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domingo, 5 de maio de 2013

4 de Maio de 2013 - PAUL MCCARTNEY NO MINEIRÃO (MG)

Parece mentira, eu mesmo fico às vezes incrédulo, mas presenciei pela quarta vez a uma apresentação de Sir Paul McCartney. E essa foi especial, afinal eu não conhecia Belo Horizonte, e o show foi o primeiro da nova turnê "Out There", que traz um novo repertório com várias surpresas.
BH foi escolhida como a cidade de estréia graças a campanha "Paul vem Fazer UAI em BH", organizada por um grupo de garotas, que bombou via facebook, e tocou o coração de McCartney.
Para alegria dos cruzerenses, Paul entra no palco vestindo um paletó azul claro, cinco minutos antes da hora marcada, abrindo com "Eight Day's a Week", clássico dos Beatles da fase Iê-Iê-Iê; canção que nunca fez parte nenhum setlist de sua fase solo.
Na sequência veio "Junior's Farm", Rockão da época do Wings, seguida por mais Beatles na doce "All My Loving". A essa altura boa parte da platéia já estava em lágrimas.
Macca se dirigiu à galera: "Esta noite vou tentar falar um pouco de português. Mas como sempre mais inglês. Great to be here. Finalmente Paul vem falar 'Uai'!". O Mineirão veio abaixo...
Então Paul agradeceu, e mandou "Listen to What the Man Said", outra dos Wings, do LP "Venus And Mars", e que não era tocada ao vivo desde 1976.
Para alívio dos atleticanos, Paul tira o paletó e passa o resto do show com uma camisa branca e preta. Ele larga seu baixo Hofner pra pegar uma guitarra Gibson Les Paul (foto acima), pra mandar o riff marcante de "Let Me Roll It". Mais uma troca, agora com a Epiphone Casino em "Paperback Writer", usada na gravação original em 1966 (foto abaixo).
A primeira homenagem da noite foi em "My Valentine", canção que ele compôs para sua atual esposa, Nancy Shevell. No telão dividido em duas partes, a direita a bela Natalie Portman e na esquerda Johnny Depp interpretam através de sinais a letra da canção. O público faz seu show a parte, levantando rosas vermelhas, em sua primeira manifestação pré-organizada.
Linda também foi lembrada, mas não em "My Love", e sim em "Maybe I´m Amazed", que também é uma das mais belas de sua carreira, e uma de suas perfomances vocais mais surpreendente. Ele prova que mesmo beirando os 71 anos, ainda é um extraordinário cantor, levando com segurança todas as alterações entre agudo e o grave exigidas nesta música. E o velhinho continua a humilhar, sem nunca parar pra tomar um copinho d´água.
Sua forma física também impressiona. Aparentando estar mais magro do que em 2011, Paul dá pulinhos, dança, faz pose, brinca e transborda bom humor e simpatia, causando admiração e inveja na garotada presente.
O bloco mais calmo do show, com as belas baladas do Fab Four, como "The Long And Winding Road", "We Can Work It Out", "And I Love Her" e "Blackbird", e canções pós-Beatles como "1985" (onde Paul fez um "W" com as mãos para saudar os fãs dos Wings), "Hope of Deliverance" (com o baterista figuraça Abe Laboriel Junior se saindo muito bem tocando contra-baixo) e o grande hit dos anos 70 "Another Day", que se transformou em raridade em shows de McCartney, já que não era tocada ao vivo desde 1993.
Aconteceram outras mudanças significativas no repertório, em relação a turnê anterior que se encerrou em novembro no Canadá: a inclusão das canções dos Beatles "Your Mother Should Know", "All Together Now", "Lovely Rita"  e "Being For The Benefit of Mr Kite" (originalmente cantada por Lennon); as duas últimas foram anunciadas como "premiére mundial", jé que nunca foram executadas em shows, pelo fato dos Beatles terem desistido de se apresentar ao vivo a partir de 1966. Tais músicas apesar de não serem muito conhecidas pelo grande público, fizeram a alegria dos aficionados como eu, que já não aguentam mais ouvir "Let It Be".
Paul em seu teclado psicodélico usado em "Your Mother Should Know", enquanto no telão rolavam cenas do clipe da música retirado do filme "Magical Mystery Tour".
Sua banda já está junta a bastante tempo, e mostra grande entrosamento e boa pegada. O som estava excelente desde o início, mas apresentou falhas em dois momentos. Primeiro o som do P.A. parou em "Ob-La-Di, Ob-La-Da", mas pouco foi notado, porque aconteceu justamente quando McCartney pediu que a platéia cantasse o refrão.

Mas a lamentável e inacreditável falha técnica foi quando o som para o público sumiu duas vezes durante a "Band On The Run". Mas tais fatos não chegaram a comprometer o show.


