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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

21 de Novembro de 2010 - SHOW HISTÓRICO DE PAUL MCCARTNEY NO MORUMBI (SP)

Sim, o Morumbi ficou lotado, como mostra a foto acima, não tinha lugar pra mais ninguém. Ao entrar no estádio e garantir meu lugar junto à grade que separava a pista premium da comum, comecei a contar as 4 horas de espera que viriam pela frente, e tentava controlar a ansiedade de estar preste a realizar um sonho de menino.Não era um show de um artista qualquer, afinal era Paul McCartney o cara que mais vendeu discos na história, o maior ganhador de discos de ouro e de platina de todos os tempos, um dos maiores compositores do mundo, um dos baixistas mais originais, um dos músicos mais completos...
Poderia continuar enumerando sauas qualidades e feitos, mas vou simplificar: Paul McCartney foi integrante e um dos fundadores dos Beatles.
No alto de seus 68 anos, bilionário, ele não precisaria fazer mais nada na vida. Poderia ficar em uma de suas luxuosas propriedades andando a cavalo, ou vendo o tempo passar. Mas prefere encarar viagens cansativas, pelo puro prazer de exercer sua arte para aqueles que o amam.
Faltando 10 minutos pro início do espetáculo, nos dois teloões laterais começaram a aparecer imagens, fotos e objetos relacionados aoas Beatles e a carreira de McCartney. Até que chega a hora marcada para o show e o video recomeça, para desespero dos corações aflitos dos fãs. Até que com cinco minutos de atraso surge Paul de paletó azul, e com um sorriso largo saudando o público com empolgação, acompanhado por Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra/ baixo), Abe Laboriel Jr (bateria) e Paul Wickens (teclados). Confesso que fiquei meio sem acreditar, cheguei a pensar "Será que é ele mesmo?"; até que começa o medley "Venus And Mars/Rock Show", que entra em "Jet", que explode a platéia.
Tive que respirar fundo em "All My Loving" pra não começar a chorar, até que entraram os solos de guitarra de Brian Ray em "Letting Go" e consegui segurar a onda.
A sequência com o clássico dos Beatles "Drive My Car", o rock/blues de "Highway" do projeto Firemen, e o belo riff de "Let Me Roll It" com direito a "Foxy Lady" de Jimi Hendrix no fim, fez o espírito Rock and Roll dominar o ambiente.
Aí MacCa foi pro piano, e com a lua cheia como testemunha, começa a cantar os primeiros versos daquela que considero a mais bela das canções de amor: "The Long And Winding Road"; aí foi foda, não deu pra segurar a emoção. O próprio título descreve o tanto que tive que esperar por aquele momento.
Paul é amado em todo mundo, poderia muito bem fazer como Axl Rose, se lixar para o público e atrasar sua entrada em 4 horas, ou dar uma de estrela antipática que não perderia nenhum fã. Mas ao invés disso ele esbanja humildade, simplicidade e muita simpatia, fazendo questão de decorar inúmeras frases em portugês. O ex-beatle saudou o público com um "boa noite, São Paulo", chamou os espectadores de "paulistas" várias vezes - e avisou que tentaria falar português.
Antes de cantar "My Love" diz: "Eu escrevi essa música para a minha gatinha Linda. Mas essa noite ela é para todos os namorados", e mais lágrimas escorreram da minha face. Achei que estivesse pagando o maior mico até ver que boa parte das pessoas ao meu lado também estavam chorando.
O set acústico começa com a alegre " I've Just Seen a Face". Em "And I Love Her" lembrei muito do meu pai que me ensinou a tocá-la no violão, liguei pra casa mas ele já estava dormindo, mas minha mãe dividiu a emoção comigo.
Sozinho no palco , com seu violão, Paul toca "Blackbird", e num dos momentos mais emocionantes, avisa: "Eu escrevi essa música para meu amigo John", e canta "Here Today" que compus quando Lennon foi assassinado; apesar de não ter sido um hit, sempre foi uma música muito querida pelos fãs.
Com bandolim toca "Dance tonight", do seu último CD "Memory Almost Full", enquanto que o figuraça da bateria, Abe Laboriel Jr, conquista a todos com sua dancinha, numa mistura de "ula-ula" e "macarena".
