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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

20 ANOS DA SEGUNDA EDIÇÃO DO ROCK IN RIO - MINHAS LEMBRANÇAS DO FESTIVAL

Em janeiro de 1991 eu tinha 14 anos e estava empolgadíssimo com a tão aguardado Rock In Rio II, afinal tinha ido na primeira edição em 1985 (veja a postagem 25 ANOS DA PRIMEIRA EDIÇÃO DO ROCK IN RIO - MINHAS LEMBRANÇAS DO FESTIVAL ). Infelizmente não foi realizado na "Cidade do Rock" e sim no "longíquo" Maracanã; pois era assim que eu via aquele estádio na época, pois vivia, estudava e só andava por Jacarepaguá e Barra da Tijuca, tudo que era pra além da serra Grajaú-Jacarepaguá considerava uma viagem...
Acompanhava as notícias das atrações que eram confirmadas pela MTV, TV Globo e pelos jornais escritos, é verdade que tinha muita porcaria: Dee-Lite, Information Society, Debbie Gibson, New Kids on the Block, e SNAP; mas também tinha uma galera de peso que se apresentaria no Brasil pela primeira vez como Prince, Santana, Megadeth, George Michael e Joe Cocker.
Comprei ingresso pra o dia 20 de janeiro, que era considerado o melhor pra quem curtia Rock mesmo, com duas das melhores bandas nacionais (Barão Vermelho e Titãs), uma banda iniciante e inovadora com clipe estourado na recém nascida MTV Brasil (Faith No More), o grupo mais badalado da época (Guns N'Roses), e o "Deus da Voz" e lendário vocalista do Led Zeppelin (Robert Plant).
O que parecia perfeito começou a azedar: na véspera do início do festival foi anunciado que Plant havia desistido de participar, o motivo alegado foi a "Guerra do Golfo" que acabara de começar, e o cantor temia ter problemas nas viagens de avião; até hoje não foi explicado a causa verdadeira. Ele tocaria em duas noites, e foi substituído na primeira por Billy Idol e na segunda por Santana. Fiquei frustadíssimo, já era um fã alucinado do Led Zeppelin e era um sonho ver um show, mesmo que solo do Robert Plant, felizmente anos mais tarde assisti a duas apresentações suas, uma delas junatamente com Jimmy Page.
No dia 18, acompanhei a abertura do Rock In Rio pela televisão, a Globo mostrava os "melhores momentos" dos shows de abertura, e passava ao vivo a duas últimas atrações de cada noite. Pude conferi algumas músicas de Jimmy Cliff (que abriu o Festival, substituindo Gal Costa que foi outra que desistiu de participar) e Colin Hay (ex vocal do Men at Work); e assisti na íntegra o lendário Joe Cocker e o genial Prince.
Da mesma forma no dia seguinte estava de frente à TV pra ver flashes de Supla, Engenheiros do Hawaii, e boa parte dos shows de Billy Idol, INXS (que tinha um caminhão de hits que não ignorava que eram deles) e Santana que literalmente botou pra quebrar.
Durante a transmissão foi dada a notícia de que o Barão Vermelho desistira de tocar por não conseguir realizar a passagem de som, e fora substituído pelo Hanoi-Hanoi. É claro que fiquei revoltado, a noite perfeita estava ficando bem meia boca.
Mas chegou a minha hora de ir ao Rock In Rio, fomos de ônibus eu, meu pai, meu irmão, meu amigo João Paulo e seu irmão. Ao chegarmos no estádio muita bagunça, empurra-empurra, sufoco e desogranização pra entrarmos no Maracanã. Ao chegarmos no gramado, os Titãs estavam passando o som. Todas as edições do Rock In Rio tradicionalmente desrespeitam e boicotam os artistas nacionais: um absurdo o Barão não poder passar o som, e uma banda do porte dos Titãs terem que regular o equipamento com o público entrando no estádio.
Finalemente, na hora marcada o Hanoi-Hanoi abre, com a galera gritando "Barão! Barão!". Colocaram os caras numa fria, com todo o respeito ao grupo, eles não tinham cacife pra tocar num evento como aquele, principalmente substituindo uma banda tão famosa. O baixista e vocalista Arnaldo Brandão, músico cascudo que já fez parte de conjuntos importantes como A Bolha e Brylho e já tocou com Mick Taylor (ex guitarrista dos Rolling Stones), usou algumas das canções que compos em parceria com Lobão e Cazuza (como "Rádio Blá" e "O Tempo Não Para") pra tentar conquistar o público, pois o Hanoi-Hanoi só tem um grande hit: "Totalmente Demais".
Os Titãs eram ao lado da Legião Urbana, a mais bem sucedida e famosa banda de Rock do Brasil. Com grandes discos lançados, eles fizeram uma apresentação com sucessos do começo ao fim, com a galera cantando o tempo todo. Dominaram o público com maestria e fizeram um dos melhores shows do Festival, sem dúvida o melhor de uma atração nacional, sendo obrigados a fazer bis, e depois voltar ao palco mais uma vez pra agradecer aos gritos de "Titãs! Titãs!".
