (de Silas de Oliveira e Mano Décio) que faz lembrar o primeiro disco de sua carreira, onde Djavan surgia com seu novo e original samba sincopado.
A minha favorita é "Luz e Mistério", parceria de Beto Guedes com Caetano Veloso, que também já foi gravada lindamente por Zizi Possi. É uma bela melodia de Beto num casamento perfeito com letra inspiradíssima de Caetano. O arranjo "djavaniano" cheio de tempos quebrados e os solos magistrais da guitarra de Torquato enriquecem ainda mais essa versão. Na percussão Suzano faz dueto com Leonardo Reis.
Se não fosse pelo idioma espanhol, "La Noche" passaria tranquilamente como composição de Djavan. Destaco o belo trabalho de Reis na percussão e de Torquato bo Violão de nylon.
Os famosos improvisos vocais aparecem na instrumental "Treze de Dezembro" de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, transformada em Bebop, com direito a walking bass. O resultado é curioso e divertido.
No já citado "Songbook" de Chico Buarque, Djavan havia gravado "Tatuagem" e "Valsa Brasileira". Esta última reaparece em "Ária", com novo arranjo, até mais bonito, com a união do violão, baixo e guitarra, ressaltando ainda mais a bela composição de Edu Lobo e Chico, e o vocal.
Outra feliz escolha foi "Brigas Nunca Mais"de Vinícius e Tom. É outra gravada sozinho, no esquema voz e violão. É tocada como se fosse em duas partes, com a segunda tendo uma interessante divisão rítmica.
"Fly Me To The Moon" e "Palco" são as duas mais famosas do disco. A primeira eternizada por Frank Sinatra, e a segunda que fecha o álbum é um dos maiores sucessos de Gilberto Gil. Mas nas duas, principalmnet na de Gil, Djavan consegue colocar sua marca registrada e seu selo de qualidade, tomando-as como suas.
Em "Nada a Nos Separar" (Wayne Shanklin -versão romeo Nunes) a alegre melodia é contrastada com a letra triste do começo, que no fim é animada com a esperança de se ter um final feliz com a amada.
O novo trabalho faz jus a sua excelente discografia. No disco Djavan vem cantando muitíssimo bem, e nesse fim de semana poderei conferir no Citibank Hall (RJ, dias 1 e 2 de outubro) se ao vivo ele mantem o mesmo nível. Também estou curioso pra conferir os novos arranjos prometidos para seus clássicos, que serão apresentados na novíssima turnê.

2 comentários:

  1. legal, mas eu não ouvi ainda sabe,eu também ecrevo músicas e vou participar de um cd em co-autoria com meu Primo Marcos Pessoa, que também é músico.Além do mais estou tentando escrever meu livro( coisa dificil de sair!)e mais agora vou ter que voltar a cantar de novbo e árias não é uma coincidência? POrque compnho música popular mas ´so canto música erudita porcausa da minha voz de soprano ligeiro que spó serve mesmo par ópera ou para música do tipo New age ou celtic. Também tenho um blog WWW,mulherdfemercurio.blogspot.com no meu orkut tem uma de minhas composiçôes lá. è só clicar no link abaixo , ouvir e dar a sua opinião via depoimento. Grata Ana orkut CICIMMM.

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  2. Oi Ana,
    Obrigado pela visita.
    E boa sorte em sua carreira.
    beijo

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