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sábado, 11 de maio de 2013

STORM THORGERSON (1944-2013) - O ADEUS AO GÊNIO QUE TRADUZIA MÚSICA EM IMAGENS

Há algumas semanas, depois de um almoço de família no Shopping Down Town (Barra da Tijuca), entrei naquela loja que funciona como banca de jornal, que fica na Praça de Alimentação, embaixo do Cinemark. Não estava precisando de chaveiro, mas fiquei encantado com uma arara enorme que tinha uma grande variedade de chaveiros, todos com estojo, ao preço de R$14,99. Uma parcela significativa dos modelos trazia logos de bandas de Rock. Imediatamente comecei a procurar por um do Beatles, Led Zeppelin e Rush; as bandas que completam meu Top3. Mas não tinha...
Olhando, mexendo, encontrei AC/DC, Iron Maiden, Metallica, Slayer, The Doors, Nirvana, Rolling Stones, Queen, Legião Urbana, Sepultura, U2, Linkin Park, Pearl Jam, System Of Down, Ramones, Slipknot, Green Day, Kiss, Motorhead...
Queria comprar algum, mas nenhum me apeteceu. Até que quando estava indo embora, Achei um do Pink Floyd bem parecido com esse aqui:
E não resisti, comprei-o. Sim, eu adoro o Pink Floyd, mas não mais do que AC/DC ou Queen. Mas a imagem do prisma sendo atravessado pela luz branca, que se separa em várias cores, é tão forte que mais uma vez me pegou.
Fui pego de surpresa quando na mesma semana recebi a notícia da morte do cara que criou a tal imagem que agora carrego junto às chaves do carro e de casa.
Storm Thorgerson, autor de capas lendárias da história da música pop, perdeu a batalha para o câncer aos 69 anos, no dia 18 de abril.
Além do Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath, Muse, AC/DC, Dream Theater, Megadeth, The Cranberries, Deep Purple, Genesis, Peter Gabriel, Scorpions, The Who, Yes, Audioslave, Nazareth, Paul McCartney, Wings, The Offspring, Biff Clyro, Anthrax, Mars Volta, 10CC e Pendulum são alguns dos grupos que contrataram os serviços do artista,.
Não, ele não era músico, mas sua obra foi tão influente , revolucionária e fez tanto pela música quanto as composições de Lennon & McCartney, os solos de Jimi Hendrix, o peso das baquetas de John Bonham, ou as letras viajantes de Jim Morrison.
Ao receber uma encomenda, Thorgerson ouvia atentamente as canções do disco para investigar as letras, procurava todas as sutilezas dos arranjos, mergulhava no imaginário dos músicos, e conversava com eles para entender os mecanismos da criação.
Mais do que o capista do Pink Floyd, dono do estúdio Hypgnosis, e diretor de video-clipes incríveis, Storm Thorgerson deve ser lembrado como um visionário, e como um mestre entre a associação da música com o design.
Para sorte de nós amantes do Rock and Roll, ele escolheu as capas de discos como sua tela, onde sob influência do Surrealismo, fazia com que nossas mentes viajassem ao olharmos seus desenhos ou fotos. Quando isso era feito enquanto se ouve o disco, o passeio virtual se tornava mais incrível e ao mesmo tempo mais realista. Storm é o Salvador Dali da música Pop.
Não se limitou a transitar por um único gênero. Foi do Space Rock e do Progressivo ao Heavy Metal, passando pelo Hard Rock, o Psicodélico, o Pop e o rock Alternativo. tudo isso sem perder a essência, a criatividade, originalidade e sua incrível capacidade de brincar com nossas mentes.
Sua contribuição com o Pink Floyd, desde 1968, é tão importante e significativa, que hoje em dia é impossível separar a música e som das imagens que são como a identidade da banda. A cada novo disco lançado por Gilmour, Mason, Wright e Waters, Thorgerson criava imagens que de forma simbiótica, num mutualismo perfeito, gerava sensações inimagináveis. A vaca no campo, o close na orelha, o porco voador na fábrica, o aperto de mãos em chamas, o homem de terno de lâmpadas, e o já citado prisma sobre o fundo negro são imagens que se tornaram ícones e símbolos máximos que transcendem a música.
“Foi uma energia constante na minha vida, tanto no trabalho como no pessoal, um ombro onde chorar e um grande amigo”, escreveu o guitarrista David Gilmour em comunicado. “A arte gráfica que criou para o Pink Floyd desde 1968 até ao presente foi uma componente inseparável do nosso trabalho.”.
Thorgerson foi colega de escola de Syd Barrett e Roger Waters em Cambridge e manteve desde a adolescência uma forte amizade com David Gilmour. Estudante de Inglês e Filosofia, foi atraído pelo cinema, o seu primeiro grande interesse, antes de se concentrar nas artes gráficas. Já estudante na Royal College of Art, em Londres, fundou a Hipgnosis, que teve como primeiro grande trabalho a capa de "Saucerful of Secrets", o segundo álbum dos Pink Floyd.
Curiosamente, a sua capa mais célebre, o prisma de "The Dark Side of the Moon", é uma das mais simples de seu acervo. Surgiu de uma provocação do tecladista Richard Wright, que teria lhe dito: "Não vamos mais  usar suas. Que tal uma mudança? Uma ideia gráfica bacana – qualquer coisa vistosa, graciosa, elegante.” .

Thorgerson também não se intimidava com projetos grandiosos. Para "Animals", o álbum de 1977 do Pink Floyd, fotografou um porco inflável flutuando sobre uma central eléctrica – o porco gigante soltou-se e foi uma ameaça para os aviões que chegavam e partiam de Heathrow. Dez anos depois, para "Momentary Lapse of Reason" reuniu várias centenas de camas numa praia, um trabalho que considerou mais tarde uma verdadeira loucura.
Teve papel importante também com outra super banda, o Led Zeppelin, com a famosa capa de "Houses of the Holy", a das crianças nuas numa paisagem surreal, alienígena. São dele também a autoria das ilustrações dos álbuns "Presence" e "In Through The Outdoor".

A partir da década de 1980, assinou também vídeos musicais para grandes nomes como Pink Floyd, Yes, Rainbow e Robert Plant.
Mais recentemente, foi o autor de capas para álbuns do Muse, Dream Theater, Mars Volta, Audioslave, entre outros. Ao longo de sua carreira assinou mais de 300. Fiz apanhado de algumas para o nosso deleite:




































































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