Alguns anos depois vi numa entrevista que enquanto os Titãs tocavam, Mike Bordin do Faith No More sentou em sua bateria que já estava montada e começou a praticar e fazer aquecimento. Isso mesmo, a organização permitiu que esse absurdo ocorrece.
A surpresa do Rock In Rio II foi o Faith No More. Todo mundo já conhecia "Epic" que tinha um clipe muito bom, apesar de bizarro, e a música misturava Rap, com guitarras "sabbathianas", teclados, bateria pesada, e acabava com um solo de piano que era tocado enquanto um peixe se contorcia fora d'água.
O vocalista Mike Patton era um alucinado, e o som era realmente inovador, pesado e criativo. Teve direito a cover de Black Sabbath ("War Pigs") e foi finalizado com a doce balada "Easy" dos Commodores, numa antítese a tudo que foi mostrado antes; antológico.
Graças a participação no festival, o FNM passou a ser uma das bandas estrangeiras mais cultuadas do Brasil na época, tanto que o grupo voltaria ao país meses depois para uma mini-turnê.
Sem Plant, tivemos que nos contentar com Billy idol, que até fez um show legalzinho, com alguns hits bacanas como "Dancing With Myself", "Rebel Yell" e "Eyes Without a Face",com direito a The Doors em "L.A. Woman". Ele ainda tinha um sucesso na época por causa do clipe de "Cradle Of Love", que passava direto na MTV, e mostrava um Nerd que recebia a visita de uma ninfeta deliciosa.
Durante as apresentações das bandas estrangeiras eram mostradas no telão legendas eletrônicas com a tradução de algumas coisas que os artistas falavam. Isso gerou uma situação engraçada. Terminando sua participação, Idol agradeceu e todos aplaudiram muito ele deixou o palco, e logo em seguida apareceram as legendas: "Obrigado! Pelo dinheiro.", o que gerou uma sonora vaia.
A atração mais aguardada do evento era mesmo o Guns N'Roses. As FMs tocavam porcarias como Erasure e Milli Vanilli, então era como se fosse chegar num oásis ter uma banda tocando Rock de verdade, com grande influência de Led Zeppelin, AC/DC e Aerosmith.
Tinham um vocalista carismático e de voz potente, e um guitarrista estiloso capaz de criar solos que grudam na cabeça, vinham ganhando popularidade, e colecionando hits: "Sweet Child O'Mine", "Paradise City", "Welcome To The Jungle", "Patience", "Used To Love Her" e "Knocking On The Heaven's Door" (cover de Bob Dylan).
Também se apresentariam na noite do Metal, e estavam estreando o baterista Matt Sorum (ex The Cult) e o tecladista Dizzy Reed.
O show foi bem bacana, com direito ao Slash tocando o tema do filme "O Poderoso Chefão", e algumas músicas até então inéditas com "You Could Be Mine" e "Civil War", que seriam lançadas nos álbuns "Use Your Ilusion I e II" no final do ano.
Depois voltei a acompanhar na Globo ao restante do evento: George Michael, Serguei, Ed Motta, A-ha (que era muito popular no Brasil e tocou num dos dias de maior público), Paulo Ricardo que reuniu de surpresa o RPM, Moraes & Pepeu, Roupa Nova.
Vi com atenção especial o Dia do Metal, que foi aberto com Sepultura que era mais conhecido no exterior que no Brasil. Na sequência veio Lobão que intencionalmente pediu pra tocar naquela noite; resultado: a platéia inconformada com o curto show do Sepultura, começou a arremessar latas e e garrafas. A situação ficou pior ainda quando ele levou pro palco a bateria da Mangueira. Com isso, Lobão teve que abandonar o palco.
Além do Guns, se apresentaram Megadeth, Judas Priest com Rob Halford alucinando nos vocais, e Queensryche (banda de Prog Metal que até então eu não conhecia, e passei logo a gostar).
Muito marcante foi a segunda apresentação do Santana, que convidou vários artistas nacionais pra participarem do seu show, numa verdadeira celebração à MPB, entre eles Djavan e Gilberto Gil. Gil estava escalado pra tocar no último dia, mas desistiu pelos mesmos motivos do Barão Vermelho. Confira abaixo, a bela "Oceano" no histórico encontro de Djavan e Santana:

4 comentários:

  1. Zé, me amarrei nesse revival do rock in rio. Muito legal, eu não fui nos 2 primeiros, mas me lembro que via pela globo principlamente o segundo e foi quando comecei a curtir FNM, queensryche e idolatrar de vez o guns. Valeu Zé.

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  2. Gostei muito das postagens. É sempre bom reviver bons momentos. Um grande abraço.

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  3. Oi Pedro, valeu pelo seu depoimento.
    Um grande abraço

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  4. Oi Vera, que bom que você gostou das postagens,espero te ver sempre aqui.
    Beijo

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