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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

HERBERT DE PERTO


No fim de semana de estréia, eu com namorada e toda minha família fomos ao cimema ver o excelente documentátio "Herbert de Perto". Não podia ser diferente, pois todos nós somos muito fãs dos Paralamas, e sofremos, torcemos, vibramos e ficamos impressionados com tudo que Hebert passou e na sua milagrosa recuperação.
Desde que comecei a tocar bateria, formava um trio com meu irmão no baixo e uma amigo na guitarra, e tocávamos inúmeras canções dos Paralamas: "Meu Erro", "Alagados", "Vital e sua Moto", "Óculos", "A Novidade"... Portanto suas músicas fizeram e fazem parte da trilha sonora da minha vida.
Com direção e roteiro de Pedro Bronz e Roberto Berliner, o filme começa tendo como trilha "Ska": "A Vida Não é Filme, Você não entendeu..."; e mostra o jovem Herbert dando um depoimento sincero e muito humilde sobre si mesmo, e no final ele diz que tudo que conseguiu foi com muito esforço e mesmo se ele passasse por uma tragédia, teria forças pra começar tudo de novo; daí aparece Herbert em sua cadeira de rodas vendo esse mesmo video e solta a seguinte frase: "Estou perplexo de o mané aí não saber bem o que ele está falando"
O documentário é um mergulho na vida desse músico e ser humano extraordinário, vai fundo, e começa na Paraíba, aonde nasceu, filho de um piloto da FAB Hermano Vianna, e por isso sempre mudando de Estado. E é seu pai que conta a história de como ganhou seu primeiro violão, ao pedir pra um Papai Noel de shopping pra trocar seu presente de Natal, uma bicicleta por um violão de verdade. Em pouco tempo já estava dando toques a seu professor.
É contado como nasceu em Brasília a sua amizade com Bi Ribeiro, e como os dois a aprofundaram no Rio de Janeiro. Mostra também a reação da mãe de Herbert, Dona Tereza, ao ouvir a primeira demo da banda: "Vocês não vão a lugar nenhum com esse baterista". O batera era Vital, e mostra como conheceram o grande João Barone.
Com uma montagem expepcional o filme mostra com imagens de arquivo e recentes, a meteórica ascenção do Trio, que apenas queria colocar uma música na Radio Fluminense e tocar no Circo Voador. E conseguiram... Abriram pro Lulu Santos, gravaram o primeiro disco, viraram sensação com o segundo, tocaram no Rock In Rio e se tornaram fenômeno nacional.
E por falar em Rock In Rio, é mostrado um momento antológico, aonde o líder dos Paralamas dá um senhor esporro nos idiotas que estavam jogando pedras nos artistas nacionais.
Foi bem documentada também a coragem da banda em mudar pra algo novo no terceiro LP, misturando rock com a tradição da música brasileira, Reggae jamaicano, mais os ritmos africanos; ao invés de repetirem a fórmula que deu certo de "Police Brasileiro".
Não é mostrado o show histórico em Mountreux em 1987, e as gravações dos discos "Bora-Bora" e "Big Bang" que consolidaram a carreira da banda. Do revolucionário LP "Selvagem" é dado um pulo direto para os fracassos comerciais de "OS Grãos" e "Severino" em plena crise dos anos Collor, que os levaram a gravar em espanhol e conquistar a América Latina, começando pela Argentina; aonde fizeram amizades com os astros locais Fito Paez e Charly Garcia. Quase não não é mencionado seu namoro traumático com Paula Toller, aparece Seu Hermano falando como Lucy fez bem a seu filho, já que antes ele estava muito triste e sofrido.
A retomada do sucesso com o ao vivo "Vamô Bate Lata" e o megahit "Uma Brasileira", é intercalado com imagens da vida caseira ao lado da esposa e filhos. Tudo muito comovente e bonito, sem ser apelativo ou piegas.
Berliner dirigiu vários videoclipes do grupo, e os especiais "V, o Vídeo" (1987) e "Vamo Batê Lata" (1995). A proximidade fez nascer uma amizade que explica o acesso a cenas da vida privada de Herbert.
O drama do acidente de Fevereiro de 2001 é mostrado com depoimento emocionado de Dado Villa-Lobos que foi uma testemunha ocular. Essa parte do longa é bem forte, mas não utiliza o dramalhão pra emocionar. As imagens comovem pela proximidade que todos tivemos no ocorrido com o acidente, é impossível não lembrar da cobertura dada pela Imprensa e com a comossão causada pela tragédia que matou o amor de sua vida e que o quase levou também.
O próprio médico que o tratou, diz que foi um milagre Herbert não ter morrido. Com depoimentos de Bi Ribeiro, João Barone, do irmão e antropólogo Hermano Vianna, e do empresário dos Paralamas Zé Fortes, é mostrado passo a passo o drama, desde a internação, o coma, a recuperação, o voltar a falar, tocar e cantar.
E é de Zé o depoimento mais engraçado do filme, que mostra o quanto especial é o ser humano Herbert Vianna, que num momento daqueles não perde o bom humor, a alegria e a vontade de viver. Não vou entrar em mais detalhes pra não estragar quem vai assistir.
A rápida e inacreditável recuperação, com a ajuda da música, da família e dos verdadeiros amigos, são ilustradas com as imagens dele tocando para os internos do Hospital Sarah de Brasilia ainda em 2001, e das gravações de "Longo Caminho" em 2002.
Aliado a tudo isso, e somado a vontade de cuidar e criar seus filhos, foram os motivos que o salvaram.
Ao ver o filme duas coisas me foram confirmadas: a primeira é queria ter amigos como João e Bi, que nunca o abandonaram; a segunda é de que Herbert Vianna é um exemplo de vida, de garra, de amor e de fé na vida. É como disse Fito Paez ao apresentá-lo em seu show no Canecão no Rio, aonde cantou com ele "Trac-trac" em Junho de 2002: "Assim como temos o vento, o mar, a montanha, temos Hebert Vianna, uma verdadeira força da natureza!". E eu assino em baixo.
"Hebert de Perto", junto com "A Vida Até Parece uma Festa" (sobre os Titãs), "Loki - Arnaldo Baptista" e "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei" mostram uma tendência interessante de preservar a memória musical brasileira na forma de documentários em longa metragem, estreiando em cinemas e sendo lançados posteriormente em DVD. A Cultura brasileira agradece.

3 comentários:

  1. Me imitando, né? Nem vem que não tem =P
    Como já comentei em outras postagens suas, adoro o jeito que vc escreve (até mesmo os erros digitativos! rsrs).

    Beijão

    Ps: Sua postagem ficou GIGANTE (e bem melhor que a minha)

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  2. Se não fosse os Paralamas não teria ou talvez nem sei dizer, conhecido o amor da minha vida!Devo isso a Deus é claro e muito também ao Herbert parece estranho o q estou dizendo mas as suas musicas e seus shows nos aproximaram sabe como é afinidades, acabei me apaixonando!Taí o Herbert é um cara que eu gostaria de ver de perto!Amo muito...só tenho a agradecer!Ah muito legal o seu blog!

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  3. Oi Anônimo (a),
    como disse na postagem as músicas dos Paralamas sempre fizeram parte da minha vida; então temos isso em comum.
    Que bom que vc gostou do meu Blog, volte sempre. e dá próxima vez se identifique, por favor.

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