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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

24 de Novembro de 2010 - JEFF BECK NO VIVO RIO (RJ)

Em 1998, no finado "FreeJazz Festival", assisti ao show de Jeff Beck, esse verdadeiro Deus da Guitarra. Na mesma noite se apresentou o lendário saxofonista Wayne Shorter.
Agora em 2010, mesmo o Rio vivendo uma verdadeira guerra civil, me despenquei em direção ao Vivo Rio para ter o privilégio de rever a perfomance incendiária desse músico extraordinário.
Juntamente com Eric Clapton e Jimmy Page, Jeff Beck forma a Santíssima Trindade da Guitarra Britânica, e mesmo sendo um fã ardoroso do guitarrista do Led Zeppelin, tenho que admitir que Beck é o mais técnico, e isso parece ficar mais evidenciado nos dias atuais, e digo isso com a propriedade de quem já assistiu à apresentações ao vivo dos três. Não estou dizendo com isso que ele é o melhor, até porque essa discussão seria interminável e provavelemnte não teria um veredito. Mas passionalmente prefiro o Page.
A casa recebeu um bom público, formado na sua maioria por homens de meia idade que vibraram do início ao fim. Não posso deixar de elogiar a qualidade do som que estava excelente, o que permitia que o maravilhoso timbre que Jeff Beck tira da sua Fender Stratocaster soasse divinamente. Posso dizer sem pestanejar que o som de sua guitarra está entre os quatro melhores que já ouvi ao vivo, ao lado de Brian May, Tony Iommi e Carlos Santana.
Os músicos que formavam sua banda eram coisa de outro mundo. Muita gente antes do show lamentava a ausência de Tal Wilkenfeld, a baixista/novinha/gata/virtuosa que acompanhava Beck até pouco tempo. Mas quem estava lá no Vivo Rio presenciou Ronda Smith (que tocou por 10 anos com Prince) simplesmente botando pra quebrar com seu baixo. Baixinha e pequenina mas com um vozeirão de negona de R&B, ela sacodiu as estruturas com seu canto, seus slaps e solos irados.
O tecladista Jason Rebello é daquele tipo de "músico completo". Já tocou com feras do Jazz como Wayne Shorter, Gary Burton e Branford Marsallis. Ele toca em concertos eruditos, tem 4 discos lançados, e já fez parte da banda de Sting por 5 anos. Conseguia ser discretos quando fazia as bases, e se destacar quando solava com maestria. Usou em alguns momentos o efeito "talk box" pra fazer duelos com Beck.O baterista Narada Michael Walden era um dos mais cascudos. Mestre dos dois bumbos já tocou com muita gente boa (Aretha Franklin, Ray Charles, Stevie Wonder, Lionel Ritchie, Stevie Windwood). Chegou a participar da gravação do LP "Wired", um dos mais clássicos de Beck. Infelizmente a única canção desse álbum executada no show foi "Led Boots".
O repertório ficou concentrado nos discos lançados a partir de 1999 ( "Who's Else", "You Had It Coming", "Jeff") e no seu novo CD "Emotion & Commotion", entre elas a versão para "Over The Rainbow".
Um dos pontos altos foi "A Day In The Life", cover dos Beatles que Beck gravou a convite de George Martin em seu CD "In My Life", lhe rendendo um Grammy de melhor canção instrumental de Rock.
Durante quase o tempo todo, tocou com sua Fender branca, só trocando para uma Gibson preta em "How High the Moon" para homenagear Les Paul, o pioneiro guitarrista que dá nome ao modelo de guitarra.
Em um dos melhores shows do ano, Jeff Beck nos brindou com seu estilo único de tocar, sem uso de paletas, utilizando sempre a alavanca e os botões de volume, promovendo "seus efeitos característicos"; provando que virtuose pode andar junto do feeling e do bom gosto.
Fiquei na bronca, por não ter tocado a minha preferida "Cause We've Ended As Lovers", um presente de Stevie Wonder para Beck. Mas não deu nem pra ficar puto, porque o show foi encerrado com "Nessun Dorma" (ária do último ato da ópera "Turandot" de Puccini), que foi anunciada como um "Blues italiano". Lindo, sublime e emocionante são algumas palavras que podem ser atribuídas ao encerramento de sua apresentação.
Jeff Beck apesar de seus 66 anos está em excelente forma física, portanto peço aos Deuses da Música e do Rock que o conserve assim com saúde por muitos anos, para que possa voltar por várias vezes ao Brasil, e que novamente eu esteja entre os felizardos que o assistirão.
SETLIST:
1- Plan B
2- Stratus
3- Led Boots
4- Corpus Christi
5- Hammerhead
6- Mna Na Eireann
7- Bass Solo
8- People Get Ready
9- You Never Know
10-Rollin' & Tumbkin'
11- Big Block
12- Over The Rainbow
13- Blast From The East
14- Angels
15- Dirty Mind
16- Brush With The Blues
17- A Day In The Life

Bis:
18- Higher
19- How High
20- Nessun Dorma
As belas fotos que ilustram a postagem foram feitas por Lula Zeppeliano.

2 comentários:

  1. Mais uma vez, parabéns meu amigo, pela matéria, descevreu maravilhosamente o show!!!

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  2. Muito Obrigado, meu amigo Lula Zeppeliano.
    Sem dúvidas, suas fotos serviram para abrilhantar as postagens.
    Forte abraço

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