O eterno beatle fica nitidamente emocionado com as inúmeras demonstrações de carinho do público, que expressaram sua admiração pelo ídolo entoando "We love you, yeah yeah yeah" no ritmo da clássica "She loves you"; Paul não deixa por menos e retribui com "I love you, yeah yeah yeah".
George também foi homenageado: imagens de Harrison no telão, e Paul de ukelele na mão leva a belíssima "Something", aquela canção de George Harrison que Frank Sinatra considerava a mais bonita canção de amor e "a melhor composição de Lennon/McCartney".
O álbum "Band On The Run" é considerado o melhor disco de Paul McCartney fora dos Beatles. Por estar completando 35 anos do seu lançamento, várias de suas canções foram incluídas no repertório da nova turnê: "Jet", "Let Let Me Roll It", "Nineteen Hundred and Eighty-Five", "Mrs Vandebilt", e é claro a faixa-título,que de tão boa é obrigatória em qualquer uma de suas apresentações. Na segunda noite ainda rolou "Bluebird", talvez a minha preferida do LP.
"Ob-La-Di, Ob-La-Da" talvez seja a pior canção gravada pelos Beatles, e provavelmente foi colocada no setlist pra provar que até o ruim do Fabfour é muito bom. Mas até que sua levada Reggae serviu pra colocar todo mundo pra dançar.
Os Rockões "Back in the U.S.S.R." e principalmente "I've Got a Feeling" serviram pra mostrar que o velhinho não brinca em serviço. Ok, sua voz mudou um pouco com o passar dos anos, mas Paul continua cantando pra cacete. E não amarela nas notas mais altas, como se fosse um inconsequente, se atira com vontade, e consegue atingir seus agudos característicos, sem se preocupar em poupar a voz nas quase 3 horas de show. O puto não pára nem pra beber água. O cara tem simplesmente o dobro da minha idade, e tem vitalidade e energia de sobra pra correr o palco todo, ou seja, além de gênio da música, McCartney é um fenômeno da natureza.
A banda prova que manda bem nos vocais reproduzindo com perfeição as complicadas vozes da gravação original de "Paperback Writer".
A galera de São Paulo faz outra surpresa no medley: "A Day in the Life / Give Peace A Chance", onde milhares de bolas brancas surgem, promovendo uma bela cena que foi elogiada pelo homenageado. A ideía foi dos fã-clubes que compraram e distribuiram os balões.
Como deu pra perceber sou tiete declarado dos Beatles e de Paul McCartney, mas têm aquelas músicas que de tanto ouvir já ficaram batidas, e até preferia que não fossem tocadas. "Let It Be" e "Hey Jude" estão entre elas; mas ao vivo é outro papo! Essas baladonas com a energia do momento e com a emoçao do público parecem ficar anabolizadas, e explodem no incontrolável "Na, Na, Na, Na, Na, Na, Na, Na, Na, Na, Hey Hude!".
Tirando a qualidade dos telões de alta definição, não houve nada de muita tecnologia ou pirotecnia, isso até a hora de "Live and Let Die", que foi uma verdadeira loucura de fogos de artifício, chamas e explosões, provocando delírio geral, e finalizando com Paul simulando que ficou surdo com o barulho.
Já fui sabendo a ordem de todas as músicas, mas o fato de não ter surpresas não tirou a graça. No primeiro Bis pelo menos 2 petardos: "Day Tripper", com um dos maiores Riffs de todos os tempos, e "Get Back".
No segundo Bis, o impressionante fato de que a singela e melodiosa "Yesterday" e a gritaria do Heavy Metal embrionário de "Helter Skelter" foram compostas pela mesma pessoa, e é interessante o contraste das duas tocada em sequência.
E quando acaba o show fica claro e mais do que provado, que é no final que o amor que voce recebe é equivalente ao amor que você doa.
Plageando a Mell: "SIR PAUL MCCARTNEY, OBRIGADO PELO MELHOR SHOW DA MINHA VIDA".
SETLIST:
1.Venus And Mars/Rock Show
2.Jet
3.All My Loving
4.Letting Go
5.Drive My Car
6.Highway
7.Let Me Roll It / Foxy Lady
8.The Long and Winding Road
9.Nineteen Hundred and Eighty-Five
10.Let 'Em In
11.My Love
12.I've Just Seen a Face
13.And I Love Her
14.Blackbird
15.Here Today
16.Dance Tonight
17.Mrs Vandebilt
18.Eleanor Rigby
19.Something
20.Sing the Changes
21.Band on the Run
22.Ob-La-Di, Ob-La-Da
23.Back in the U.S.S.R.
24.I've Got a Feeling
25.Paperback Writer
26.A Day in the Life / Give Peace A Chance
27.Let It Be
28.Live and Let Die
29.Hey Jude