Voltando as homenagens, grandes mulheres foram lembradas nas projeções do telão durante "Lady Madona", com imagens de Yoko Ono, Linda McCartney, Tina Turner, Aretha Franklin, Marylin Monroe, Billie Hillyday, Frida Kahlo e Audrey Hepburn. 
Os já esperados tributos aos amigos John e George causaram comoção em boa parte dos presentes em  "Here Today", para Lennon, e "Something", para Harrisson. Particularmente acho que já ficou manjado. Gostaria que as músicas fossem mudadas; e parece que isso está perto de acontecer, já que a belíssima "All Things Must Pass", da carreira solo de George, chegou a ser tocada na passagem de som, mas acabou ficando de fora do show.
Durante o primeiro Bis, Paul chamou ao palco o grupo das quatro garotas que mobilizou as redes sociais, na já citada campanha "Paul Vem Falar Uai!". Ele apresentou-as ao público, e fez autógrafos na pele de duas delas, que depois virarão tatuagens.
Em toda sua carreira, Paul McCartney foi acusado de abusar da sacarina. Isso é explicado por ele ser o autor de várias das mais belas canções de amor de todos os tempos. Mas amigos, não podemos esquecer que Macca também é Rock and Roll!
E talvez de forma proposital ele coloque em sequência a sua composição romântica mais famosa ("Yesterday") ao lado daquela mais barulhenta e esporrenta ("Helter Skelter"). E com "Day Tripper", "Back In The USSR" e "Get Back", o Rock and Roll desce gostoso e na pressão.
Pressão essa que assusta e impressiona com as explosões e fogos de artifícios em "Live And Let Die", tocada com bastante peso e pegada. 

Ok! Escrevi que não aguento mais "Let It Be". Mas não tinha como não ficar emocionado ao ver as arquibancadas do Mineirão trasnformadas em um céu estrelado, iluminado pelos celulares e câmeras, enquanto McCartney ao piano cantava a balada, e provando que os chatos como eu devem dar o braço a torcer, pois há canções que nunca perdem a graça.
E "Hey Jude" é outro exemplo. Os fã-clubes novamente se organizaram e distribuiram na entrada do estádio milhares de cartazes inscritos a frase "Thank You!", que foram erguidos durante o "Na, Na, Na...". McCartney ficou visivelmente emocionado, e soltou um: "Ê Trem Bom! Sô...".

Eu segurei a onda durante toda apresentação. Mas exatamente no final, as lágrimas cairam já nas primeiras notas do medley "Golden Slumbers/Carry That Weight/The End", do magnífico LP "Abbey Road". Sempre sonhei em presenciar a execução ao vivo dessas 3 músicas tocadas em sequência. Foi lindo demais. Quem sabe no próximo realizo outro sonho, o de ver Paul cantando "Oh Darling!"?
Eu já mencionei nas outras 3 resenhas dessas verdadeiras celebrações que são os shows de Paul McCartney, mas sem o medo de soar repetitivo, destaco a incrível característica de reunir diversas gerações. Crianças, jovens, cabeças brancas, todos na mesma sintonia. Todos acreditando que "é no final que o Amor que você faz é equivalente ao Amor que você leva."
Amém!

SETLIST:
1-Eight Days a Week
2- Junior's Farm
3- All My Loving
4-  Listen to What the Man Said
5- Let Me Roll It
6- Paperback Writer
7- My Valentine
8- Nineteen Hundred and Eighty-Five
9- The Long and Winding Road
10-  Maybe I'm Amazed
11- Hope of Deliverance
12- We Can Work It Out
13- Another Day
14- And I Love Her
15- Blackbird
16- Here Today
17- Your Mother Should Know
18- Lady Madonna
19- All Together Now
20- Mrs. Vandebilt
21- Eleanor Rigby
22- Being for the Benefit of Mr. Kite!
23- Something
24- Ob-La-Di, Ob-La-Da
25- Band on the Run
26- Hi, Hi, Hi
27- Back in the U.S.S.R.
28- Let It Be
29- Live and Let Die
30- Hey Jude

Bis 1:
31- Day Tripper
32- Lovely Rita
33- Get Back

Bis 2:
34- Yesterday
35- Helter Skelter
36- Golden Slumbers / Carry That Weight / The End
As belas fotos do post são da querida Gabriela Harrison, que aparece acima, entre o sósia de Paul (presença constante nos shows de McCartney no Brasil desde 2010) e sua amiga inseparável Poliana.

6 comentários:

  1. Estou sem palavras... na verdade são só lágrimas que rolam... o show deve ter sido muito emocionante e você conseguiu passar toda a emoção que sentiu. Cara... ele cantou Obladi oblada?
    Muuuiiito legal!

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  2. U A I !!!!! TREM BÃO . Sua descrição do show me deu a sensação de estar lá assistindo ao vivo e a cores. Invejinha boa de todos que podem participar de uma apresentação do nosso amado PAUL.
    E você melhorou da gripe? A voz ficou em BH?
    Abração.

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  3. Eu ainda não consigo expressar em palavras os sentimentos que tive...
    Sua narrativa foi sensacional... me identifiquei na parte "Ok! Escrevi que não aguento mais "Let It Be". Mas não tinha como não ficar emocionado ao ver as arquibancadas do Mineirão trasnformadas em um céu estrelado, iluminado pelos celulares e câmeras, enquanto McCartney ao piano cantava a balada, e provando que os chatos como eu devem dar o braço a torcer, pois há canções que nunca perdem a graça." rs!

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  4. Bela resenha quando eu crescer rsrsrs quero escrever igual a você . Parabéns! Alessandra.

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  5. Como eu já te falei hoje, você coloca toda a sua emoção nas suas palavras. Quando você me contou pessoalmente não colocou tanta paixão nas suas palavras... e, eu amo Let it Be, por mais que tenha meio que virado modinha. E essa frase com que você fecha a resenha resume tudo.
    Perfeito!

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