Encore:
30.Day Tripper
31.Lady Madonna
32.Get Back

Encore 2:
33.Yesterday
34.Helter Skelter
35.Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
36.The End

4 comentários:

  1. Bom, eu esperei por esse momento desde os meus 11 anos, mais ou menos. Faz um tempinho. Só de ler sua postagem, me lembrar desse momento, ouvindo "meu esquenta" para o show, meu olho já ficou marejado.
    Infelizmente não apareci no Multishow, mas quando a reporter me perguntou o que significava o Paul para mim, um colega de fila gritou: "porque ele é um Beatle". Sim, isso é verdade, mas ele é bem mais que isso. Ele é um gênio, uma carreira solo brilhante. As músicas variam entre "animadinhas", eletrônicas, passando pelo romântico "água com açúcar", ao sensual extremo. Isso tudo sem deixar de lado o bom e velho rock´n roll. Tem como não sorrir ouvindo "Mrs. Vandebilt"? E "ob-la-di, ob-la-da" Eu só cantei porque fiquei com "dó", afinal o Paul sempre canta sozinho... risos. Agora me lembrei de um fato: na época do colegial eu dizia "se um dia eu e casar na igreja, vou entrar com 'No more lonely nights'". Pronto, pra que fui falar isso, o pessoal fazia coro, gritava, batia palmas... imaginavam a cena como sendo a coisa mais animada do mundo, enquanto a versão nos meus sonhos era acústica.... risos. Bons tempos...
    Enfim, voltando ao Paul, pessoa que vive de acordo como que diz, que para defender um animal, não basta proteger seu animal de estimação, mas todos que existem no mundo e trabalha por esta causa. Que fala de amor, que exala amor. E para mim, continua lindo.
    Agradeço a todos os amigos que me avisaram, que lembraram de mim quando viram o anúncio da vinda, mesmo ainda sem data. Agradeço a meu amigo Arthur, que chegou cansado e mesmo assim entrou na estressante internet para comprar minha sonhada área VIP, mas que conseguiu comprar a pista. E ainda parcelou!!! Ao Raul, que honrou sua palavra e me vendeu a pista de segunda. Um sonho duplamente realizado.
    No primeiro show, não acreditava que ia ver o homem da minha vida (ele só não sabe disso, o que é um detalhe.. risos) e me contive. Eis que toca "The long and winding road". Desabei. Chorei como criança. Isso sim é homem, aquele que faz você chorar de emoção. Após um ano muito difícil, com várias lágrimas derramadas de dor, finalmente pude encerrar o ano com chave de ouro: ver o meu amado McCa, e voltar a comer chocolate após 1 ano. Com tanta alegria, nem tive inferno astral! O segundo show, foi só alegria e curtição. Se eu acreditava que tinho vosto o Paul? Até hoje, não... às vezes parece masi um sonho, dos inúmeros que já tive com ele.
    Não é à toa que meu toque de celular é "Ever present past", se bem que estou em mudar para " 'los Paranoias' come on and enjoy us", huahahua.
    Saí de lá me sentindo importante, fiz amizades com pessoas maravilhosas, revi amigos que amo.
    E com a certeza de que como ele não há ninguém, e que posso tudo, tudo. Que a realização dos meus sonhos só depende de mim. E que eu sou capaz. E, em lágrimas, termino: "Eu fui!!! MacCa gonna change my world".

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  2. Oi Maysa, emocionate seu depoimento. Vc , como eu , é uma fã de verdade.
    Parabéns!

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  3. Parabéns pelo texto.. emocionante!

    Esse foi sem dúvida o melhor show de toda a minha vida! Sim, pq o primeiro show de Paul McCartney.. a gente nunca esquece né? =D
    Foi a realização de um sonho que eu tinha desde os 13 anos! Vibrei qdo comprei os ingressos e pulei abraçada com minha amiga qdo fomos à bilheteria retirar os ingressos lindos e brilhantes!
    Emoção maior qdo ele entrou no palco, meu coração parecia que ia sair pela boca, o chão sumiu, chorei feito criança. Uma alegria imensa, parecia q eu poderia correr por horas gritando aos 4 ventos "Eu estou no show do Paul!!" rsrsrs. Cada música tocada era um sonho realizado e uma história de vida relembrada. Ver a simpatia, a preocupação em agradar todos e cada um dos fãs ali presentes, e a vontade de tocar.. o prazer q ele sente fazendo um show.. não tem preço!
    O que me impressiona é que eu nunca vi, tanta gente chorando tanto em um show. rsrs Fui sozinha pra ver os 2 shows, mas não me senti sozinha lá, pq beatlemaníaco e um fã diferente.. fiz amizades, chorei abraçada com pessoas q nunca vi... mas q sentiam a mesma coisa q eu. Foi incrível! E no dia seguinte ainda fiquei na grade, frente a frente com o cara... sem palavras pra descrever! Não sei como sobrevivi.. kkkkkk

    Parabéns pelo blog J.C!!

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  4. Oi Tatii Andrade, muito obrigado pelo elogio.
    Adorei o seu relato, e saiba que as emoções que senti foram muito parecidas com as suas.
    Beijão

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